Publicado no Diário da Justiça de 14/06/2008

 

Boletim 2008.000077 - 3 a. VARA FEDERAL:

  

             Lista de Advogados constantes nesse boletim:

ADEILTON HILARIO JUNIOR 0004374-82.2004.4.05.8200

AGNES PAULI PONTES DE AQUINO 0004848-29.1999.4.05.8200

AGOSTINHO ALBERIO FERNANDES DUARTE 0005958-58.2002.4.05.8200

ALBERTO LOPES DE BRITO 0002563-19.2006.4.05.8200

ALEXANDRE BARBOSA DE LUCENA LEAL 0002882-16.2008.4.05.8200

ALEXANDRE RAMALHO PESSOA 0009222-10.2007.4.05.8200

ALMIR ALVES DIONISIO 0016476-39.2004.4.05.8200

AMANDA SOUTO CASADO FORTUNATO 0004848-29.1999.4.05.8200

ANA HELENA CAVALCANTI PORTELA 0007539-55.1995.4.05.8200

ANA LUCIA PEDROSA GOMES 0005538-92.1998.4.05.8200

ANAXIMANDRO DE ALBUQUERQUE SIQUEIRA SOUSA 0012846-38.2005.4.05.8200

ANDRE CASTELO BRANCO PEREIRA DA SILVA 0007692-10.2003.4.05.8200

ANDRE WANDERLEY SOARES 0002848-41.2008.4.05.8200

ANNA KARINNE DE BRITO PEREIRA 0000832-17.2008.4.05.8200

ANNE MARGARETH GUERRA FORTE BARBOSA 0005206-13.2007.4.05.8200

ANTONIETA L PEREIRA LIMA 0008960-60.2007.4.05.8200

ANTONIO EDILIO MAGALHAES TEIXEIRA 0004848-29.1999.4.05.8200 0004971-27.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004973-94.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

ANTONIO FAUSTO TERCEIRO DE ALMEIDA 0004848-29.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

ANTONIO NAVARRO RIBEIRO 0004974-79.1999.4.05.8200

ANTONIO TEODOSIO DA COSTA JUNIOR 0004848-29.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

ANÉZIA MARIA NOGUEIRA CAMPOS BEZERRA 0000065-76.2008.4.05.8200

ARLINDO CAROLINO DELGADO 0003211-33.2005.4.05.8200

ARLINGTON FRANCELINO A. DE CARVALHO 0004848-29.1999.4.05.8200

ARLINGTON FRANCELINO AUGUSTO DE CARVALHO 0004972-12.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

ARTHUR MONTEIRO LINS FIALHO 0000719-34.2006.4.05.8200

BENEDITO HONORIO DA SILVA 0002027-18.2000.4.05.8200 0004971-27.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0005958-58.2002.4.05.8200

CANDYCE EUGENIA DOURADO PREGUEIRO 0002882-16.2008.4.05.8200

CARLOS AUGUSTO FREIRE FILHO 0005206-13.2007.4.05.8200

CARLOS NEVES DANTAS FREIRE 0004848-29.1999.4.05.8200 0004971-27.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004973-94.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

CARLOS ROGERIO MARINHO DIAS 0007843-73.2003.4.05.8200

CHRISTIANNE SAYONARA NASCIMENTO GUIMARÃES 0006662-66.2005.4.05.8200

CICERO RICARDO ANTAS A CORDEIRO 0003431-26.2008.4.05.8200 0007692-10.2003.4.05.8200 0011163-92.2007.4.05.8200

CLAUDIO SANTOS DE SOUZA 0004848-29.1999.4.05.8200 0004971-27.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004973-94.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

DANIEL DALONIO VILAR FILHO 0002882-16.2008.4.05.8200

DANIELLE VIEGAS DE MAGALHÃES 0003431-26.2008.4.05.8200

DARIO SANDRO DE CASTRO SOUZA 0006662-66.2005.4.05.8200

DENNYS CARNEIRO ROCHA DOS SANTOS 0000719-34.2006.4.05.8200

EDMUNDO BARBOSA DE CARVALHO 0004974-79.1999.4.05.8200 0007843-73.2003.4.05.8200

EDNO MATIAS DOS SANTOS 0004848-29.1999.4.05.8200

ELMANO CUNHA RIBEIRO 0005835-02.1998.4.05.8200

EMERI PACHECO MOTA 0005835-02.1998.4.05.8200 0007467-48.2007.4.05.8200

EMMANUEL RUCK VIEIRA LEAL 0000719-34.2006.4.05.8200 0007019-75.2007.4.05.8200 0007692-10.2003.4.05.8200

ERIVAN DE LIMA 0012846-38.2005.4.05.8200

EVANDRO NUNES DE SOUZA 0004972-12.1999.4.05.8200

FABIANO BARCIA DE ANDRADE 0003436-34.1997.4.05.8200

FABIO LEITE DE FARIAS BRITO 0004685-73.2004.4.05.8200

FABIO ROMERO DE SOUZA RANGEL 0000025-31.2007.4.05.8200 0006662-66.2005.4.05.8200

FATIMA REJANE SANTOS DE FREITAS 0004974-79.1999.4.05.8200

FERNANDO ALMEIDA DE AGUIAR 0005538-92.1998.4.05.8200

FRANCISCO DAS CHAGAS NUNES 0006662-66.2005.4.05.8200 0007167-91.2004.4.05.8200 0016476-39.2004.4.05.8200

FRANCISCO DE ASSIS ALMEIDA E SILVA 0004973-94.1999.4.05.8200

FRANCISCO DE ASSIS FILGUEIRAS ABRANTES 0000065-76.2008.4.05.8200

FRANCISCO EDWARD AGUIAR NETO 0003431-26.2008.4.05.8200 0007167-91.2004.4.05.8200 0016476-39.2004.4.05.8200

FRANCISCO XAVIER DE ANDRADE FILHO 0003436-34.1997.4.05.8200

GERMANA CAMURÇA MORAES 0004685-73.2004.4.05.8200

GERMANNA KALYNE BELTRAO PESSOA 0006662-66.2005.4.05.8200

GERSON MOUSINHO DE BRITO 0007467-48.2007.4.05.8200 0009222-10.2007.4.05.8200

GILMAR SOBREIRA GOMES 0005538-92.1998.4.05.8200

GILSON DE BRITO LIRA 0004685-73.2004.4.05.8200

GIULIANNA CLECEA RAMOS DE ALMEIDA MEDEIROS 0004974-79.1999.4.05.8200

GUSTAVO CESAR DE FIGUEIREDO PORTO 0004974-79.1999.4.05.8200

GUSTAVO MAIA RESENDE LUCIO 0002563-19.2006.4.05.8200

GUSTAVO OLIVEIRA PEREIRA DE MELO 0005206-13.2007.4.05.8200

HENRIQUE MAROJA JALES COSTA 0000025-31.2007.4.05.8200

IBER CAMARA DE OLIVEIRA 0001245-16.1997.4.05.8200 0007539-55.1995.4.05.8200

IGOR GADELHA ARRUDA 0000719-34.2006.4.05.8200

ILANA FLAVIA BARBOSA VILAR 0002882-16.2008.4.05.8200

IRAPONIL SIQUEIRA SOUSA 0012846-38.2005.4.05.8200

ISAAC MARQUES CATÃO 0003436-34.1997.4.05.8200

ISABEL XIMENES CARNEIRO DA CUNHA 0002882-16.2008.4.05.8200

ITAMAR GOUVEIA DA SILVA 0002027-18.2000.4.05.8200

IVANA LUDMILLA VILLAR MAIA 0005538-92.1998.4.05.8200

IVANILDO PINTO DE MELO JUNIOR 0002848-41.2008.4.05.8200

IVO CASTELO BRANCO PEREIRA DA SILVA 0007539-55.1995.4.05.8200 0007692-10.2003.4.05.8200

JACKELINE ALVES CARTAXO 0000719-34.2006.4.05.8200

JAIME MARTINS PEREIRA JUNIOR 0003436-34.1997.4.05.8200 0006662-66.2005.4.05.8200 0007167-91.2004.4.05.8200 0016476-39.2004.4.05.8200

JALDELENIO REIS DE MENESES 0002563-19.2006.4.05.8200

JAMERSON NEVES DE SIQUEIRA 0004974-79.1999.4.05.8200

JANIO LUIS DE FREITAS 0002563-19.2006.4.05.8200

JARI DIAS DA COSTA 0005538-92.1998.4.05.8200

JEAN CAMARA DE OLIVEIRA 0001245-16.1997.4.05.8200

JOAO NUNES DE CASTRO NETO 0007019-75.2007.4.05.8200

JOCELIO JAIRO VIEIRA 0004973-94.1999.4.05.8200

JONACY FERNANDES ROCHA 0011163-92.2007.4.05.8200

JOSE CAMARA DE OLIVEIRA 0001245-16.1997.4.05.8200 0007539-55.1995.4.05.8200

JOSE COSME DE MELO FILHO 0007539-55.1995.4.05.8200

JOSE GUILHERME MARQUES JUNIOR 0003436-34.1997.4.05.8200

JOSE RAMOS DA SILVA 0004374-82.2004.4.05.8200

JOSE ROMERO DE SOUZA RANGEL 0016476-39.2004.4.05.8200

JOSE TADEU ALCOFORADO CATAO 0006662-66.2005.4.05.8200

JOSEFA RODRIGUES DA SILVA 0004974-79.1999.4.05.8200

JOSENIR GONCALVES DOS SANTOS 0004848-29.1999.4.05.8200

JOSÉ RODOLFO REVOREDO DE AQUINO ALVES 0004974-79.1999.4.05.8200

JURANDIR PEREIRA DA SILVA 0003431-26.2008.4.05.8200 0007539-55.1995.4.05.8200 0007692-10.2003.4.05.8200 0011163-92.2007.4.05.8200

JUSTINIANO DIAS DA SILVA JUNIOR 0007167-91.2004.4.05.8200

KEILA CRISTINA BRITO DA SILVA 0001245-16.1997.4.05.8200

LEILA REGINA DE BRITO ANDRADE 0003436-34.1997.4.05.8200

LUCIANA GURGEL DE AMORIM 0003431-26.2008.4.05.8200

LUIZ GONZAGA MEIRELES FILHO 0002848-41.2008.4.05.8200

MANOEL PEREIRA DINIZ NETO 0000832-17.2008.4.05.8200

MANUEL CABRAL DE ANDRADE NETO 0003211-33.2005.4.05.8200

MARCELO ALVES DIAS DE SOUZA 0004848-29.1999.4.05.8200 0004971-27.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004973-94.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

MARCIO PIQUET DA CRUZ 0005538-92.1998.4.05.8200 0007539-55.1995.4.05.8200

MARCOS CALUMBI NOBREGA DIAS 0006662-66.2005.4.05.8200

MARCUS VINICIUS SILVA MAGALHÃES 0005206-13.2007.4.05.8200

MARIA DAS DORES VIANA MONTENEGRO 0001245-16.1997.4.05.8200

MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO 0004848-29.1999.4.05.8200 0004971-27.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004973-94.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

MARIA LIDUINA DE SOUZA A. RIBEIRO 0005835-02.1998.4.05.8200

MARIA MADALENA LIANZA DA FRANCA 0007843-73.2003.4.05.8200

MARIO FORMIGA MACIEL FILHO 0000699-48.2003.4.05.8200

MARIO GOMES DE LUCENA 0009222-10.2007.4.05.8200

MARTSUNG F. C. DE ALENCAR 0005206-13.2007.4.05.8200

MARÍLIA DANIELLA FREITAS OLIVEIRA LEAL 0002882-16.2008.4.05.8200

MICHELE PETROSINO JUNIOR 0007167-91.2004.4.05.8200

MONICA CALDAS ANDRADE DE MIRANDA HENRIQUES 0000065-76.2008.4.05.8200

MUCIO SATIRO FILHO 0005958-58.2002.4.05.8200

NEY FAYET JUNIOR 0000699-48.2003.4.05.8200

OTAVIO UCHOA GUEDES CAVALCANTI 0004974-79.1999.4.05.8200

PAULO ALESSANDRO SILVA CAVALCANTI 0009838-34.1997.4.05.8200

PAULO AMERICO MAIA DE VASCONCELOS 0004973-94.1999.4.05.8200

PAULO CESAR BEZERRA DE LIMA 0010462-34.2007.4.05.8200

PAULO FAYET 0000699-48.2003.4.05.8200

PAULO GUEDES PEREIRA 0005958-58.2002.4.05.8200

PAULO ROBERTO TAVARES DA SILVA 0007843-73.2003.4.05.8200

PRISCILA SOUZA DA SILVA 0005206-13.2007.4.05.8200

RAFAEL ALMEIDA DE HOLANDA 0010462-34.2007.4.05.8200

RAFAELA MARIA DE LIMA LOPES 0004848-29.1999.4.05.8200

RAIMUNDO FLORENCIO PINHEIRO 0007539-55.1995.4.05.8200

RAQUEL LOBATO GOES DE ALBUQUERQUE 0003211-33.2005.4.05.8200

RICARDO POLLASTRINI 0016476-39.2004.4.05.8200

RICARDO RAMOS COUTINHO 0004848-29.1999.4.05.8200 0004971-27.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004973-94.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200

RIDALVO MACHADO DE ARRUDA 0009838-34.1997.4.05.8200

RINALDO MOUZALAS DE SOUZA E SILVA 0000025-31.2007.4.05.8200

RIVANA CAVALCANTE VIANA CRUZ 0003431-26.2008.4.05.8200 0011163-92.2007.4.05.8200

ROBERTO VENANCIO DA SILVA 0004848-29.1999.4.05.8200

ROBSON RENATO ALVES DE ALBUQUERQUE 0000832-17.2008.4.05.8200

RODRIGO LINS DE CARVALHO 0002563-19.2006.4.05.8200

ROSANE PADILHA DA CRUZ 0004974-79.1999.4.05.8200

SABRINA PEREIRA MENDES 0005958-58.2002.4.05.8200

SALESIA DE MEDEIROS WANDERLEY 0002563-19.2006.4.05.8200 0004374-82.2004.4.05.8200

SANCHA MARIA F.C R. ALENCAR 0005206-13.2007.4.05.8200

SANDRA ELIZABETH DE BRITO PEREIRA GUIMARAES 0000832-17.2008.4.05.8200

SELENITA ALENCAR P. DE MORAES 0005206-13.2007.4.05.8200

SEM ADVOGADO 0003211-33.2005.4.05.8200 0004848-29.1999.4.05.8200 0004972-12.1999.4.05.8200 0004974-79.1999.4.05.8200 0007843-73.2003.4.05.8200 0010462-34.2007.4.05.8200

SEM PROCURADOR 0000832-17.2008.4.05.8200 0000952-60.2008.4.05.8200 0002882-16.2008.4.05.8200 0003436-34.1997.4.05.8200 0004848-29.1999.4.05.8200 0004973-94.1999.4.05.8200 0005206-13.2007.4.05.8200 0007843-73.2003.4.05.8200 0008625-41.2007.4.05.8200 0008960-60.2007.4.05.8200 0009225-62.2007.4.05.8200 0012846-38.2005.4.05.8200

SINEIDE A CORREIA LIMA 0006662-66.2005.4.05.8200

SOLANGE MARIA CAVALCANTE PONTES 0008625-41.2007.4.05.8200

SOLON HENRIQUE DE SA E BENEVIDES 0000719-34.2006.4.05.8200

STANLEY MARX DONATO TENÓRIO 0000025-31.2007.4.05.8200

THAÍSE RACHEL DE OLIVEIRA RODRIGUES 0009225-62.2007.4.05.8200

THEREZA SHIMENA SANTOS TORRES 0003436-34.1997.4.05.8200

THIAGO CAMINHA PESSOA DA COSTA 0000065-76.2008.4.05.8200

VALBERTO ALVES DE A FILHO 0000025-31.2007.4.05.8200

VALCICLEIDE A. FREITAS 0016476-39.2004.4.05.8200

VANDA ARAUJO FREIRE 0000952-60.2008.4.05.8200

VANESSA GOMES PEREIRA DINIZ 0000832-17.2008.4.05.8200

VANINA C. C. MODESTO 0000719-34.2006.4.05.8200

VERONICA LEITE ALBUQUERQUE DE BRITO 0007467-48.2007.4.05.8200 0009222-10.2007.4.05.8200

VESCIJUDITH FERNANDES MOREIRA 0005958-58.2002.4.05.8200

VITAL BORBA DE ARAUJO JUNIOR 0000025-31.2007.4.05.8200

VIVIANE MOURA TEIXEIRA 0000719-34.2006.4.05.8200

WALTER DE AGRA JUNIOR 0000719-34.2006.4.05.8200

WERTON MAGALHAES COSTA 0000699-48.2003.4.05.8200

YURI PORFIRIO CASTRO DE ALBUQUERQUE 0004374-82.2004.4.05.8200

 

Juiz Federal CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ

Diretor de Secretaria: RITA DE CASSIA M FERREIRA

   

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

   

0004971-27.1999.4.05.8200 MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL (Adv. ANTONIO EDILIO MAGALHAES TEIXEIRA, MARCELO ALVES DIAS DE SOUZA) x FUNDACAO NACIONAL DO INDIO - FUNAI (Adv. RICARDO RAMOS COUTINHO, CLAUDIO SANTOS DE SOUZA) x UNIÃO (Adv. BENEDITO HONORIO DA SILVA) x FRANCISCO DA COSTA MEDEIROS E OUTROS (Adv. CARLOS NEVES DANTAS FREIRE, MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO)

AÇÃO CIVIL PÚBLICA AUTORES: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO RÉUS: FRANCISCO DA COSTA MEDEIROS e OUTROS S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Trata-se de ação civil pública, com pedido de liminar, proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO, através da qual pleiteiam provimento judicial para condenar os não índios na obrigação de fazer e não fazer, traduzida na retirada da área indígena (Praia de Coqueirinho) e na abstenção de promoveram invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações transferências de posse e outros atos restritivos de posse direta e usufruto exclusivo pelos integrantes da Comunidade Indígena Potiguara, contra: 1. FRANCISCO DA COSTA MEDEIROS; 2. JOSÉ DA FERNANDES FILHO; 3. JOSÉ VERAS DE ALMEIDA JÚNIOR; 4. LEONARDO DE MELO BORGES; 5. NEWTON LUIZ ARAÚJO DE LIMA; 6. LUIZA SEVERIANO NÓBREGA; 7. ALUÍSIO NUNES DE LUCENA; 8. ELIZABETH DE O. LEMOS; 9. LÚCIA HELENA MULATINHO FERNANDES; 10. ENILZA DANTAS VERAS; 11. TERCEIROS E INTERESSADOS INCERTOS E NÃO SABIDOS. Expõem que os réus edificaram clandestinamente moradias para veraneio na localidade denominada Coqueirinho ou Praia de Coqueirinho, localizada nos Municípios de Baia da Traição e Marcação, em área pertencente à União, destinada à posse e usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, conforme consta no Registro de Imóveis da Comarca de Rio Tinto e na Delegacia do Patrimônio da União neste Estado. Asseveram que as construções estão totalmente encravadas no interior do território indígena, de acordo com a plotagem das construções constante dos autos. Enfatizam que as construções clandestinas, sem qualquer registro, além de constituírem agressões ao bem da União e aos direitos dos indígenas, demonstram a má-fé dos réus, diante do que, deve-se aplicar à espécie o disposto no art. 547 do Código Civil. Fundamentam-se nos arts. 20, XI, 129, V, e 231, §§ 1º, 2º, 4º e 6º da Constituição Federal, 22 e 35 da Lei nº 6.001/73 e 5º da Lei nº 7.347/85, argumentando acerca da ilegalidade da ocupação da localidade Praia de Coqueirinho, parte do Território Indígena Potiguara, inserida no elenco de bens da União Federal, onde os réus construíram casas destinadas a veraneio. Juntaram os documentos de fls. 27/47. Contestações: Silvano Soares de Carvalho (fls. 98/110), Severino Nunes de Lucena e s/mulher Cynthia Denize Silva Cordeiro de Lucena (fls. 126140), Newton Luiz Araújo de Lima (fls. 152/167), Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti Silva e s/marido Francisco Leônidas Silva (fls. 191/197) José Ferreira Filho (fls. 202/218), Gilberto Dória de Lucena e s/mulher Rosanea das Graças de Araújo Lima (fls. 228/245). Os réus contestantes alegam, em síntese, a nulidade originária da ação intentada, apontando impropriedade da via eleita e irregularidades no processo administrativo de demarcação da terra indígena Potiguara, tendo em vista a existência de proprietários na área com título de domínio, aduzindo, também, ausência do devido processo legal e do contraditório, em razão do referido processo administrativo e, ainda, a necessidade de convocação da União e do Município de Marcação e dos titulares do domínio. No mérito, todos alegaram posse mansa, pacífica e de boa-fé. Impugnações, às fls. 262/270 (FUNAI), fls. 274/284 (MPF). Após a especificação de provas, o MM. Juiz Federal Substituto da 2ª vara, no exercício da titularidade desta 3ª Vara, proferiu despacho saneador, rejeitando as preliminares argüidas nas contestações e deferindo parcialmente a medida liminar, Após impugnação à contestação pelo autor, o Município de Presidente Castelo Branco, ratificou os termos da inicial apresentada pelo representante do Ministério Público e, atendendo ao despacho de fl. 180, manifestou-se quanto às preliminares argüidas na contestação. O Dr. Juiz de Direito, à fl. 190, rejeitou as preliminares e deferiu a dilação probatória requerida. Ressaltou, ainda, que o fundamento de tal posição reside no fato de que a inversão do ônus da prova descrita no artigo 6º, VIII da Lei 8078/90, se destina à apreciação do conjunto probatório pelo magistrado, em caso de non liquet, não havendo falar, finalmente, em hipossuficiência dos autores, haja vista que não litigam sob o pálio da Justiça Gratuita. Decisão deste Juízo no sentido de não aplicar os efeitos materiais da revelia, em face das rés Elizabeth de O. Lemos e Enilza Dantas Veras, uma vez que os respectivos cônjuges contestaram o feito - fl.417. Às fls. 462/465, foi juntado o Termo de Inspeção "in loco",efetuada para apurar o suposto descumprimento da liminar substitutiva concedida nos autos do Agravo de Instrumento nº 29.360/Pb, interposto em face do indeferimento da liminar na Ação Civil Pública nº 99.4848-2 apensa. Trasladada para os autos o Termo de Audiência e segunda e terceira inspeção "in loco"(fls. 547/558 e 740/751, respectivamente). Designada audiência de instrução e julgamento que se realizou nos dias 02 e 03 de fevereiro de 2005, conforme termos de fls. 563/625. Aberto prazo para alegações finais, fl. 813. a) a União Federal, às fls. 759/762, pugnando, ao final, pela procedência do pedido; c) o Ministério Público Federal e a FUNAI, em alegações conjuntas, às fls. 847/862, pedem a procedência da demanda; b) os réus Francisco da Costa Medeiros, Elizabeth do ó Lemos, José Veras de Almeida Júnior, Elnize Dantas Veras, José Fernandes de Lima Filho, Lúcia Helena Mulatinho Fernandes, Leonardo de Melo Borges, Newton Luiz de Araújo Lima, Aluízio Nunes de Lucena, Zeide de Oliveira Pontual, e seus filhos representados ou assistidos, ou ainda na qualidade de terceiros interessados, Pétala de Oliveira Pontual, Ubirá Pontual de Sousa, Paulo Vamberto Patrício de Aquino, Josefa Ângela Pontes de Aquino, George Gonçalves Ramos, Sandra Pereira de Oliveira, Niedja de Almeida Brito, Severino Nunes de Lucena, Chintia Denize Silva Cordeiro de Lucena, José Luciano Pessoa de Paiva, Giselle Dantas de Lucena, Silvano Soares de Carvalho, Maria Jose Lima de Carvalho, Genise Dória de Lucena Veras, Lincoln Barros Veras, Cristiano Henrique Lyra de Almeida, Gilza Joana Ferreira Lyra, Dominiques Jacques Henri Marc Toupin, Maria Aguiar D'amorim, Maurício da Silva Costa, Ricardo Linhares Moura Monteiro, Newton Eudes Tavares, Gilberto Dória de Lucena, Roseane das Graças de Araújo Lima, Hebert de Miranda Henriques Filho, Ivanilton Lins Modesto, Carla Franca Modesto, Newton Soares de Oliveira, José Maranhão Silva, Rubem Gláucio de Medeiros Brandão, Thereza Helena Gabínio Borges Chagas, Domingos Chagas Neto, Girlan Dória de Lucena, Jóse Ferreira Filho, Luiz Severiano da Nóbrega e Outros, às fls. (782/792), nesta e noutras ações conexas, pugnaram pela improcedência da demanda. Após a manifestação dos autores sobre a documentação apresentada às fls. 814/818, vieram-me os autos conclusos. Relatados, no essencial. Passo a decidir. F U N D A M E N T A Ç Ã O A demanda objetiva a retirada dos não índios da Praia de Coqueirinho, encravada na Terra Indígena Potiguara, declarada como tal pelo Decreto nº 89.256, de 28 de dezembro de 1983, cuja demarcação administrativa foi homologada pelo Decreto nº 267, de 29 de outubro de 1991, devidamente registrada no Cartório Imobiliário da Comarca de Rio Tinto, matriculas número 900 (Município de Rio Tinto) e 901 (Município de Baía da Traição), além de estar registrada como Próprio Nacional na Secretaria do Patrimônio da União sob o nº 02/1995, conforme comprovam os documentos de fls. 26/33, determinando, ainda, a perda de toda e qualquer construção edificada na área para os índios da região. Aprecio, primeiramente, a preliminar de impropriedade da via eleita, argüida pelo réu Paulo Vanberto Patrício de Aquino e outros defendidos pelos Advogados Carlos Pessoa Dantas Freire e Agnes Pauli Pontes de Aquino, em seguida, as demais questões de mérito. A modalidade de processo e de provimento escolhida pelos autores é adequada e útil para obter a tutela da situação material descrita na petição inicial, e não há vedação legal ao pedido. Some-se a isso, o fato de que a legitimidade do Ministério Público Federal para propor a presente ação é conferida pela Constituição Federal, em seu art. 129 V, que dispõe expressamente que lhe compete "defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas". Preliminar de escolha do procedimento incompatível com a natureza da causa rejeitada. No que tange ao chamamento do Município de Marcação, dos herdeiros de Francisco Januário Marques e da Holanda Imobiliária Ltda. não se mostra juridicamente possível, em face da violação que esse procedimento ocasionaria ao disposto no art. 2621 do CPC. Portanto, indefiro o pedido. Quando à questão da inconstitucionalidade do Decreto Presidencial nº 89.256, publicado no Diário Oficial da União de 29 de dezembro de 1983, que declarou a área como Terra Indígena Potiguara, considerado o cerceamento do direito de defesa, em face do alegado caráter necessário da convocação de todos os interessados, à luz do inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, bem como a inexistência de posse imemorial dos índios na área em apreço, dizem respeito, na verdade, ao mérito. Mas tais questionamentos já foram superados, em face da ocorrência de prescrição do fundo do direito, tendo em vista que, desde a data da declaração de ocupação indígena até a propositura das contestações, transcorreram muito mais de 5 (cinco) anos, de acordo com o art. 1º2 do Decreto-lei nº 20.910/32. Além disso, somente quem lá se encontrava, naquela oportunidade, na posse ou no domínio, tinha condições de se insurgir contra o referido decreto, diferentemente do mero ocupante ou invasor e aqueles que invadiram a área após o Decreto Presidencial, aos quais não assiste direito algum. Como se não bastasse, a existência de domínio é insuscetível de produzir efeito jurídico válido, e mesmo que houvesse título anterior de propriedade conferido a terceiro, não está ele imune de ser desapossado da reserva indígena, cabendo-lhe tão-somente pleitear eventual indenização, quanto às benfeitorias de boa-fé, uma vez que as questões relativas às terras ocupadas pelos índios só podem ser dirimidas à luz da Constituição Federal, no art. 231, caput, §§ 1º, 2º ,4º e 6º, in verbis: Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 4º - As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé (g.n.). Conforme visto, a norma não só reconhece aos índios o direito originário sobre a terra que tradicionalmente ocupam, como decreta nulos os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse dessas terras. Por outro lado, o Decreto nº 89.256/83 foi expedido sob a égide da Constituição Federal de 1967, com redação que lhe foi conferida pela Emenda nº 01/69, que dispunha em seu art. 198, caput, e parágrafos: "Art. 198. As terras habitadas pelos silvícolas são inalienáveis nos termos em que a lei federal determinar, a eles cabendo a sua posse permanente e ficando reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades nela existentes. §1º.São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para as suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. §2º.As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se à sua posse permanente, cabendo-lhe o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. [...[ §4º.As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis" (g.n.). O aludido decreto nada mais fez do que reconhecer uma situação preexistente, qual seja, a de que a área de terras, nos Municípios de Baia da Traição e Rio Tinto, encontrava-se na posse permanente dos Índios Potiguaras, deixando clara a vedação de ocupação de tal área por particulares. No que pertine às construções erguidas pelos réus, verifico que são encontradas entre os marcos 900 e 1000, de seguintes coordenadas geográficas e seguimento: "... até o marco M-900 de coordenadas geográficas 06º42 '06",829 S e 34º56 '05",321 Wgr. Situado na Praia da Trincheira; daí segue acompanhado a orla marítima com distância 7.442,64m, até o Marco M-1000"de coordenadas geográficas 06º45 '10", 464 S e 34º56 '24", 432 Wgr, situado na foz do Rio Estiva, margem esquerda"(g.n.). É incontroverso nos autos que os réus ocupam ilegalmente terras de posse permanente e exclusiva da Comunidade Indígena Potiguara, conforme ilustra a plotagem das construções, encartada à fl. 38, a qual abrange a área da Praia de Coqueirinho, estando caracterizada, portanto, como terra tradicionalmente ocupada pelos índios para efeito de incidência do art. 231, caput e § 6º da atual Constituição Federal. É fato notório que as terras declaradas de ocupação dos silvícolas não podem ser ocupadas pelos réus, na medida em que a posse permanente e o usufruto exclusivo dos índios excluem a posse ou ocupação não-índia. Sem maiores aprofundamentos doutrinários, a meu viso, os réus não possuem o direito que pretendem ver reconhecido, qual seja, de permanecerem na área tradicionalmente ocupadas pelos indígenas da região, cuja posse, além de ilegítima, é de má-fé, sabendo trata-se de bem inalienável, indisponível e insuscetível de prescrição aquisitiva, significando dizer que não pode ser apropriado pelo particular, posto pertencer ao patrimônio da União Federal por disposição constitucional. Para bem esclarecer como funcionava o sistema de aquisição dos terrenos para construção das casas dos veranistas, extraí do depoimento da testemunhas Maria Jose da Silva (fls. 602/611), de 80 anos, não índia, residente em coqueirinho, a seguintes ilações: "...perguntada se os ex-caciques Elias, Manoel Caboclo, pai do atual cacique Robson, General, Cara Peba, Loiça, Edson, Heleno, fizeram doações de terrenos ou os venderam, respondeu que eles venderam terrenos e também os trocaram por televisores, cimento, telhas, tijolos, móveis, geladeira, fogões etc. Que os ditos caciques acima nominados trabalharam na construção das residências dos posseiros de Coqueirinho,; que "Cara Peba"é pedreiro e construiu casas em coqueirinho; que se fala que as casas de Coqueirinho vão ser ocupadas pelo indígenas da Aldeia da Funai, de nome "Forte; que não sabe informar se a Funai já fez a relação das casas e do indígenas que vão ocupar as casas de coqueirinho; que nenhum dos posseiros invadiu qualquer área de coqueirinho, pois todos os terrenos foram vendidos ou trocados pelos nativos, com acima foi dito, que foram os próprios vendedores acima nominados que indicavam os locais para os posseiros edificarem as casas,; que era do conhecimento dos residentes em Camurupim e no Forte de que as pessoas acima nominadas vendiam terrenos lá em Coqueirinho aos hoje possuidores e réus desta ação;..." A Testemunha João Soriano da Silva, conhecido como "Seu Bão" quando prestou seu depoimento disse: "...que é verdade que algumas casas de Coqueirinho foram construídas e outras compradas dos habitantes de Coqueirinho, e a venda foi feita pelos cablocos que 'se danavam no meio do mundo" e depois voltavam querendo o imóvel de volta; que o ex-cacique "Elias" e o habitante "Pagão"ajudaram na construção de e também venderam casas; que "Cara Peba"também vendeu casas e trabalhou na construção de casas...; (fl. 617). O próprio JÁRIO JANUÁRIO MARQUES, herdeiro de Francisco Januário Marques, que, por sua vez, era o titular do domínio da área em questão, desde o ano de 1921, afirmou que "sempre soube a terra de Coqueirinho é da União". E mais: "[...] à suas reperguntas foi dito que seu pai lhe dizia que suas terras não poderiam ser adquiridas, mas tão somente as benfeitorias feitas na terra, e dito fato comentado pelo pai dele data de antes de 1921, pois o pai dele vinha adquirindo coqueiral plantado por outros moradores; que repete que a terra é da União, pois não poderia adquirir a propriedade dela[...]" - fl. 597 (grifei). Com efeito, o Termo de Doação de um terreno medindo 12x30 para edificação do imóvel do réu Antonio Trigueiro Alves e s/mulher Maria do Carmo Lima Alves, subscrito pelo Cacique Elias Soares da Silva, coincide com o relato das testemunhas (fl. 178 dos autos da ACP nº 99.4848-2, apensa). De igual modo, a escritura pública de doação lavrada em favor do Guilherme Victor Machado Cordeiro, que posteriormente vendeu à ré Maria Célia de Lima Araújo, firmada pelo Cacique Djalma Domingos da Silva (fls. 269/272 dos autos da ACP nº 99.4848-2, apensa). Não acolho a tese das defesas de que os réus agiram de boa-fé, porque estou convencida de que eles tinham conhecimento da ilicitude de seus atos. Isso porque os promovidos sabiam que estavam usando, gozando e usufruindo indevidamente da coisa alheia, sendo ainda mais grave quando o uso, gozo e fruição é de área afetada para fins específicos de proteção jurídica, social, antropológica, econômica e cultural da Comunidade Indígena Potiguara, desautorizados para tanto, sem o recolhimento de qualquer quantia aos cofres do verdadeiro titular do domínio, in casu, a União Federal. Em assim procedendo, agiram de má-fé - pois, de pronto, não ignoravam a existência de vício que torna a posse deles ilegítima. Os caciques, na verdade, não são proprietários, mas apenas usufrutuários da terra e, por isso, qualquer alienação por parte dos silvícolas é nula, nos termos dos dispositivos constitucionais acima reproduzidos. Em conseqüência, não assiste aos particulares direito a qualquer indenização, pois é de todo sabido que tal direito somente é conferido ao possuidor de boa-fé e, no caso em apreço, a má-fé exsurge do próprio modo de aquisição dos lotes de terreno, quando existente dispositivo constitucional e legal vedando esse tipo de avença. Diante desse quadro, não há como considerar os promovidos possuidores de boa-fé, ao reverso, a má-fé decorre claramente da disposição de violar a Constituição e a lei, pelo que é descabida a pretensão ao reconhecimento do direito à indenização em razão das casas para veraneio edificadas na área indígena, as quais não se confundem com benfeitorias necessárias, nos termos do art. 63, § 3º, do Código Civil anterior, as únicas a que faz jus o possuidor de má-fé. Benfeitorias necessárias são obras ou despesas efetuadas na coisa para conservá-la ou evitar que se deteriore; acessões, por sua vez, são obras que criam coisas novas, diferentes, que vêm aderir à coisa anteriormente existente, razão pelas quais obedecem regras próprias. Destarte, no momento em que os promovidos adquiriram terrenos diretamente dos índios, para construção de suas casas, mediante compra e venda, troca ou "doação", sabedores da ilicitude, pois a ninguém é dado alegar desconhecimento da lei, conseqüentemente agiram de má-fé, daí porque não lhes é dado o direito de indenização em face das acessões, posto que tudo aquilo construído no local atende exclusivamente à sua conveniência ou necessidade e não a da União, que nada aproveita ao recuperar a posse da área, tendo inteira aplicação o disposto no art. 547 do Código Civil, em vigor à época da propositura desta ação, in verbis: "Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções, mas tem direito à indenização. Não o terá, porém, se procedeu de má-fé, caso em que poderá ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos". A propósito, veja-se a lição de Silvio Rodrigues: "Se, entretanto, procedeu de má fé, sabendo que o terreno era de outrem, a reação da lei é bastante severa: o plantador ou construtor não apenas perderá o direito à indenização, como pode ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos que houver causado". (Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, pág. 99). Nesse mesmo diapasão é também o ensinamento de Washington de Barros Monteiro, ao realçar que: "Vale dizer, se um construtor, por exemplo, edifica em terreno que supõe seu, age de boa fé e tem direito ao ressarcimento das acessões, embora as percas de modo automático. Desaparece, todavia, tal direito, se se comprova sua má fé, caso em pode até ser compelido a repor as coisas no estado anterior, pagando os prejuízos". (Curso de Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, 31ª ed. pág. 121). Ainda, na mesma esteira de entendimento ensina Clovis Beviláqua: "Conceder indenização ao que procedeu de má-fé seria fomentar a falta de escrúpulo e constranger o proprietário a despesas, que não desejaria fazer. Não é do lado do que anda de má-fé que se deve colocar o direito; sua função é proteger a atividade humana orientada pela moral ou, pelo menos, a ela não oposta". (Código Civil Comentado, vol. III/88, Livraria Franciso Alves, ed. 1953) No caso em tela, os réus adquiriram os terrenos por intermédio dos índios da região, como está comprovado nos autos, de acordo com os depoimentos das testemunhas; nele construíram casas destinadas a veraneio, agregando tudo à terra, e isso não pode ser considerado como conservação da coisa ou como impedimento a deteriorização da área indevidamente apossada, em desfavor da posse imemorial dos índios que tradicionalmente a ocupam, literalmente inviabilizando a aplicação do citado dispositivo constitucional, para efeito de usufruto exclusivo. Portanto, não há qualquer dúvida quanto à tese jurídica e à conseqüente existência do direito, em concreto. Contudo, há de se ter em conta a existência de moradores tradicionais dentro da localidade Coqueirinho, com aquiescência da população indígena, a exemplo da Srª. Maria José da Silva e o Sr. João Soriano da Silva, conhecido por "Bão", ambos com mais de 80 (oitenta) anos de idade, os quais não deverão ser atingidos pela sentença, ora proferida. Desta feita, os moradores tradicionais fazem jus ao usufruto da respectiva moradia, que se extinguirá com a morte, sem o direito de transmiti-lo aos seus sucessores, ficando a cargo da FUNAI o levantamento cadastral e ocupacional das pessoas não índias, nem tampouco veranistas, mas que se encontram dentro dos limites da Terra Indígena Potiguara há muito tempo, a fim que de que seja garantido o direito reconhecido neste ato, bem como a fiscalização quanto à extinção da situação excepcional delas. Verifico, por fim, que os autores, nas alegações finais, formularam pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Ante os fundamentos acima expostos, nada obsta a concessão da antecipação dos efeitos da tutela de mérito nesta ocasião, onde a decisão não mais se reveste de um juízo de mera verossimilhança, mas de cognição plena e exauriente. Ora, se é dado ao magistrado antecipar os efeitos da tutela de mérito pretendida através de decisão interlocutória, até mesmo antes da citação, através de cognição meramente sumária, com maior razão se faz presente a possibilidade de antecipar esses mesmos efeitos quando da prolação da sentença, eis que é a própria tutela de mérito que está sendo concedida. Não faria sentido permitir-se a "antecipação" dos efeitos da tutela de mérito, antes mesmo desta (a tutela de mérito) ser concedida, ainda no início do processo, e não admitir tal antecipação justamente quando da sentença final concessiva da tutela pretendida. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL. DESCABIMENTO COMO SUCEDÂNEO DO RECURSO PRÓPRIO. TUTELA ANTECIPADA. CONCESSÃO QUANDO DA SENTENÇA. CABIMENTO. PRECEDENTES (V.G. RR.MM.SS. 1.167-BA, 6.012-SP E 6.693-SP). DOUTRINA. RECURSO PROVIDO. I - No sistema anterior à Lei nº 9.139/95, descabia, exceto em casos de abuso ou manifesta teratologia, a pretensão de atacar diretamente a decisão judicial pela via do writ, uma vez que o mandado de segurança contra ato judicial recorrível vinha sendo admitido, por construção doutrinário-jurisprudencial, para comunicar efeito suspensivo ao recurso dele desprovido, em face da probabilidade de lesão dificilmente reparável. Com a referida lei, que deu nova redação ao art. 558, CPC, outra é a sistemática. II - Nos termos do enunciado nº. 267 da súmula/STF, reforçado após a Lei nº 9.139/95, que deu nova redação ao art. 558, CPC, "não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição". III - De acordo com precedente da Turma, e boa doutrina, a tutela antecipada pode ser concedida com a sentença" (RESP 299433/RJ ; Fonte DJ DATA:04/02/2002 PG:00381, Relator Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Data da Decisão 09/10/2001, Órgão Julgador T4 - QUARTA TURMA). No caso dos autos, além de presentes os fundamentos de mérito autorizadores da concessão, haja vista o reconhecimento do próprio direito vindicado, presente também a necessidade de se evitar mais danos à posse permanente das terras que tradicionalmente ocupam os índios da região, notadamente porque a área onde se encontra as construções edificadas pelos réus há muito já deveria ser utilizadas exclusivamente pela Comunidade Indígena Potiguara. Inafastável, ademais, é a aplicação do art. 71 do Decreto-lei nº 9.760/46, que dispõe: "O ocupante de imóvel da União, sem assentimento desta, poderá ser sumariamente despejado e perderá, sem direito a qualquer indenização, tudo quanto haja incorporado ao solo, ficando ainda sujeito ao disposto nos arts. 513, 515 e 517 do Código Civil'. Note-se que o fato de a sentença estar sujeita ao duplo grau de jurisdição não constitui óbice à concessão dos efeitos da tutela por ocasião da sentença, pois, mesmo nos feitos submetidos à condição do duplo grau obrigatório, a antecipação pode ocorrer por intermédio de decisão interlocutória. D I S P O S I T I V O Isso posto, julgo procedente o pedido, com resolução do mérito, para: a) determinar aos réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros não índios que se retirem da área da Terra Indígena Potiguara, a exceção dos moradores tradicionais da área, os quais serão objeto de levantamento cadastral e ocupacional por parte da FUNAI, além da fiscalização quanto à extinção da excepcional situação deles, conforme os fundamentos acima adotados (pág. 16, parágrafos 1º e 2º). b) Condenar os réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros, a se abster de promover invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações, permutas e transferência de posse; c) condenar os réus na perda de toda e qualquer casa edificada na Praia de Coqueirinho em favor da União, para usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, com todas as característica existentes. Antecipo os efeitos desta sentença, para determinar a imediata retirada dos réus, não índios, da área da Terra Indígena Potiguara (Praia de Coqueirinho), ressalvado os direitos dos moradores tradicionais, parcialmente garantidos no item "a"acima. A obrigação de fazer deverá ser satisfeita no prazo de 60 (sessenta dias), contados da data da intimação desta sentença, dentro do qual deverão ser retirados os pertences e utensílios domésticos dos réus, às suas expensas, sob pena de multa diária de R$ 100,00 (cem reais), em caso de descumprimento. Condeno, ainda, os réus ao pagamento de honorários advocatícios fixados em R$ 300,00 (trezentos reais) para cada um, a serem monetariamente corrigidos a partir da presente data. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 16 de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 1 Art. 262. O processo Civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial. 2 Art. 1º As dívidas da União, Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 (cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. ?? ?? ?? ?? 1 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 07/Processo nº 99.0004971-3 17 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO

   

0009838-34.1997.4.05.8200 INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZACAO E REFORMA AGRARIA - INCRA (Adv. RIDALVO MACHADO DE ARRUDA) x ALCILENE VIEIRA DE AZEVEDO BEZERRA E OUTRO (Adv. PAULO ALESSANDRO SILVA CAVALCANTI)

1. Recebo o recurso de apelação interposto pelo INCRA às fls. 773/788, em seus efeitos suspensivo e devolutivo. 2. Intimem-se os expropriados para, querendo, no prazo legal, apresentarem contra-razões ao sobredito recurso, bem assim instruírem o pedido de levantamento do quantum da indenização já depositado, fls. 761/762, com as certidões alusivas aos tributos e multas incidentes sobre o imóvel, exigíveis até a data da imissão na posse pela expropriante. 3. Após, dê-se vista ao Ministério Público Federal sobre a sentença prolatada às fls. 724/756, bem como sobre o pedido formulado pelos expropriados às fls. 761/762. 4. Em seguida, voltem-me conclusos, observando-se a preferência legal.

   

AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE

   

0007843-73.2003.4.05.8200 DESTILARIA MIRIRI S/A (Adv. MARIA MADALENA LIANZA DA FRANCA, CARLOS ROGERIO MARINHO DIAS, PAULO ROBERTO TAVARES DA SILVA) x WALDEMAR PAULO RIBEIRO E OUTROS (Adv. SEM ADVOGADO) x FUNDACAO NACIONAL DO INDIO - FUNAI (Adv. EDMUNDO BARBOSA DE CARVALHO) x MINISTERIO PUBLICO FEDERAL (ASSISTENTE) (Adv. SEM PROCURADOR)

Em obediência ao provimento nº 002, de 30 de novembro de 2000, da Egrégia Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, artigo 3º, item 06, abro vista à parte autora sobre a(s) petição(ões) e documentos apresentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS (fls.882/889), para pronunciamento no prazo de 05(cinco) dias. João Pessoa, 09/06/2008. RITA DE CÁSSIA MONTEIRO FERREIRA Diretora de Secretaria da 3ª Vara

   

AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO)

   

0002027-18.2000.4.05.8200 SINDICATO DOS TRABALHADORES EM SERVICO PUBLICO FEDERAL NO ESTADO DA PARAIBA -SINTSERF/PB (Adv. ITAMAR GOUVEIA DA SILVA) x UNIAO (DRT) (Adv. BENEDITO HONORIO DA SILVA)

Diante do silêncio do Sindicato-autor, encaminhem-se os autos ao arquivo juntamente com as fichas financeiras mencionadas na certidão de fl. 141, após a devida baixa na distribuição, facultando-se o seu desarquivamento antes de consumado o prazo prescricional. P.

   

0002563-19.2006.4.05.8200 MARITÂNIA FERREIRA DA SILVA (Adv. JANIO LUIS DE FREITAS, ALBERTO LOPES DE BRITO) x UNIAO (MINISTÉRIO DA DEFESA - EXÉRCITO BRASILEIRO) (Adv. SALESIA DE MEDEIROS WANDERLEY) x ANDERSON CLEITON LEITE DA SILVA RAMOS, MENOR REP. P/ SUA GENITORA LINDALVA LEITE DA SILVA (Adv. JALDELENIO REIS DE MENESES, RODRIGO LINS DE CARVALHO, GUSTAVO MAIA RESENDE LUCIO)

Cuida-se de ação ordinária promovida por Maritania Ferreira Da Silva em face da União e de Anderson Cleiton Leite da Silva Ramos, representado por sua genitora Lindalva Leite da Silva, objetivando ser incluída como pensionista do ex-militar Antônio Silva Ramos. Instadas as partes para especificarem as provas que pretendem produzir, a União e a parte autora alegaram nada terem a especificar. Todavia, o co-réu requereu a oitiva de testemunhas, bem como a juntada de prova fotográfica. Assim, designo o dia 21/08/2008 às 14:00 horas para realização de audiência de instrução e julgamento. Intimem-se as partes. FORMA DE CUMPRIMENTO 1- Remessa à publicação; 2- Remessa à União.

   

0003431-26.2008.4.05.8200 ANTONIO JERONIMO DA COSTA FILHO (Adv. CICERO RICARDO ANTAS A CORDEIRO, RIVANA CAVALCANTE VIANA CRUZ, JURANDIR PEREIRA DA SILVA) x CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (Adv. FRANCISCO EDWARD AGUIAR NETO, LUCIANA GURGEL DE AMORIM, DANIELLE VIEGAS DE MAGALHÃES)

Ação Ordinária Autor: Antonio Jerônimo da Costa Filho Ré: Caixa Econômica Federal (CEF) D E C I S Ã O Cuida-se de pedido de antecipação dos efeitos da tutela formulado por ANTONIO JERÔNIMO DA COSTA FILHO em face da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (CEF), objetivando a exibição dos extratos das contas-poupança de nºs. 0904.013.9045-6, 0904.013.13632-4, 0904.013.21583-6, 0904.013.26648-1, 0904.013.27181-7, 0904.013.33025-2, 0904.013.30251-8, 0904. 013.37141-2 e 0904.013.40171-0, a fim de analisar se foram aplicados aos depósitos os índices referentes aos meses de junho/87, janeiro/1989, abril/90, maio/90 e fevereiro /91. Sustenta que a tentativa de obter as cópias dos documentos necessários à elaboração de cálculo pertinentes à conta resultou infrutífera. Juntou procuração e documentos às fls. 18/24 e requer a gratuidade judiciária. Os autos vieram conclusos. DECIDO. Defiro a gratuidade judiciária. Almeja o suplicante, em sede de antecipação de tutela, a exibição liminar de extratos de conta-poupança relativos ao período de junho/87, janeiro/1989, abril/90, maio/90 e fevereiro/91. Ensina Humberto Thedoro Júnior, na obra Curso de Direito Processual Civil, que o processo brasileiro admite três espécies de exibição: "1) exibição incidental de documento ou coisa, que não é considerada ação cautelar, mas medida de instrução tomada no curso do processo (arts. 355 - 363 e 381-382); 2) ação cautelar de exibição, que só é admitida como preparatória de ação principal. O que caracteriza a exibição como medida cautelar é servir para evitar o risco de uma ação mal proposta ou deficientemente instruída, tal como ocorre nas antecipações de prova, de maneira geral. Com ela evita-se a surpresa ou o risco de deparar, no curso do futuro processo, com uma situação de prova impossível ou inexistente; 3) ação autônoma ou principal de exibição, que Pontes de Miranda chama de "ação exibitória principaliter", através da qual "o autor deduz em juízo a sua pretensão de direito material à exibição, sem aludir a processo anterior, presente ou futuro, que a ação de exibição suponha, a que se contacte, ou que preveja" (Editora Forense, 19ª edição, p. 479). O presente pedido de exibição de documentos enquadra-se na hipótese descrita no item 1, tendo caráter nitidamente probatório e não cautelar ou antecipatório, isto é, com finalidade própria e independente do resguardo da utilidade e eficácia de subseqüente provimento judicial noutra demanda, bem como do adiantamento da própria pretensão ou seus efeitos. Ademais, na espécie, não se vislumbra o receio de dano irreparável ou de difícil reparação, tendo em vista que os extratos solicitados somente terão alguma utilidade se a ação for julgada procedente, caso em que poderão ser requisitados, para fins de execução do julgado. ISSO POSTO, indefiro o pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Cite-se a CEF. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 11 de junho de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA Processo nº 2008.82.00.3431-6 1 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

0007467-48.2007.4.05.8200 JOSE BARBOSA DOS SANTOS E OUTROS (Adv. GERSON MOUSINHO DE BRITO, VERONICA LEITE ALBUQUERQUE DE BRITO) x FUNDACAO NACIONAL DE SAUDE - FUNASA (Adv. EMERI PACHECO MOTA)

Ação Ordinária Autores: José Barbosa dos Santos e Outros Ré: Fundação Nacional de Saúde - FUNASA S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Trata-se de ação ordinária proposta por JOSÉ BARBOSA DOS SANTOS, JOSÉ BATISTA DA COSTA, JOSÉ BATISTA SOBRINHO, JOSÉ CARLOS ENEDINO e JOSÉ MORAES FILGUEIRAS, qualificados na inicial, em face da FUNASA, objetivando a revisão do valor da indenização de campo prevista na Lei 8.216/91, c/c o pagamento das diferenças devidas desde 20/10/2005. Alegam que são servidores públicos da FUNASA, na qualidade de agentes de saúde pública, e que em face da natureza dos trabalhos executados, referente a serviços prestados e às campanhas de combate e controle de endemias em todo o território nacional, recebem a chamada "Indenização de Campo", originariamente prevista do Decreto nº. 9.632/90 e consolidada pelo art. 16 da Lei nº. 8.216/91. Expõem que de acordo com o art. 145 da Lei 8.270/91 tal vantagem será reajustada na mesma data e pelo mesmo percentual de revisão das diárias pagas aos servidores públicos civis da União. Na vigência da Lei nº. 8.270/91, o valor da diária de nível "D", paga aos ocupantes de cargos ou empregos públicos de nível médio, auxiliar ou equivalente, fixada no Anexo I do Decreto nº. 343/91, era de CR$ 19.200,00 (dezenove mil e duzentos cruzeiros). Assim, a esse tempo, o valor da Indenização Substitutiva do Pagamento de Diária correspondia a 46,87% (quarenta e seis vírgula oitenta e sete por cento) do valor de uma diária. Acontece que o Decreto nº. 1.656, de 03.10.95 fixou o valor da diária de nível "D" em R$ 57,28 (cinqüenta e sete reais e vinte e oito centavos) e o valor da indenização em R$ 17,46 (dezessete reais e quarenta e seis centavos), contrariando o disposto no artigo 15, da Lei nº 8.270, que previa reajuste da indenização em 46,87%. Por força da Portaria nº 406, de 02 de outubro de 2002, o valor da indenização foi corrigido, restaurando-se, assim, o percentual previsto na Lei 8.270/91. Todavia, o Poder Executivo editou o Decreto 5.554/2005, de modo a burlar o percentual estabelecido para o valor da indenização previsto na Lei 8.270/91, que a contar de 20.10.2005 passou a representar apenas 31,25% (trinta e um vírgula vinte e cinco por cento) da diária paga. Pedem, por fim, o pagamento das diferenças entre o valor de R$ 26,85 (vinte e seis reais e oitenta e cinco centavos) efetivamente pago a contar de 20.10.2005, e a quantia de R$ 40,27 (quarenta reais e vinte e sete centavos), correspondente ao montante efetivamente devido a título de indenização de campo a partir da mencionada data, acrescidas de juros de mora e correção monetária. Também pedem seja a ré condenada a implantar o valor correto da citada indenização nos contracheques dos suplicantes. Juntam procuração e documentos às fls. 08/30. Gratuidade judiciária deferida (fl. 37). Devidamente citada, a FUNASA apresentou contestação (fls. 38/52), alegando, preliminarmente, a carência da ação, por falta de interesse processual, impossibilidade jurídica do pedido e superveniente falta de interesse processual pela perda do objeto; e a prescrição das parcelas anteriores ao qüinqüídio antecedente ao ajuizamento da ação. Pugnando, no mérito, pela improcedência da ação. Impugnação a contestação às fls. 55/60. Documentos juntados pela parte autora, às fls. 64/65. Os autos vieram-me conclusos. É o relatório. Decido. F U N D A M E N T A Ç Ã O Preliminares: Falta de Interesse Processual e Impossibilidade Jurídica do Pedido A FUNASA alega que a parte autora busca com a presente demanda, por via transversa, o aumento de sua remuneração, ato reservado à iniciativa de lei da competência privativa do Presidente da República, e que a eventual procedência da ação implicará flagrante violação ao princípio constitucional da separação dos Poderes. Não merecem prosperar as preliminares suscitadas. A pretensão dos autores se figura entre aquelas passíveis de deferimento pelo Poder Judiciário, que age sobre o manto do pórtico fundamental da inafastabilidade da jurisdição previsto no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, porque o caso dos autos não versa sobre a majoração de vencimentos de servidores públicos, o que, decerto, estaria ao arrepio da Súmula 339 do STF, mas tão somente sobre a imposição ao Poder Executivo do cumprimento de um comando normativo previamente emanado do Poder Legislativo, na busca da revisão de uma vantagem concedida ilegalmente a menor, ao arrepio da lei. Superveniente Falta de Interesse Processual pela Perda do Objeto Tampouco é procedente a preliminar de falta superveniente de interesse processual, porquanto os suplicantes buscam a revisão das indenizações de campo que não foram devidamente reajustadas quando da edição do Decreto nº. 5.554/2005, fato que gerou nova situação de irregularidade, não estando em questão a Portaria nº. 406, de 02/10/2002. Prejudicial: Prescrição Por primeiro, convém observar que a prescrição qüinqüenal instituída no Decreto nº. 20.910/1932 atinge apenas as prestações vencidas antes do qüinqüênio anterior à propositura da ação, quando o direito pleiteado não tiver sido negado, segundo entendimento esposado na Súmula nº. 85 do STJ. A hipótese em disceptação se enquadra perfeitamente na situação vez que a matéria versa sobre relação jurídica de trato sucessivo em que não houve a negação do direito pleiteado. No entanto, trata-se de ação cujo objeto é a implantação do valor correto da Indenização de Campo e o pagamento das diferenças devidas desde 20/10/2005, como a data da propositura da ação é 31/07/2007, não estão prescritas quaisquer das parcelas pretendidas. Mérito Tratando-se de questão de mérito unicamente de direito e, assim, não havendo necessidade de produção de prova em audiência, passo ao julgamento antecipado da lide, nos termos do art. 330, inciso I, do CPC. Pretendem os autores a implantação do valor correto da Indenização de Campo, bem assim, as diferenças devidas a título dessa vantagem a contar de 20.10.2005. A Lei nº 8.216/91, em seu artigo 16, prevê o pagamento de indenização aos servidores que se afastarem do local de trabalho, sem direito à percepção diárias, para realizarem trabalhos de campo, in verbis: "(...) Art. 16. Será concedida, nos termos do regulamento, indenização de Cr$4.200,00 (quatro mil e duzentos cruzeiros) por dia, aos servidores que se afastarem do seu local de trabalho, sem direito à percepção de diária, para execução de trabalhos de campo, tais como os de campanhas de combate e controle de endemias; marcação, inspeção e manutenção de marcos decisórios; topografia, pesquisa, saneamento básico, inspeção e fiscalização de fronteiras internacionais. Parágrafo único. É vedado o recebimento cumulativo da indenização objeto do caput deste artigo com a percepção de diárias. (...)" Posteriormente, o artigo 15, da Lei nº 8.270/91, determinou que a referida indenização deveria ser reajustada na mesma data e percentual da revisão dos valores das diárias (no valor correspondente a 46,87% do valor da diária de nível "D"): "(...) Art. 15. A indenização criada pelo art. 16 da Lei n° 8.216, de 1991, é fixada em nove mil cruzeiros e será reajustada pelo Poder Executivo na mesma data e percentual de revisão dos valores de diárias. (...)" Ocorre que, os diversos diplomas legais que reajustaram as diárias e as indenizações de campo não observaram a regra do art. 15 da Lei 8.270/91, conforme se verifica do art. 3º do Decreto nº 3.643/2000, que estabelece o valor das diárias dos servidores públicos civis da União em R$ 57,28 (cinqüenta e sete reais e vinte e oito centavos) e o valor indenização de que trata o art. 16 da Lei nº 8.216/91, alterado pelo art. 15 da Lei nº 8.270/9, em 17,46 (dezessete reais e quarenta e seis centavos), que corresponde a 30,48% do valor das diárias. Da mesma forma se deu com o Decreto nº. 5.554/2005, alterado pelo Decreto nº. 6.258/2007, que atribuiu à Indenização de Campo o valor fixo de R$ 28,85 (vinte e oito reais e oitenta e cinco centavos), e para as diárias do grupo "D" - diária de referência - o valor de R$ 57,28 (cinqüenta e sete reais e vinte e oito centavos), acrescido da importância de 50% (cinqüenta por cento) quando ocorrer deslocamento1. Ora, a diária, conforme estabelece o art. 58 da Lei 8.112/902, constitui um tipo de indenização devida ao servidor que, para realização do serviço, se afasta de sua sede, ou seja, a concessão de diária só é possível se houver o deslocamento do servidor, implica inexoravelmente em mudar de lugar, mover-se para outro ponto do território nacional ou exterior, o "deslocar-se" é a causa para que seja deferida a indenização. Destarte, o decreto, por via indireta, atribuiu às diárias do grupo "D" um valor de R$ 57,28 (cinqüenta e sete reais e vinte e oito centavos) acrescido da importância de no mínimo 50% (cinqüenta por cento), porquanto toda diária implicará no deslocamento, totalizando o montante de R$ 85,92 (oitenta e cinco reais e noventa e dois centavos). Para se manter a paridade ditada pela Lei 8.270/91 - no valor correspondente a 46,87% do valor da diária de nível "D"- a indenização de campo deveria ter sido fixada em R$ 40,27 (quarenta reais e vinte e sete centavos). Observa-se, então, que, embora estivesse prevista em lei a paridade entre o valor da indenização e o da diária, a elevação da quantia estipulada para as diárias foi, dissimuladamente, superior àquela concedida para a indenização. É cediço que os Decretos por serem norma de hierarquia inferior e de cunho meramente complementar, não têm o condão de alterar as disposições de lei, devendo observar estritamente os comandos legais quando editados a pretexto de complementar as leis. A lei é clara ao determinar que a indenização deveria ser reajustada na mesma data e mesmo percentual da revisão dos valores das diárias, ou seja, em 46,87% (quarenta e seis vírgula oitenta e sete por cento). Assim, é indene de dúvidas que os valores das indenizações de campo, devidas aos autores, devem ser reajustadas no mesmo percentual de revisão dos valores das diárias dos servidores públicos civis da União, mantendo-se em 46,87% a proporção diárias/indenização de campo. Nesse sentido, recentes decisões dos Tribunais Regionais Federais da 1ª e 5ª Região: "Ementa ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO DA FUNASA. INDENIZAÇÃO DE CAMPO (ART. 16 DA LEI 8.216/91). REAJUSTE PELO PODER EXECUTIVO NA MESMA DATA E PERCENTUAL DE REVISÃO DOS VALORES DE DIÁRIAS (ART. 15 DA LEI 8.270/91). DECRETO 1.656/95: NOVOS VALORES ÀS DIÁRIAS. PEDIDO PARCIALMENTE PROCEDENTE. DIREITO ÀS DIFERENÇAS. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDAS: JUROS MORATÓRIOS. 1. A FUNASA é parte legítima para figurar no pólo passivo de ações que versem sobre questões relativas aos servidores pertencentes ao seu quadro, uma vez que possui personalidade jurídica e patrimônio próprios. Preliminar rejeitada. 2. Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora, quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as prestações vencidas antes do qüinqüênio anterior à propositura da ação. Prescrição do fundo do direito rejeitada. 3. A indenização criada pelo art. 16 da Lei 8.216/91 (indenização de campo) deve ser reajustada pelo Poder Executivo na mesma data e percentual de revisão dos valores de diárias (Lei 8.270/91, art. 15). 4. Esta previsão resulta na garantia de que a indenização deve sempre corresponder ao valor de 46,87% das diárias, tendo em vista que esta proporção permanece inalterada, independentemente do percentual de reajuste aplicado nas diárias (Precedente do STJ). 5. A teor do artigo 4º da Medida Provisória 2.180-35, de 24 de agosto de 2001, os juros de mora nas condenações impostas à Fazenda Pública para pagamento de verbas remuneratórias devidas a servidores e empregados públicos, não poderão ultrapassar o percentual de 6% (seis por cento) ao ano. 6. Apelação e remessa oficial a que se dá parcial provimento." (Acórdão Origem: TRF1 AC 200338000209629 UF: MG Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Data da decisão: 27/2/2008 Documento: TRF100270769 Fonte e-DJF1 DATA: 15/4/2008 PAGINA: 61) "Ementa ADMINISTRATIVO. SERVIDOR. PAGAMENTO DAS PARCELAS. INDENIZAÇÃO. ART. 16 DA LEI Nº 8.216/91 E ART. 15 DA LEI Nº 8.270/91. DIFERENÇA ENTRE O PERCENTUAL DE 46,87% E O DE 30,48%. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. O Decreto nº 1.656, de 03 de outubro de 1995, não obedeceu aos ditames do art. 15, da Lei nº 8.270 de 1991, ao fixar os novos valores para as diárias e a indenização de campo. Tal dispositivo normativo não atendeu à correspondência entre o percentual da diária e o da referida indenização, em clara afronta ao referido artigo, situação corroborada pelos Decretos nºs 3.643/2000 e 5.554/2005. 2. Hipótese em que a própria Administração discorre acerca da Portaria nº 406, de 02.10.2002 (efeitos financeiros vigentes a partir de agosto de 2002), que reajustou o valor da indenização de que trata o art. 16, da Lei nº 8.216/91, para R$ 26,85 (vinte e seis reais e oitenta e cinco centavos). Plausibilidade da pretensão posta a lume. 3. Redução dos juros de mora para 0,5% (meio por cento) ao mês -art. 1º - F, da Lei nº 9.494/97, a partir da citação, e dos honorários advocatícios para 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação. Apelação improvida e Remessa Oficial provida, em parte." (Acórdão - TRF5 AC 334414 PB, Rel Des Fed Geraldo Apoliano, DJU 08.08.2007) D I S P O S I T I V O Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, resolvendo o mérito nos termos do art. 269, I, do CPC, para determinar à ré: 1) a implantar nos contracheques dos autores a indenização de campo, prevista no artigo 16 da Lei 8.216/91 e no artigo 15 da 8.270/91, no valor de R$ 40,27 (quarenta reais e vinte e sete centavos); 2) o pagamento das parcelas da indenização, desde 20/10/2005 até a data da sua efetiva implantação, relativas à diferença entre o valor de R$ 40,27 e o que vinha sendo pago R$ 26,85 (vinte seis reais e oitenta e cinco centavos), acrescidas de juros de mora de 0,5% (meio por cento) ao mês (art. 1º.F da Lei 9.494/97), a partir da citação, e devidamente corrigidas nos moldes da legislação vigente. 3) o pagamento de honorários advocatícios que fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor das diferenças apuradas, devidamente corrigidas, atendidas as prescrições do art. 20, §4º, do CPC. Custas ex lege. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 06 de junho de 2008. Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal Titular da 3ª Vara 1 ANEXO DO DECRETO Nº 6.258, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2007. (Que revogou o DECRETO Nº 5.554, DE 4 DE OUTUBRO DE 2005.) VALOR DA INDENIZAÇÃO DE DIÁRIAS AOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO PAÍS CLASSIFICAÇÃO DO CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO VALOR DA DIÁRIA EM R$ A) Cargos de Natureza Especial, DAS-6 e CD-1; e - Presidentes, Diretores e FDS-1 do BACEN 98,86 B) DAS-5, DAS-4, DAS-3 e CD-2, CD-3 e CD-4; - FDE-1, FDE-2, FDT-1, FCA-1, FCA-2, FCA-3; - Cargos Comissionados Temporários do BACEN; - FCT1, FCT2, FCT3; e - GTS1, GTS2, GTS3. 82,47 C) DAS-2 e DAS-1; - FDO-1, FCA-4 e FCA-5 do BACEN; - Cargos de Nível Superior; e - FCT4, FCT5, FCT6, FCT7. 68,72 D) FG-1, FG-2, FG-3 e GR; - FST-1, FST-2 e FST-3 do BACEN; - Cargos de Nível Médio (BACEN), de Nível Intermediário e de Nível Auxiliar; e - FCT8, FCT9, FCT10, FCT11, FCT12, FCT13, FCT14, FCT15. 57,28 E) Indenização de que trata o art. 16 da Lei no 8.216/91, e o art. 15 da Lei no 8.270/91. 26,85 O valor da diária dos grupos "A", "B", "C" e "D" será acrescido da importância correspondente a: % LOCAIS 90 Nos deslocamentos para as cidades de Brasília-DF e Manaus-AM. 80 Nos deslocamentos para as cidades de São Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ, Recife-PE, Belo Horizonte-MG, Porto Alegre-RS, Belém-PA, Fortaleza-CE e Salvador-BA. 70 Nos deslocamentos para as demais capitais dos Estados. 50 Nos demais deslocamentos. 2 "Art. 58. O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou transitório para outro ponto do território nacional ou para o exterior, fará jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinárias com pousada, alimentação e locomoção urbana, conforme dispuser o regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10/12/97)." ?? ?? ?? ?? PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 02/Processo nº 2007.82.00.007467-0 9 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

0009222-10.2007.4.05.8200 REGINALDO DE LUNA FREIRE E OUTROS (Adv. VERONICA LEITE ALBUQUERQUE DE BRITO, GERSON MOUSINHO DE BRITO, ALEXANDRE RAMALHO PESSOA) x FUNDACAO NACIONAL DE SAUDE - FUNASA (Adv. MARIO GOMES DE LUCENA)

Ação Ordinária Autores: Reginaldo de Luna Freire e Outros Ré: Fundação Nacional de Saúde - FUNASA S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Trata-se de ação ordinária proposta por REGINALDO DE LUNA FREIRE, RICARDO JORGE NUNES ROCHA, RONALDO VIERA CAVALCANTI e VICENTE CARLOS DA SILVA, qualificados na inicial, em face da FUNASA, objetivando a revisão do valor da indenização de campo prevista na Lei 8.216/91, c/c o pagamento das diferenças devidas desde 20/10/2005. Alegam que são servidores públicos da FUNASA, na qualidade de agentes de saúde pública, e que em face da natureza dos trabalhos executados, referente a serviços prestados e às campanhas de combate e controle de endemias em todo o território nacional, recebem a chamada "Indenização de Campo", originariamente prevista do Decreto nº. 9.632/90 e consolidada pelo art. 16 da Lei nº. 8.216/91. Expõem que de acordo com o art. 145 da Lei 8.270/91 tal vantagem será reajustada na mesma data e pelo mesmo percentual de revisão das diárias pagas aos servidores públicos civis da União. Na vigência da Lei nº. 8.270/91, o valor da diária de nível "D", paga aos ocupantes de cargos ou empregos públicos de nível médio, auxiliar ou equivalente, fixada no Anexo I do Decreto nº. 343/91, era de CR$ 19.200,00 (dezenove mil e duzentos cruzeiros). Assim, a esse tempo, o valor da Indenização Substitutiva do Pagamento de Diária correspondia a 46,87% (quarenta e seis vírgula oitenta e sete por cento) do valor de uma diária. Acontece que o Decreto nº. 1.656, de 03.10.95 fixou o valor da diária de nível "D" em R$ 57,28 (cinqüenta e sete reais e vinte e oito centavos) e o valor da indenização em R$ 17,46 (dezessete reais e quarenta e seis centavos), contrariando o disposto no artigo 15, da Lei nº 8.270, que previa reajuste da indenização em 46,87%. Por força da Portaria nº 406, de 02 de outubro de 2002, o valor da indenização foi corrigido, restaurando-se, assim, o percentual previsto na Lei 8.270/91. Todavia, o Poder Executivo editou o Decreto 5.554/2005, de modo a burlar o percentual estabelecido para o valor da indenização previsto na Lei 8.270/91, que a contar de 20.10.2005 passou a representar apenas 31,25% (trinta e um vírgula vinte e cinco por cento) da diária paga. Pedem, por fim, o pagamento das diferenças entre o valor de R$ 26,85 (vinte e seis reais e oitenta e cinco centavos) efetivamente pago a contar de 20.10.2005, e a quantia de R$ 40,27 (quarenta reais e vinte e sete centavos), correspondente ao montante efetivamente devido a título de indenização de campo a partir da mencionada data, acrescidas de juros de mora e correção monetária. Também pedem seja a ré condenada a implantar o valor correto da citada indenização nos contracheques dos suplicantes. Juntam procuração e documentos às fls. 10/44. Gratuidade judiciária deferida (fl. 49). Devidamente citada, a FUNASA apresentou contestação (fls. 50/64), requerendo, a prescrição do direito dos autores e alegando, no mérito, a improcedência da ação ante a ausência de suporte legal. Impugnação a contestação às fls. 68/74. Petição de substabelecimento à fl. 72. Os autos vieram-me conclusos. É o relatório. Decido. F U N D A M E N T A Ç Ã O Prejudicial: Prescrição Por primeiro, convém observar que a prescrição qüinqüenal instituída no Decreto nº. 20.910/1932 atinge apenas as prestações vencidas antes do qüinqüênio anterior à propositura da ação, quando o direito pleiteado não tiver sido negado, segundo entendimento esposado na Súmula nº. 85 do STJ. A hipótese em disceptação se enquadra perfeitamente na situação vez que a matéria versa sobre relação jurídica de trato sucessivo em que não houve a negação do direito pleiteado. No entanto, trata-se de ação cujo objeto é a implantação do valor correto da Indenização de Campo e o pagamento das diferenças devidas desde 20/10/2005, como a data da propositura da ação é 31/07/2007, não estão prescritas quaisquer das parcelas pretendidas. Mérito Tratando-se de questão de mérito unicamente de direito e, assim, não havendo necessidade de produção de prova em audiência, passo ao julgamento antecipado da lide, nos termos do art. 330, inciso I, do CPC. Pretendem os autores a implantação do valor correto da Indenização de Campo, bem assim, as diferenças devidas a título dessa vantagem a contar de 20.10.2005. A Lei nº 8.216/91, em seu artigo 16, prevê o pagamento de indenização aos servidores que se afastarem do local de trabalho, sem direito à percepção de diárias, para realizarem trabalhos de campo, in verbis: "(...) Art. 16. Será concedida, nos termos do regulamento, indenização de Cr$4.200,00 (quatro mil e duzentos cruzeiros) por dia, aos servidores que se afastarem do seu local de trabalho, sem direito à percepção de diária, para execução de trabalhos de campo, tais como os de campanhas de combate e controle de endemias; marcação, inspeção e manutenção de marcos decisórios; topografia, pesquisa, saneamento básico, inspeção e fiscalização de fronteiras internacionais. Parágrafo único. É vedado o recebimento cumulativo da indenização objeto do caput deste artigo com a percepção de diárias. (...)" Posteriormente, o artigo 15, da Lei nº 8.270/91, determinou que a referida indenização deveria ser reajustada na mesma data e percentual da revisão dos valores das diárias (no valor correspondente a 46,87% do valor da diária de nível "D"): "(...) Art. 15. A indenização criada pelo art. 16 da Lei n° 8.216, de 1991, é fixada em nove mil cruzeiros e será reajustada pelo Poder Executivo na mesma data e percentual de revisão dos valores de diárias. (...)" Ocorre que, os diversos diplomas legais que reajustaram as diárias e as indenizações de campo não observaram a regra do art. 15 da Lei 8.270/91, conforme se verifica do art. 3º do Decreto nº 3.643/2000, que estabelece o valor das diárias dos servidores públicos civis da União em R$ 57,28 (cinqüenta e sete reais e vinte e oito centavos) e o valor indenização de que trata o art. 16 da Lei nº 8.216/91, alterado pelo art. 15 da Lei nº 8.270/9, em 17,46 (dezessete reais e quarenta e seis centavos), que corresponde a 30,48% do valor das diárias. Da mesma forma se deu com o Decreto nº. 5.554/2005, alterado pelo Decreto nº. 6.258/2007, que atribuiu à Indenização de Campo o valor fixo de R$ 28,85 (vinte e oito reais e oitenta e cinco centavos), e para as diárias do grupo "D" - diária de referência - o valor de R$ 57,28 (cinqüenta e sete reais e vinte e oito centavos), acrescido da importância de 50% (cinqüenta por cento) quando ocorrer deslocamento1. Ora, a diária, conforme estabelece o art. 58 da Lei 8.112/902, constitui um tipo de indenização devida ao servidor que, para realização do serviço, se afasta de sua sede, ou seja, a concessão de diária só é possível se houver o deslocamento do servidor, implica inexoravelmente em mudar de lugar, mover-se para outro ponto do território nacional ou exterior, o "deslocar-se" é a causa para que seja deferida a indenização. Destarte, o decreto, por via indireta, atribuiu às diárias do grupo "D" um valor de R$ 57,28 (cinqüenta e sete reais e vinte e oito centavos) acrescido da importância de no mínimo 50% (cinqüenta por cento), porquanto toda diária implicará no deslocamento, totalizando o montante de R$ 85,92 (oitenta e cinco reais e noventa e dois centavos). Para se manter a paridade ditada pela Lei 8.270/91 - no valor correspondente a 46,87% do valor da diária de nível "D"- a indenização de campo deveria ter sido fixada em R$ 40,27 (quarenta reais e vinte e sete centavos). Observa-se, então, que, embora estivesse prevista em lei a paridade entre o valor da indenização e o da diária, a elevação da quantia estipulada para as diárias foi, dissimuladamente, superior àquela concedida para a indenização. É cediço que os Decretos por serem norma de hierarquia inferior e de cunho meramente complementar, não têm o condão de alterar as disposições de lei, devendo observar estritamente os comandos legais quando editados a pretexto de complementar as leis. A lei é clara ao determinar que a indenização deveria ser reajustada na mesma data e mesmo percentual da revisão dos valores das diárias, ou seja, em 46,87% (quarenta e seis vírgula oitenta e sete por cento). Assim, é indene de dúvidas que os valores das indenizações de campo, devidas aos autores, devem ser reajustadas no mesmo percentual de revisão dos valores das diárias dos servidores públicos civis da União, mantendo-se em 46,87% a proporção diárias/indenização de campo. Nesse sentido, recentes decisões dos Tribunais Regionais Federais da 1ª e 5ª Região: "Ementa ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO DA FUNASA. INDENIZAÇÃO DE CAMPO (ART. 16 DA LEI 8.216/91). REAJUSTE PELO PODER EXECUTIVO NA MESMA DATA E PERCENTUAL DE REVISÃO DOS VALORES DE DIÁRIAS (ART. 15 DA LEI 8.270/91). DECRETO 1.656/95: NOVOS VALORES ÀS DIÁRIAS. PEDIDO PARCIALMENTE PROCEDENTE. DIREITO ÀS DIFERENÇAS. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDAS: JUROS MORATÓRIOS. 1. A FUNASA é parte legítima para figurar no pólo passivo de ações que versem sobre questões relativas aos servidores pertencentes ao seu quadro, uma vez que possui personalidade jurídica e patrimônio próprios. Preliminar rejeitada. 2. Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora, quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as prestações vencidas antes do qüinqüênio anterior à propositura da ação. Prescrição do fundo do direito rejeitada. 3. A indenização criada pelo art. 16 da Lei 8.216/91 (indenização de campo) deve ser reajustada pelo Poder Executivo na mesma data e percentual de revisão dos valores de diárias (Lei 8.270/91, art. 15). 4. Esta previsão resulta na garantia de que a indenização deve sempre corresponder ao valor de 46,87% das diárias, tendo em vista que esta proporção permanece inalterada, independentemente do percentual de reajuste aplicado nas diárias (Precedente do STJ). 5. A teor do artigo 4º da Medida Provisória 2.180-35, de 24 de agosto de 2001, os juros de mora nas condenações impostas à Fazenda Pública para pagamento de verbas remuneratórias devidas a servidores e empregados públicos, não poderão ultrapassar o percentual de 6% (seis por cento) ao ano. 6. Apelação e remessa oficial a que se dá parcial provimento." (Acórdão Origem: TRF1 AC 200338000209629 UF: MG Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Data da decisão: 27/2/2008 Documento: TRF100270769 Fonte e-DJF1 DATA: 15/4/2008 PAGINA: 61) "Ementa ADMINISTRATIVO. SERVIDOR. PAGAMENTO DAS PARCELAS. INDENIZAÇÃO. ART. 16 DA LEI Nº 8.216/91 E ART. 15 DA LEI Nº 8.270/91. DIFERENÇA ENTRE O PERCENTUAL DE 46,87% E O DE 30,48%. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. O Decreto nº 1.656, de 03 de outubro de 1995, não obedeceu aos ditames do art. 15, da Lei nº 8.270 de 1991, ao fixar os novos valores para as diárias e a indenização de campo. Tal dispositivo normativo não atendeu à correspondência entre o percentual da diária e o da referida indenização, em clara afronta ao referido artigo, situação corroborada pelos Decretos nºs 3.643/2000 e 5.554/2005. 2. Hipótese em que a própria Administração discorre acerca da Portaria nº 406, de 02.10.2002 (efeitos financeiros vigentes a partir de agosto de 2002), que reajustou o valor da indenização de que trata o art. 16, da Lei nº 8.216/91, para R$ 26,85 (vinte e seis reais e oitenta e cinco centavos). Plausibilidade da pretensão posta a lume. 3. Redução dos juros de mora para 0,5% (meio por cento) ao mês -art. 1º - F, da Lei nº 9.494/97, a partir da citação, e dos honorários advocatícios para 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação. Apelação improvida e Remessa Oficial provida, em parte." (Acórdão - TRF5 AC 334414 PB, Rel Des Fed Geraldo Apoliano, DJU 08.08.2007) D I S P O S I T I V O Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, resolvendo o mérito nos termos do art. 269, I, do CPC, para determinar à ré: 1) a implantar nos contracheques dos autores a indenização de campo, prevista no artigo 16 da Lei 8.216/91 e no artigo 15 da 8.270/91, no valor de R$ 40,27 (quarenta reais e vinte e sete centavos); 2) o pagamento das parcelas da indenização, desde 20/10/2005 até a data da sua efetiva implantação, relativas à diferença entre o valor de R$ 40,27 e o que vinha sendo pago R$ 26,85 (vinte seis reais e oitenta e cinco centavos), acrescidas de juros de mora de 0,5% (meio por cento) ao mês (art. 1º.F da Lei 9.494/97), a partir da citação, e devidamente corrigidas nos moldes da legislação vigente. 3) o pagamento de honorários advocatícios que fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor das diferenças apuradas, devidamente corrigidas, atendidas as prescrições do art. 20, §4º, do CPC. Custas ex lege. Em face do substabelecimento, à fl. 72, proceda-se às correções cartorárias. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 10 de junho de 2008. Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal Titular da 3ª Vara 1 ANEXO DO DECRETO Nº 6.258, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2007. (Que revogou o DECRETO Nº 5.554, DE 4 DE OUTUBRO DE 2005.) VALOR DA INDENIZAÇÃO DE DIÁRIAS AOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO PAÍS CLASSIFICAÇÃO DO CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO VALOR DA DIÁRIA EM R$ A) Cargos de Natureza Especial, DAS-6 e CD-1; e - Presidentes, Diretores e FDS-1 do BACEN 98,86 B) DAS-5, DAS-4, DAS-3 e CD-2, CD-3 e CD-4; - FDE-1, FDE-2, FDT-1, FCA-1, FCA-2, FCA-3; - Cargos Comissionados Temporários do BACEN; - FCT1, FCT2, FCT3; e - GTS1, GTS2, GTS3. 82,47 C) DAS-2 e DAS-1; - FDO-1, FCA-4 e FCA-5 do BACEN; - Cargos de Nível Superior; e - FCT4, FCT5, FCT6, FCT7. 68,72 D) FG-1, FG-2, FG-3 e GR; - FST-1, FST-2 e FST-3 do BACEN; - Cargos de Nível Médio (BACEN), de Nível Intermediário e de Nível Auxiliar; e - FCT8, FCT9, FCT10, FCT11, FCT12, FCT13, FCT14, FCT15. 57,28 E) Indenização de que trata o art. 16 da Lei no 8.216/91, e o art. 15 da Lei no 8.270/91. 26,85 O valor da diária dos grupos "A", "B", "C" e "D" será acrescido da importância correspondente a: % LOCAIS 90 Nos deslocamentos para as cidades de Brasília-DF e Manaus-AM. 80 Nos deslocamentos para as cidades de São Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ, Recife-PE, Belo Horizonte-MG, Porto Alegre-RS, Belém-PA, Fortaleza-CE e Salvador-BA. 70 Nos deslocamentos para as demais capitais dos Estados. 50 Nos demais deslocamentos. 2 "Art. 58. O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou transitório para outro ponto do território nacional ou para o exterior, fará jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinárias com pousada, alimentação e locomoção urbana, conforme dispuser o regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10/12/97)." ?? ?? ?? ?? PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 02/Processo nº 2007.82.00.009222-1 8 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

0011163-92.2007.4.05.8200 MARIA MADALENA MARINHO DO BOMFIM (Adv. JURANDIR PEREIRA DA SILVA, CICERO RICARDO ANTAS A CORDEIRO, RIVANA CAVALCANTE VIANA CRUZ) x UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA - UFPB (Adv. JONACY FERNANDES ROCHA)

Intime-se a parte autora para trazer aos autos documentos que comprove a data da concessão de sua aposentadoria.

   

0016476-39.2004.4.05.8200 MARIA MADALENA SILVA DOS SANTOS (Adv. ALMIR ALVES DIONISIO) x CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (Adv. RICARDO POLLASTRINI, JOSE ROMERO DE SOUZA RANGEL, VALCICLEIDE A. FREITAS, JAIME MARTINS PEREIRA JUNIOR, FRANCISCO DAS CHAGAS NUNES, FRANCISCO EDWARD AGUIAR NETO)

Expeça-se a certidão de trânsito em julgado, requerida pela autora através da petição acostada à fl. 151. Quanto às peças ali também solicitadas, autorizo o desentranhamento e entrega à autora, das peças acostadas à inicial, mediante cópias nos autos, às suas expensas. Oportunamente, retornem os autos ao arquivo. P.

   

EXECUÇÃO/CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

   

0001245-16.1997.4.05.8200 ANTONIO MARQUES DA SILVA (Adv. JOSE CAMARA DE OLIVEIRA, JEAN CAMARA DE OLIVEIRA, IBER CAMARA DE OLIVEIRA, KEILA CRISTINA BRITO DA SILVA) x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS (Adv. MARIA DAS DORES VIANA MONTENEGRO)

Esclareçam as partes a divergência existente entre as petições acostadas às fls. 227/232 e 233/238, no tocante aos valores acordados. P. Intime-se o INSS, através de remessa dos autos.

   

0003436-34.1997.4.05.8200 JOAO FERREIRA DA COSTA (Adv. FABIANO BARCIA DE ANDRADE) x JOAO FERREIRA DA COSTA (Adv. SEM PROCURADOR) x CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (Adv. JAIME MARTINS PEREIRA JUNIOR, ISAAC MARQUES CATÃO, THEREZA SHIMENA SANTOS TORRES, FRANCISCO XAVIER DE ANDRADE FILHO, JOSE GUILHERME MARQUES JUNIOR, LEILA REGINA DE BRITO ANDRADE) x UNIAO (ASSISTENTE) (Adv. SEM PROCURADOR) x CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF

Cuida-se de execução de sentença mandamental da Ação Ordinária promovida JOAO FERREIRA DA COSTA, em face da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF, nos termos do art. 461 do CPC. Devidamente intimada, a Caixa Econômica Federal - CEF informou sobre o cumprimento da obrigação, depositando os valores devidos na conta vinculada do FGTS do exeqüente. Instado a se pronunciar, o autor concorda com os valores depositados, fls. 345. Em face do exposto, declaro extinta a execução nos moldes do art. 794, I, do CPC. Sem honorários advocatícios, extintos, por compensação, em virtude da sucumbência recíproca, conforme disposto no julgado, fl. 180/184. Decorrido o prazo recursal, dê-se baixa e arquivem-se os autos. P.R.I.

   

0004685-73.2004.4.05.8200 IRACEMA DE OLIVEIRA NOBREGA E OUTROS (Adv. GILSON DE BRITO LIRA, GERMANA CAMURÇA MORAES) x UNIAO (MINISTERIO DA DEFESA - MARINHA NACIONAL) (Adv. FABIO LEITE DE FARIAS BRITO)

Intime-se a parte autora para promover a execução do julgado, no prazo de 30 (trinta) dias. Não havendo pronunciamento, arquivem-se os autos com baixa na distribuição, sendo ressalvado, contudo, o seu desarquivamento antes de escoado o prazo prescricional. FORMA DE CUMPRIMENTO Publique-se.

   

0005538-92.1998.4.05.8200 SONIA MARIA BARBOSA DA PAZ (Adv. FERNANDO ALMEIDA DE AGUIAR, JARI DIAS DA COSTA, IVANA LUDMILLA VILLAR MAIA, ANA LUCIA PEDROSA GOMES) x SONIA MARIA BARBOSA DA PAZ (Adv. GILMAR SOBREIRA GOMES) x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS E OUTRO (Adv. MARCIO PIQUET DA CRUZ) x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS E OUTRO

SENTENÇA Cuida-se de execução por título judicial, entre as partes acima nominadas, consistente em obrigação de fazer (emissão pelo INSS de certidão de tempo de serviço e averbação desse tempo de serviço pela União) e obrigação de pagar (honorários advocatícios). Regularmente processado o feito, o INSS e a União deram cumprimento à obrigação de fazer, conforme fls. 166/169 e 238/243. Este Juízo expediu requisição de pagamento (RPV) para satisfação do crédito dos honorários advocatícios (fls. 192), cujo pagamento já foi efetuado, consoante fls. 204/205. Dada vista à exeqüente acerca da informação às fls. 204/205, que noticia o pagamento da RPV, e sobre a documentação apresentada pela União às fls. 238/282 e 284/424, vem, às fls. 427, dizer que a RPV paga foi em relação aos honorários de sucumbência e que a ré/executada cumpriu com a obrigação de fazer, posto que a partir de agosto/2007 a aposentadoria da autora passou de proporcional para integral e que o valor do retroativo devido à exeqüente, devidamente, atualizado, ainda não foi pago, requerendo a concessão do prazo de 15(quinze) dias para elaborar planilha de cálculos da execução da obrigação de dar. É o relatório. Decido. No presente feito a autora requereu, apenas, que fosse declarado o tempo de serviço prestado à União (MARE), através do Projeto Rondon, junto ao DNOS, no período de 01/11/73 a 31/12/74, e à Construtora Barreto Ltda, no período de 01/08/75 a 30/06/76, e condenado o INSS a expedir a Certidão de Tempo de Serviço (CTS) correspondente, para fins de direito, e o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (13º DRF) a proceder à imediata averbação da aludida CTS, na ficha funcional da requerente, bem assim condenação dos réus em custas processuais e honorários advocatícios, não havendo nenhum tipo de requerimento de valores retroativos. Este Juízo proferiu sentença, às fls. 102/111, julgando improcedente o pedido, porém, o eg. TRF - 5ª Região, quando do julgamento da apelação interposta pela autora, deu parcial provimento a dito recurso, tão-somente para reconhecer o tempo de serviço prestado como engenheira no período de 01/08/75 a 30/06/76. ISTO POSTO, indefiro o pedido da exeqüente de concessão do prazo de quinze dias para elaborar planilha de cálculo de valor retroativo, resultante da conversão da aposentadoria da autora de proporcional para integral, eis que não foi matéria tratada nesta ação tampouco no julgado, devendo a exeqüente buscar os valores retroativos que entende devidos em ação própria, e, em face do integral cumprimento das obrigações de fazer e de pagar, declaro, por sentença, extinta a presente execução, nos termos do art. 794, I, do CPC. Decorrido o prazo recursal, dê-se baixa e arquivem-se os autos. Publique-se. Registre-se. Intime-se. João Pessoa, de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal Titular

   

0005835-02.1998.4.05.8200 UNIAO (FAZENDA NACIONAL) (Adv. EMERI PACHECO MOTA) x ECC - EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS CAMILO CRUZ LTDA (Adv. ELMANO CUNHA RIBEIRO, MARIA LIDUINA DE SOUZA A. RIBEIRO)

Efetuada a penhora, intime-se a parte executada para oferecer impugnação, querendo, no prazo de 15 (quinze) dias. (Art. 475-J, § 1º, do CPC). P.

   

0006662-66.2005.4.05.8200 CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (Adv. SINEIDE A CORREIA LIMA, FABIO ROMERO DE SOUZA RANGEL, FRANCISCO DAS CHAGAS NUNES, JAIME MARTINS PEREIRA JUNIOR, JOSE TADEU ALCOFORADO CATAO, MARCOS CALUMBI NOBREGA DIAS) x DANIEL INACIO DE MEDEIROS (Adv. GERMANNA KALYNE BELTRAO PESSOA) x MARIA DE FÁTIMA ARAUJO TEÓFILO (Adv. CHRISTIANNE SAYONARA NASCIMENTO GUIMARÃES, DARIO SANDRO DE CASTRO SOUZA) x JOÃO JOSÉ MARIANO

A sentença de fls. 142/151 julgou improcedente o pedido da autora, condenando-a em honorários advocatícios fixados em R$ 300,00 (trezentos reais), ficando condicionada a execução à comprovação da capacidade de pagamento da sucumbente, nos termos do artigo 12 da Lei 1060/50. Por determinação, equivocada, deste Juízo, a Caixa Econômica Federal - CEF requereu a execução da citada verba. Intimada para pagar a quantia excutida, requer a autora, ora executada, a extinção da execução, alegando que lhe foi deferida a gratuidade judiciária (fls. 171/172). Assiste-lhe razão. É que diante de sua declaração de pobreza (fl. 13), foi-lhe deferido tal benefício. Assim chamo o feito à ordem para tornar sem efeito o despacho que determinou a sua citação para pagamento dos honorários advocatícios arbitrados no julgado. Dê-se baixa e arquivem-se os autos, facultando o seu desarquivamento, caso a Caixa Econômica Federal - CEF comprove que a referida executada perdeu a condição legal de necessitado, para fins de proceder a execução da referida sucumbência. Anotações nos assentamentos cartorários em face do instrumento procuratório de fl. 173. P.

   

0007539-55.1995.4.05.8200 SEVERINA BRAGA E OUTROS (Adv. JOSE CAMARA DE OLIVEIRA, JURANDIR PEREIRA DA SILVA, IBER CAMARA DE OLIVEIRA, ANA HELENA CAVALCANTI PORTELA, JOSE COSME DE MELO FILHO, RAIMUNDO FLORENCIO PINHEIRO) x ROSALINA SIMAO DE MELO (Adv. JURANDIR PEREIRA DA SILVA, IVO CASTELO BRANCO PEREIRA DA SILVA) x SEVERINA BRAGA E OUTROS x OTACILIO ARAUJO x OTACILIO ARAUJO x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS (Adv. MARCIO PIQUET DA CRUZ) x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS

Defiro o pedido de sobrestamento do feito, pelo prazo de 30(trinta) dias, para que o advogado providencie o número do CPF do autor RAIMUNDO LÚCIO DOS SANTOS. FORMA DE CUMPRIMENTO 1. Publicação (S/P).

   

EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL

   

0010462-34.2007.4.05.8200 EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS ECT (Adv. RAFAEL ALMEIDA DE HOLANDA, PAULO CESAR BEZERRA DE LIMA) x NUCLEO DE ESTUDOS E APERFEIÇOAMENTO ODONTOLÓGICOS LTDA (Adv. SEM ADVOGADO)

Cuida-se de execução de título extrajudicial, movida pela EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS - ECT em face de NÚCLEO DE ESTUDOS E APERFEIÇOAMENTO ODONTOLÓGICOS LTDA., objetivando o integral cumprimento da obrigação, nos termos do art. 652 e seguintes do CPC. Devidamente citada (fls. 32v), a parte Executada apresentou guia de depósito judicial, comprovando a quitação do débito (fls. 33/34). Intimada para se pronunciar, a ECT, às fls. 37, vem informar que concorda com o valor depositado como forma de pagamento do débito e requerer a expedição de alvará de levantamento em seu favor. Não houve oposição de Embargos, conforme certificado às fls. 40. Expedido alvará em favor da Exeqüente (fls. 41/42), considero satisfeita a obrigação e declaro, por sentença, extinta a presente execução, com arrimo no art. 794, I, do CPC, para surtir seus jurídicos e legais efeitos. Após o escoamento do prazo recursal, dê-se baixa e arquivem-se os autos. Publique-se. Registre-se. Intime-se.

   

MANDADO DE SEGURANÇA

   

0005206-13.2007.4.05.8200 BARBARA CABRAL VIEIRA DE ANDRADE E OUTRO (Adv. SANCHA MARIA F.C R. ALENCAR, MARTSUNG F. C. DE ALENCAR, MARCUS VINICIUS SILVA MAGALHÃES, SELENITA ALENCAR P. DE MORAES, CARLOS AUGUSTO FREIRE FILHO, GUSTAVO OLIVEIRA PEREIRA DE MELO, ANNE MARGARETH GUERRA FORTE BARBOSA, PRISCILA SOUZA DA SILVA) x DIRETOR DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACAO, CIENCIA E TECNOLOGIA DA PARAIBA - IFPB (Adv. SEM PROCURADOR)

Processo nº: 2007.82.00.005206-5 - MANDADO DE SEGURANÇA Impetrantes: BÁRBARA CABRAL VIEIRA DE ANDRADE E OUTRA Impetrado: DIRETOR GERAL DO CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DA PARAÍBA (CEFET/PB) SENTENÇA Vistos etc. 1. RELATÓRIO Cuida-se de mandado de segurança impetrado por BÁRBARA CABRAL VIEIRA DE ANDRADE e MARIA ELIZABETH PEREGRINO SOUTO MAIOR MENDES, devidamente qualificadas na exordial, em face do DIRETOR GERAL DO CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DA PARAÍBA - CEFET/PB, objetivando édito jurisdicional que determine as suas imediatas nomeações para o cargo de professor de língua Inglesa da referida Instituição de Ensino. Contam terem sido aprovadas e classificadas em segundo e terceiro lugares no concurso de professor efetivo do CEFET realizado conforme o Edital nº 23/2006, e que ainda não foram nomeadas, embora, a despeito de o certame ter validade até 30.06.2007, a autoridade impetrada publicou o Edital nº 14/2007 para realização de Processo Seletivo Simplificado para a mesma disciplina da impetrante, com a abertura de duas vagas para professor graduado em Licenciatura em Letra - habilitação em Inglês. Afirmam que tal ato demonstra a urgente necessidade de preenchimento das mencionadas vagas, razão pela qual a discricionariedade administrativa tomou feições de ato vinculado. Sustentam a existência do fumus boni iuris, com base no art. 37, IV, da CF/88, no art. 12, §2º, da Lei nº 8.112/90 e em citada jurisprudência; e do periculum in mora, ante a iminência de serem preteridas por candidatos aprovados no processo seletivo simplificado. Defende a inexistência do periculum in mora inverso, face à carência de professores de língua inglesa para lecionar e à facilidade de retirada da impetrante do quadro de servidores do CEFET em caso de mudança de entendimento. Acostam documentos (fls. 16/53), e requerem a concessão da liminar pretendida. Despacho, à fl. 57, postergando a apreciação da liminar para momento posterior ao oferecimento das informações. Notificada, a autoridade impetrada prestou informações, aduzindo que a contratação de professores substitutos se dá independentemente da liberação do código pelo MPOG, ao contrário do que ocorre com a contratação dos professores permanentes. Afirma que os contratados pelo concurso simplificado não assumirão a vaga das interessadas. Diz que a pretendida contratação implicará em gastos sem a devida cobertura orçamentária. Aduz que a abertura de duas vagas para professor temporário se deu em virtude da ampliação do número de unidades do CEFET, não tendo havido a criação de vagas para professor permanente. Às fls. 64-69, foi deferida a liminar pretendida. Petição de agravo de instrumento manejado contra a decisão deferitória de liminar (fls. 93-107). Decisão do TRF-5ªR. deferindo a liminar requerida na tutela recursal (fls. 113-114). Decisão de fls. 64-69, mantida à fl. 115. O Parquet Federal manifestou-se às fls. 132-135, opinando pela denegação da segurança. Despacho, à fl. 136, determinando à autoridade impetrada que informe se o concurso objeto da impetração teve o prazo de validade prorrogado. Petição de substabelecimento às fls. 137-138. Resposta da autoridade às fls. 141-142, comunicando da prorrogação do concurso por mais um ano, conforme publicação no DOU. Feito este breve relato. Decido. 2. FUNDAMENTAÇÃO Repudiam as impetrantes a iminente possibilidade de serem preteridas por candidatos eventualmente aprovados em Processo Seletivo Simplificado realizado conforme o Edital nº 14/2007. Pretendem, pois, provimento judicial que assegure "a nomeação imediata das impetrantes para o cargo de professor de língua inglesa do CEFET/PB, por terem sido as mesmas aprovadas e classificadas no concurso público e existirem as vagas disponíveis". Lastreiam o pedido na urgente necessidade de contratação de pessoal cabalmente demonstrada através da realização do processo seletivo supracitado, invocando entendimento jurisprudencial segundo o qual a expectativa de direito dos candidatos aprovados convola-se em direito líquido e certo a partir do momento em que a Administração, dentro do prazo de validade do concurso, promove outro processo seletivo para contratação de pessoal de forma precária. Analisando os autos, constato que, de fato, as impetrantes foram aprovadas e classificadas em segundo e terceiro lugares no concurso público para cargo de Professor de Ensino de 1º e 2º Graus, com licenciatura em Letras e com habilitação em Inglês, do Quadro Permanente do CEFET-Paraíba, como se vê pelo teor do Diário Oficial da União, de 30.06.2006 acostado à fl. 37. O aludido concurso tem prazo de validade de 01 (um) ano, a contar da data de publicação do Edital de Homologação do Resultado Final no Diário Oficial da União, podendo, no interesse da Administração, ser prorrogado uma vez, por igual período (item 9.1 do Edital nº 23/2006, fl. 35). Verifico, ainda, que, como o resultado do concurso foi publicado, mediante Edital nº 29, no Diário Oficial da União (D.O.U) em 30 de junho de 2006, sua validade expiraria em 30 de junho de 2007, e agora, mediante o Edital nº 18 de 27 de junho de 2007, teve sua validade prorrogada por mais um ano, a contar de 28 de junho de 2007 (fl. 142). Considerando, pois, a data de validade do concurso prestado pelas impetrantes, demonstrado está que o Diretor-Geral do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba, dentro do prazo de validade do mesmo (1º ano), mais precisamente em 19.04.2007, tornou público o Edital nº 14/2007 para as inscrições no Processo Seletivo Simplificado, com vistas à contratação de Professores Substitutos com previsão de vaga na mesma área de conhecimento das impetrantes (vide fl. 44 e 46). As respectivas provas foram aplicadas no mês de maio do mesmo ano, conforme o disposto no item 4 do referido edital (fl. 49). Como já dito na decisão deferitória da liminar de fls. 64-69, o "entendimento jurisprudencial se orienta no sentido de que a contratação precária dentro do prazo de validade do concurso público para a mesma área de conhecimento configura recusa aos candidatos remanescentes do certame anterior e convola a expectativa de direito à nomeação dos candidatos aprovados em direito líquido e certo, conforme se observa dos precedentes a seguir: "ADMINISTRATIVO. NOVO CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO. PROFESSOR SUBSTITUTO. CONCURSO PÚBLICO VÁLIDO. SEGUNDO LUGAR. PRETERIÇÃO. I - É entendimento doutrinário e jurisprudencial de que a aprovação em concurso público gera mera expectativa de direito à nomeação, competindo à Administração, dentro de seu poder discricionário, nomear os candidatos aprovados de acordo com a sua conveniência e oportunidade. II - Entretanto, a mera expectativa se convola em direito líquido e certo a partir do momento em que, dentro do prazo de validade do concurso, há contratação de pessoal, de forma precária, para o preenchimento de vagas existentes, em flagrante preterição àqueles que, aprovados em concurso ainda válido, estariam aptos a ocupar o mesmo cargo ou função. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp 652789/SC; Agravo Regimental no Recurso Especial 2004/0056502-7; Relator Ministro Felix Fischer (1109); Órgão Julgador T5 - Quinta Turma; Data do Julgamento: 06/06/2006; Data da Publicação/Fonte DJ 01.08.2006 p. 515) MANDADO DE SEGURANÇA. REALIZAÇÃO DE CONCURSO PÚBLICO NO PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME ANTERIOR. DECADÊNCIA. ATO IMPUGNADO. Com a abertura de novo concurso tem-se ato concreto da Administração recusando os candidatos remanescentes do certame anterior. A edição do novo edital é o termo 'a quo' para a contagem do prazo decadencial do mandado de segurança que busca a nomeação dos aprovados. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 732472/RR; Agravo Regimental no Recurso Especial 2005/0038888-5; Relator Ministro Paulo Medina (1121); Órgão Julgador T6 - Sexta Turma; Data do Julgamento 28/03/2006; Data da Publicação/Fonte DJ 02.05.2006 p. 403)" Com efeito, havendo candidato aprovado e classificado dentro do número de vagas oferecidas, não é lícito à Administração promover processo seletivo para contratação de pessoal a título precário para exercer as mesmas atribuições do cargo vago. Logo, caso a Administração o faça com vistas a contratações temporárias de excepcional interesse público (art. 37, inc. IX, da CF/88), estará demonstrando, inequivocamente, que há necessidade de preenchimento do cargo vago, razão pela qual se aniquila a discricionariedade da Administração em convocar o candidato classificado, e nasce o direito subjetivo deste à nomeação. Acresça-se que, quando a Administração disponibiliza certo número de vagas (no caso, duas vagas) para realização de concurso público, presume-se, por força de mandamento constitucional (art. 169, §1º, da Constituição1), a indispensável existência de dotação orçamentária para atender às projeções de acréscimos de despesas de pessoal, e de autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias para a realização de tal despesa. Assim, vislumbro a existência de direito líquido e certo hábil a ser amparado por esta via mandamental, enquanto patente a vulneração ao art. 37, incisos II e IV da Constituição Federal2. 3. DISPOSITIVO Diante de todo o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA para o fim de, ratificando o provimento liminar, assegurar às impetrantes o direito à nomeação nos cargos de Professor de Ensino de 1º e 2º Graus, com licenciatura em Letras e com habilitação em Inglês, do Quadro Permanente do CEFET-Paraíba. Sem condenação em honorários advocatícios em face das Súmulas n.º 512 do STF e n.º 105 do STJ. Custas ex lege. Defiro o pedido de substabelecimento (fls. 137/138). Proceda-se às anotações cartorárias. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Oficie-se ao relator do agravo noticiado nestes autos, comunicando-lhe o inteiro teor desta sentença. João Pessoa, ____ de março de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara da Paraíba 1 Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar. § 1º A concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos, empregos e funções ou alteração de estrutura de carreiras, bem como a admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades da administração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público, só poderão ser feitas: I - se houver prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes; II - se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e as sociedades de economia mista. 2 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (...) IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;" ?? ?? ?? ?? PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 02/2007.82.00.005206-5 7 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 02/2007.82.00.005206-5 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

0008960-60.2007.4.05.8200 PAULO MANUEL MOREIRA SOUTO (Adv. ANTONIETA L PEREIRA LIMA) x PRESIDENTE DA COMISSÃO DE INQUÉRITO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR DA PROCURADORIA-GERAL FEDERAL (Adv. SEM PROCURADOR)

Embargos de Declaração Embargante: União DECISÃO A União interpôs, novamente, recurso de embargos de declaração, dessa feita, contra a decisão proferida às fls. 99/101, suscitando, para tanto, que o referido ato processual incorreu em contradição, em suma, nos seguintes termos: "se pelo entendimento da sentença a autoridade coatora seria vinculada à União (Procuradoria-Geral Federal) e, por isso, aquela pessoa jurídica já seria parte (e não litisconsorte) na ação, em contrário, a sentença dever-se-ia apontar o CEFET como litisconsorte passivo necessário, a depender de CITAÇÃO, e não como parte originária na ação a ser representada pelo referido Procurador Federal (autoridade impetrada)." (sic, fl. 106) Pugna, via de conseqüência, que sejam atribuídos, "se necessários à indispensável coerência do julgado, os devidos efeitos infringentes". Relatado o essencial, decido. Mais uma vez a União insiste na tese de que haveria necessidade de citação do CEFET/PB, na condição de litisconsorte passivo necessário, mesmo quando já afastada de forma clara e expressa, pela decisão de fls. 99-101, nos seguintes termos: Ora, não há que se falar em litisconsórcio passivo necessário entre a pessoa jurídica de direito público e a autoridade impetrada, na medida em que, no caso dos autos, esta já se encontra ligada àquela. Ou seja, o Presidente da Comissão de Inquérito Administrativo Disciplinar, instituída por meio da Portaria nº 375, de 31 de maio de 2007, da Procuradoria-Geral Federal, é justamente um Procurador Federal, sendo dispicienda, portanto, a citação do CEFET/PB, autarquia federal cuja representação judicial cabe àquela Procuradoria. Realço que, diferentemente do alegado pela União em sua nova peça recursal, esta Magistrada, em nenhum momento, afirma já ser o indigitado ente público parte nesta ação mandamental, mas que, como se infere da leitura do trecho acima transcrito, o Procurador Federal Alexandre de Andrade Inosoja - este sim parte neste feito, na qualidade de autoridade impetrada - encontra-se, notoriamente, vinculado àquela pessoa jurídica de direito público. Logo, não haveria qualquer prejuízo em decorrência da falta da citação do CEFET/PB - entidade que ostenta a qualidade de autarquia federal e, por este motivo, tem sua representação judicial imputada à Procuradoria Federal - mormente quando o Presidente da Comissão de Inquérito, autoridade impetrada, é justamente um Procurador Federal. Frise-se que tal Procurador Federal, mesmo na condição de Presidente da Comissão de Inquérito Disciplinar, instituída pela própria Procuradoria Geral Federal, para o fim precípuo de apuração de responsabilidade pelos danos causados justamente ao CEFET/PB, em nenhum momento processual, vislumbrou a alegada necessidade de citação desta autarquia para compor o pólo passivo do presente mandamus. Abro parênteses para dizer que, de toda sorte, pelos fundamentos utilizados por esta Magistrada para conceder a segurança, a participação do CEFET/PB no feito em nada alteraria o teor da sentença prolatada às fls. 65-73. Dito isto, reitero que qualquer insatisfação para com o mérito da sentença originariamente vergastada deve ser veiculada por meio de apelação, nos moldes delineados pelo Código de Processo Civil. Isso posto, conheço dos embargos de declaração para, no mérito, rejeitá-los. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 09 de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 5 PODER JUDICIARIO JUSTIÇA FEDERAL SEÇÃO DA PARAÍBA 3 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRO GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 10/2007.82.00.008960-0 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara/PB

   

0009225-62.2007.4.05.8200 MOISÉS PERGENTINO MADRUGA (Adv. THAÍSE RACHEL DE OLIVEIRA RODRIGUES) x CHEFE DA SEÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DO INSS - GERÊNCIA EXECUTIVA DE JOÃO PESSOA (Adv. SEM PROCURADOR)

Mandado de Segurança Impetrante: Moisés Pergentino Madruga Impetrado: Chefe da Seção de Recursos Humanos do INSS - Gerência Executiva de João Pessoa/PB S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Cuida-se de mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado por MOISÉS PERGENTINO MADRUGA, devidamente qualificado nos autos, em face de ato reputado abusivo e ilegal atribuído ao CHEFE DA SEÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DO INSS - GERÊNCIA EXECUTIVA DE JOÃO PESSOA/PB, objetivando que sejam declarados indevidos os descontos no seu subsídio, referentes a valores pagos indevidamente pela Administração, bem como a restituição desses valores descontados. Expõe que em junho de 2006 passou a ser remunerado por subsídio e percebia "subsídio + parcela complementar de subsídio", esta última no valor de R$ 1.773,00 (mil setecentos e setenta e três reais), em conformidade com a MP nº. 305/2006, convertida na Lei nº. 11.358/06, foi paga integralmente até abril de 2007, a partir daí, foi reduzida para R$ 722,58 (setecentos e vinte e dois reais e cinqüenta e oito centavos). Complementou, aduzindo que em junho de 2007 foi surpreendido com o comunicado da autoridade impetrada informando do início do desconto em folha, referente ao pagamento nos meses de janeiro a abril de 2007 da referida parcela complementar, no valor de R$ 4.201,68 (quatro mil, duzentos e um reais e sessenta e oito centavos). Alega, por fim, que os descontos se traduzem em ato arbitrário, ilegal e abusivo e que, conforme a jurisprudência pacífica do STJ, descabe a restituição do pagamento indevido feito pela administração, em virtude de errônea interpretação ou má aplicação da lei, tendo em vista a presunção de boa-fé no percebimento da verba. Juntou procuração e demais documentos (fls. 08/15). Custas satisfeitas à fl. 16. O impetrante não formulou pedido expresso de apreciação liminar, limitando-se apenas a incluir tarja com pedido liminar na petição inicial, assim, foi afastada a apreciação antecipada, à fl. 19. Pedido de exclusão do advogado constituído do impetrante, à fl. 25. Devidamente notificada, a autoridade impetrada não apresentou as informações, certidão à fl. 27. Termo de Retificação à fl. 30. O Ministério Público Federal apresentou parecer, às fls. 32/33, deixando de se manifestar acerca do mérito da lide, por não vislumbrar nos autos interesse público que justifique sua intervenção. F U N D A M E N T A Ç Ã O O impetrante, através deste remédio constitucional, objetiva a declaração de que são indevidos os descontos efetuados em seu subsídio e a restituição dos valores descontados. O objeto da presente ação é, portanto, aferir-se a legalidade do ato de desconto, em folha de remuneração, de quantia percebida, como forma de ressarcimento ao erário, e a restituição dos valores indevidamente descontados. Dispõe a nova redação do art. 46 da Lei nº 8.112/90 (dada pela MP nº 2.225-45/2001) que: "46 As reposições e indenizações ao erário, atualizadas até 30 de junho de 1994, serão previamente comunicadas ao servidor ativo, aposentado ou ao pensionista, para pagamento, no prazo máximo de trinta dias, podendo ser parceladas, a pedido do interessado. (grifo nosso) Dessa forma, os servidores devem ser previamente notificados para pagar o débito, no prazo de 30 dias, dele partindo a iniciativa no sentido do parcelamento, em prestações não inferiores a 10% de sua remuneração. Vê-se, assim, que as reposições e indenizações ao erário, ainda que de valores reconhecidamente devidos, não mais poderão ser descontadas diretamente das folhas de salários dos servidores públicos, por flagrante ausência de previsão normativa. Tal entendimento foi inclusive acolhido por julgado do TRF da 4ª Região: ADMINISTRATIVO. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1-Com o advento da Medida Provisória n° 2.225-45, de 04.09.2001, que alterou a redação do art. 46 da Lei n° 8.112/90, não é mais possível o desconto automático em folha de pagamento dos servidores públicos civis da União para ressarcimento ao Erário de valores indevidamente percebidos, por falta de previsão legal para a medida. 2. Agravo de instrumento improvido. (TRIBUNAL - QUARTA REGIÃO Classe: AG - AGRAVO DE NSTRUMENTO - 103085 Processo: 200204010127900 UF: RS Órgão Julgador: TERCEIRA TURMA Data da decisão: 27/05/2003 Documento: TRF400087855 Fonte DJU DATA:11/06/2003 PÁGINA: 590 DJU DATA:11/06/2003 Relator(a) JUIZA MARGA INGE BARTH TESSLER Data Publicação 11/06/2003). Ora, na hipótese em que a Administração entende pela percepção indevida de valores por parte dos servidores, ao fazê-lo de forma unilateral, sem conferir-lhe a mínima oportunidade de contraditório, não poderá Ela invadir a esfera de propriedade do indivíduo, valendo-se de lançamento em suas folhas de pagamentos, sem que obtenha qualquer aquiescência para tanto. Isso o que se extrai da nova redação dada ao artigo 46 da Lei n. 8.112/90. É preceito constitucional que ninguém será privado dos seus bens sem que antes lhe seja assegurado o devido processo legal, obedecendo-se os ditames da ampla defesa e do contraditório. Não pode, por tal razão, o Estado-Administração invadir, unilateralmente, a esfera patrimonial do servidor, sem a aquiescência deste, para suprimir parcela de sua remuneração. Até mesmo o próprio Estado (Fazenda Pública), quando dotado de título executivo por ela confeccionado de forma unilateral (CDA), deverá desencadear processo executivo fiscal para, através do procedimento próprio, conferida oportunidade de defesa, atingir a esfera patrimonial do devedor, no âmbito judicial. Atente-se que, com tal entendimento, está-se apenas a afastar a possibilidade de utilização do DESCONTO direto em folhas dos servidores como forma de reposição à Administração de valores percebidos indevidamente, resguardando-se, portanto, a utilização de outras vias, dessa feita, legais, quando, substancialmente, devido seja o ressarcimento. Não é outro o entendimento exposto pela Desembargadora Federal relatora do recurso acima mencionado, que, em seu voto, assim dispôs: "Assim, após o advento da MP 2.225-45, não há mais a possibilidade de desconto em folha de pagamento dos servidores para ressarcimento de valores indevidamente percebidos, por falta de previsão legal. Embora inexista óbice para a anulação dos atos administrativos ilegais pela própria Administração, dentro do prazo decadencial previsto no art. 54 da Lei n° 9.784/99, o ressarcimento ao Erário deve ser feito por via que não o do desconto automático em folha, não merecendo qualquer reforma a decisão agravada". Finalmente, no que se refere à pretensão relativa à restituição dos valores descontados indevidamente, por impropriedade dos descontos procedidos, somente em sede própria poderá ser discutido e apreciado, haja vista o notório conhecimento de que o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança, não cabendo discussão sobre efeitos patrimoniais pretéritos, "ex-vi" do enunciado da Súmula 271/STF. D I S P O S I T I V O Isso posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para declarar a ilegalidade dos descontos procedidos pela Administração diretamente em folha de remuneração do impetrante, eis que realizados em desarmonia com o art. 46 da Lei nº 8.112/90, com redação dada pela MP nº 2.225-45/2001. Sem condenação em honorários - Súmula 512 do STF e 105 do STJ. Custas ex lege. Esgotado o prazo recursal, dê-se baixa na distribuição e arquivem-se os autos. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 23 de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 1 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 02/Processo nº 2007.82.00.009225-7 1 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

MEDIDA CAUTELAR DE JUSTIFICAÇÃO

   

0000832-17.2008.4.05.8200 MARIA JOSÉ VIEIRA DAS NEVES (Adv. SANDRA ELIZABETH DE BRITO PEREIRA GUIMARAES, ROBSON RENATO ALVES DE ALBUQUERQUE, ANNA KARINNE DE BRITO PEREIRA, MANOEL PEREIRA DINIZ NETO, VANESSA GOMES PEREIRA DINIZ) x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS (Adv. SEM PROCURADOR)

Cuida-se de Medida Cautelar de Justificação movida por MARIA JOSÉ VIEIRA DA SILVA, objetivando a colheita de prova quanto à comprovação da condição de companheira e da dependência econômica em que vivia com o falecido Sr. Sebastião Tenório de Araújo. À fls. 12 e 15, foi determinada a emenda à inicial, para que a Promovente esclarecesse a divergência encontrada em seu nome constante na inicial e documentos com relação às assinaturas apostas na Procuração e declaração de incapacidade financeira. Deveria, ainda, anexar aos autos cópia do documento de identificação e rol de testemunhas. Intimada, através do Diário da Justiça (fls. 13), o advogado da Autora, conforme fls. 14, deixou transcorrer o prazo sem qualquer manifestação. A Justificante, por sua vez, mudou de endereço sem informar a este Juízo, conforme certidão exarada às fls. 17v. Isso posto, demonstrado o desinteresse da parte Promovente em dar continuidade ao presente feito, uma vez não ter a tendido à ordem deste Juízo, indefiro a inicial e, consequentemente, extingo o presente feito, sem resolução de mérito, nos moldes do art. 295, VI, c/c 267, I, do CPC. Decorrido o prazo recursal, dê-se baixa e arquive-se. P. R. I.

   

0000952-60.2008.4.05.8200 ANA LUCIA DUARTE NOGUEIRA (Adv. VANDA ARAUJO FREIRE) x UNIÃO (Adv. SEM PROCURADOR)

Cuida-se de Justificação Judicial movida por ANA LUCIA DUARTE NOGUEIRA, objetivando a colheita de prova quanto à qualidade da menor Bárbara Luna Duarte da Silva como sua dependente. A Justificação consistiu na juntada de documentos e na oitiva de duas testemunhas que prestaram depoimento (fls. 26/27 e 35/45), sem que tivesse ocorrido qualquer contradita. É o relatório. Decido. A prova foi colhida com observância dos requisitos legais. ISTO POSTO, homologo, por sentença, a presente Justificação Judicial, para que surta seus jurídicos e legais efeitos. Dê-se baixa na Distribuição. Decorrido o prazo de 48 horas, entreguem-se os autos à justificante independentemente de traslado, com as cautelas legais. P.R.I. Cientifique-se o d. MPF.

   

0008625-41.2007.4.05.8200 TERESINHA DE JESUS CRUZ (Adv. SOLANGE MARIA CAVALCANTE PONTES) x UNIÃO (Adv. SEM PROCURADOR)

Cuida-se de Justificação Judicial movida por TERESINHA DE JESUS CRUZ, objetivando a colheita de prova quanto à qualidade da menor Thereza Luiza da Silva Cruz como sua dependente. A Justificação consistiu na juntada de documentos e na oitiva de duas testemunhas que prestaram depoimento (fls. 45/46 e 48/62), sem que tivesse ocorrido qualquer contradita. É o relatório. Decido. A prova foi colhida com observância dos requisitos legais. ISTO POSTO, homologo, por sentença, a presente Justificação Judicial, para que surta seus jurídicos e legais efeitos. Dê-se baixa na Distribuição. Decorrido o prazo de 48 horas, entreguem-se os autos à justificante independentemente de traslado, com as cautelas legais. P.R.I. Cientifique-se o d. MPF.

   

EXECUÇÃO CONTRA FAZENDA PÚBLICA

   

0000025-31.2007.4.05.8200 CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (Adv. FABIO ROMERO DE SOUZA RANGEL) x DANUSA SOARES RODRIGUES E OUTROS (Adv. HENRIQUE MAROJA JALES COSTA, RINALDO MOUZALAS DE SOUZA E SILVA, VALBERTO ALVES DE A FILHO, VITAL BORBA DE ARAUJO JUNIOR, STANLEY MARX DONATO TENÓRIO) x ELITON ALVES PEREIRA E OUTRO

Em obediência ao provimento nº 002, de 30 de novembro de 2000, da Egrégia Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, artigo 3º, item 06, abro vista aos promovidos sobre a petição e cálculos apresentados pela Caixa Econômica Federal - CEF (fls. 86/90), para pronunciamento no prazo de 05(cinco) dias.

   

0000719-34.2006.4.05.8200 MARIA DE FÁTIMA ARAÚJO E SILVA TARGINO (Adv. WALTER DE AGRA JUNIOR, DENNYS CARNEIRO ROCHA DOS SANTOS, SOLON HENRIQUE DE SA E BENEVIDES, VIVIANE MOURA TEIXEIRA, VANINA C. C. MODESTO, IGOR GADELHA ARRUDA, JACKELINE ALVES CARTAXO, ARTHUR MONTEIRO LINS FIALHO) x EDSON TARGINO MOREIRA E OUTROS x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS (Adv. EMMANUEL RUCK VIEIRA LEAL)

Ação Ordinária Autor: Edson Targino Moreira Réu: INSS S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Edson Targino Moreira, qualificado nos autos, propõe a presente ação de rito ordinário contra o Instituto Nacional de Seguro Social - INSS, objetivando compeli-lo a conceder aposentadoria por tempo de contribuição ao autor, com proventos integrais ou, alternativamente, que seja determinada a conversão do tempo de contribuição especial para comum, concedendo outro benefício ou revisando o benefício aposentatório já concedido sob o nº 139.029.987-0, de forma que venha a ser pago com valores pertinentes à aposentadoria comum e integral por tempo de serviço. Expõe, em abreviado, que ajuizou perante esta Vara o processo nº 2005.82.00.13811-0, solicitando anular a decisão do réu que ordenou o cancelamento da aposentadoria concedida ao autor, bem como, para obter aposentadoria comum com tempo de serviço. Enquanto o referido feito tramitava, o suplicante requereu administrativamente aposentadoria com proventos proporcionais, sendo o pedido acolhido. Diz que em 2001 recebeu correspondência do promovido (carta APSJP/nº123/2001), segundo a qual, o autor disporia de mais de trinta e nove anos de serviço. Todavia, na aposentadoria deferida em 07.12.2005, o réu reconheceu apenas trinta e três anos, quatro meses e dezesseis dias de contribuição. Assevera que na sentença prolatada nos autos da ação ordinária 2005.82.00.13811-0, foi reconhecido o direito do autor à aposentadoria integral. Pede a antecipação da tutela, para determinar a imediata revisão de seus proventos, levando em conta o tempo de contribuição indicado na carta supracitada, bem como, as contribuições vertidas após aquele período, que totalizam quarenta e um anos de contribuição, devendo o pagamento dos valores decorrentes da revisão ter início na data da concessão da medida. Junta procuração, documentos e comprovante do pagamento de custas às fls. 17/51. Decisão indeferindo o pedido de tutela (fls. 56/57). Citado, o INSS não apresentou contestação (certidão de fl. 64v). Despacho ordenando ao órgão previdenciário que apresentasse cópia do procedimento concessório do benefício em apreço (fl. 66). Petição do autor, informando que o INSS comunicou-lhe que suspenderia a aposentadoria que lhe havia concedido, ao fundamento de erro administrativo, solicitando o segurado fosse deferida medida cautelar, ordenando a manutenção do citado benefício, até o julgamento da ação (fls. 71/89), o que foi deferido às fls. 91/93. Em cumprimento ao despacho de fl. 66, o réu apresentou o p.a. relativo à aposentadoria do autor, informando o cumprimento da liminar deferida (fls. 98/223). Com vista da citada documentação, o autor requereu o julgamento da lide (fls. 228/229). Os autos foram remetidos à Assessoria Contábil, para elaboração do demonstrativo do tempo de serviço do autor (fl. 231), o que foi atendido às fls. 232/240. Com vista, o autor solicitou o retorno nos autos à Contadoria, para inserir no demonstrativo de fls. 232/240 o tempo de serviço prestado ao Exército (de 15.01.1965 a 21.12.1965). O INSS, regularmente intimado, nada disse, solicitando após o decurso do prazo para manifestação, a suspensão do feito, em virtude da greve deferida pelos Procuradores Federais, e a renovação da intimação após o encerramento do movimento paredista, negado no despacho de fl. 253. F U N D A M E N T A Ç Ã O Ao se manifestar sobre os demonstrativos do tempo de contribuição e da renda mensal inicial - RMI elaborados pela Assessoria Contábil às fls. 232/240, o autor solicitou o retorno dos autos ao referido Setor, a fim de que fosse acrescentado àqueles demonstrativos o tempo de serviço prestado ao Exército Brasileiro (onze meses e sete dias), sobre o qual inexiste controvérsia quanto ao seu cômputo, para fins de aposentadoria (fls. 242/244). Desnecessária a medida requerida. Quanto ao tempo de serviço do autor, esta julgadora tem condições de adicionar o referido tempo de serviço ao resultado obtido pela Contadoria. No que respeita à RMI, poderá ser apurada na fase de execução, a vista do tempo de serviço reconhecido, pelo que, passo ao julgamento da lide. Antes de mais nada, registro que a petição inicial da ação ordinária nº 2005.82.00.13811-0, ajuizada pelo autor, foi indeferida e o processo extinto, sem resolução do mérito, de conformidade com o artigo 295, inciso III, e 301, § 4º, ambos do CPC, conforme sentença trasladada às fls. 23/26, não procedendo, desse modo, a alegação do autor de que naqueles autos houve o reconhecimento de que o mesmo contaria com trinta e nove anos de contribuição. De outro lado, o mandado de segurança nº 2005.82.00.12860-7, cuja existência foi um dos motivos que deu azo ao indeferimento da petição inicial daquela ação ordinária, em face de litispendência, também foi extinto, sem resolução do mérito, ante o pedido de desistência formulado pelo impetrante, conforme documentos de fls. 267/269. Busca o autor a concessão de aposentadoria integral ou a transformação da aposentadoria com proventos proporcionais que lhe foi concedida em 28.09.2005 em aposentadoria integral, mediante a conversão do tempo de serviço especial em comum. Diz que em 15.05.2000 requereu aposentadoria especial, indeferida ao fundamento de que não atendia ao tempo mínimo exigido, reconhecendo o réu, porém, que o autor, na data daquele requerimento (DER), já dispunha de tempo de contribuição para aposentadoria integral, conforme carta expedida em 29 de junho de 2001 (fl. 28). Todavia, ao deferir o benefício requerido em 2005 (NB 139.029.987-0), o INSS computou pouco mais de trinta e três anos de serviço (fl. 20), pretendendo o segurado que prevaleça o tempo de serviço informado naquela carta expedida em 2001. Após a propositura deste feito, o INSS revisou a concessão do benefício do autor, concluindo ser a mesma indevida, por não dispor esse segurado do tempo mínimo de contribuição exigido para aposentação (fl. 180), sendo os efeitos de tal decisão suspensos cautelarmente pela MMª. Juíza Substituta desta Vara, até o julgamento da causa (fls. 91/93). Na CTPS do promovente, constam os seguintes contratos de trabalho (fl. 131): - De 06.02.1974 a 13.11.2003, no qual o segurado laborou para a S.A. DE ELETRIFICAÇÃO DA PARAÍBA e, - de 01.01.1966 a 01.09.1968, no qual laborou para a R. SILVA & Cia Ltda. Também consta nos autos que o autor foi incorporado ao Exército, no período de 15.01.1965 a 21.12.1965, totalizando o tempo de serviço prestado àquela Força Armada onze meses e sete dias (fls. 103/103v), o qual deve ser computado para aposentadoria (artigo 55, inciso I, da Lei 8.213/91). A anotação relativa ao contrato de trabalho do autor com a empresa R. Silva & Cia. Ltda foi efetuada em cumprimento à sentença proferida em reclamação trabalhista (fl. 137). Com o fito de assegurar à averbação do tempo de serviço relativo à citada anotação (de 01.01.1966 a 01.09.1968), para fins de aposentadoria, o suplicante ingressou com o Mandado de Segurança nº 2000.82.00.11742-9, sendo a segurança denegada por este Juízo. Inconformado, o autor apelou ao Eg. TRF da 5ª Região, que reformou o julgado, determinando ao INSS que procedesse à averbação pleiteada (fls.182/186). O INSS interpôs recurso especial, provido pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme documentos juntados pela Assessoria deste Juízo às fls. 255/266. Diante de tal decisão, o tempo de serviço prestado à empresa R. Silva & Cia. Ltda não pode ser computado para fins de aposentadoria. Dessa maneira, cumpre analisar se o tempo de serviço do Exército (de 15.01.1965 a 21.12.1965) somado ao da SAELPA (de 06.02.1974 a 13.11.2003) são suficientes para assegurar a inativação do autor com proventos integrais. A Perícia Médica do INSS não enquadrou o período 06.02.1974 a 05.03.19971 como especial, sob a alegação de que "...a exposição ao agente nocivo eletricidade não ocorreu de acordo com o que determinavam os Decretos 53.831/64 e 3.048/99, nos Arts. 3º e 64, respectivamente, isto é, de forma habitual e permanente, pelas características das atividades desempenhadas." (fls. 143/143v). No entanto, colhe-se da leitura dos laudos técnicos periciais de fls. 106/109, emitidos por Engenheiro de Segurança do Trabalho, os quais foram submetidos ao réu quando do requerimento do benefício, os seguintes elementos relativos ao trabalho do autor junto à SAELPA: "SETOR DE TRABALHO: Trabalhava no campo, onde executava atividades a céu aberto, exposto às intempéries da natureza e aos riscos inerentes à energia elétrica, sob constante risco de acidentes e da própria vida. Serviços Realizados: * Efetuava montagem de medidores de energia elétrica; * Instalava transformadores de potência e de corrente nos sistemas de medição; * Instalava e testava medição em subestações; * Efetuava manutenção em medição industrial; * Inspecionava os equipamentos de medições para detectar defeitos;" CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO LOCAL DE TRABALHO: Presença de equipamentos energizados, onde o trabalhador ficava exposto aos riscos inerentes à energia elétrica". Segundo aquele laudo, os serviços acima descritos faziam parte da jornada diária daquele trabalhador (grifo nosso), tendo o profissional que o emitiu concluído que (fls. 106v, 107v, 108v e 109v): * "As atividades eram desenvolvidas em tensão elétrica superior a 250 volts; * O empregado executava suas atividades no campo, na presença de equipamentos elétricos energizados, expondo-se às descargas elétricas e aos seus efeitos nocivos à integridade física do trabalhador, em caráter habitual e permanente não ocasional nem intermitente; * A exposição ao agente nocivo que ainda persiste e qualificado no Laudo Técnico Pericial, refere-se à condição do ambiente de trabalho, visto que é inerente a atividade do empregado." (grifos nossos) A empresa empregadora do promovente, a SAELPA, por sua vez, emitiu o formulário "Informações Sobre Atividades Exercidas em Condições Especiais", esclarecendo que esse segurado executava as atividades mencionadas no laudo pericial em presença de equipamentos elétricos energizados, expondo-se às descargas elétricas e aos seus efeitos nocivos a integridade física do trabalhador, no campo, em caráter habitual e permanente, não ocasional nem intermitente (fls. 110, 111, 112 e 113). Como se vê de cada um daqueles documentos, harmoniosos e correspondentes, não se extrai conclusão outra que não o exercício da atividade perigosa pelo autor, de forma habitual e permanente, pois o que caracteriza a habitualidade e a permanência da atividade perigosa é a sujeição do trabalhador à exposição freqüente e duradoura aos agentes nocivos. No caso, a perícia realizada por Engenheiro de Segurança do Trabalho, especialista na área, foi concludente ao afirmar que os serviços descritos, equipamentos e cabos energizados faziam parte da jornada diária do autor, pelo que o trabalho exercido se subsume na moldura legal. Com efeito, não havendo na Lei n.º 8.213/91, nem em seu regulamento, nenhuma disposição que vincule a natureza habitual e permanente da exposição do trabalhador a agentes nocivos, ao total da jornada diária de trabalho, não encontra a conclusão do Setor de Perícias Médicas do INSS amparo legal, por restringir o alcance da norma previdenciária, máxime quando importa em desconsiderar mais de trinta e dois anos2 de atividade reconhecidamente perigosa, em detrimento da finalidade da lei, que busca compensar o risco ou desgaste a que submetido o trabalhador no exercício da atividade prejudicial à saúde e à integridade física, com a redução do tempo de serviço. Há de ser considerado, assim, que quando a norma exige, para que o tempo de atividade seja considerado especial, que o trabalho em condição insalubre ou perigosa seja "habitual e permanente", está querendo dizer que a exposição ao risco não pode ser apenas eventual, descontínua, ocasional, e não que tal exposição se dê durante toda a jornada. Nos presentes autos, o autor prova, através de documentos idôneos emitidos por profissional especializado, conforme exigido no artigo 58, § 1º da Lei 8.213/91, e por seu empregador, que desempenhava diuturnamente atividade perigosa, exposto ao risco (eletricidade com tensão acima de 250 volts) de maneira efetiva, habitual e permanente. Nesse sentido, os precedentes: "EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO. CUMULAÇÃO DE PEDIDOS INDEVIDA. REVISÃO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA PROPORCIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO/CONTRIBUIÇÃO. CONVERSÃO DE TEMPO ESPECIAL EM COMUM. CONSIDERAÇÃO DE SENTENÇA TRABALHISTA QUE RECONHECEU O DIREITO A ADICIONAL DE PERICULOSIDADE COMO INDÍCIO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EM ATIVIDADE PERIGOSA PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. PROVA TESTEMUNHAL. INTERMITÊNCIA. INEXIGÊNCIA DE EXPOSIÇÃO A PERIGO NA INTEGRALIDADE DA JORNADA. PROVA TESTEMUNHAL. 1. Remessa Oficial tida por interposta, uma vez que a sentença de procedência foi prolatada contra a Autarquia Previdenciária. (...) 6. Finalmente, no caso específico da atividade perigosa, não se pode exigir que essa qualidade esteja presente durante toda a jornada de trabalho (v.g., AMS Nº 1998.01.00.056915-5, TRF-1ª Região, 1ª Turma Suplementar, Rel. Juiz Federal José Henrique Guaracy Rebelo, DJ de 05/11/2001, p. 769). De outra parte, "O agente nocivo eletricidade (acima de 250 volts) tem enquadramento no Decreto nº 53.831/64 até 05-03-97. Após, é necessária a verificação da periculosidade no caso concreto, por meio perícia judicial, a teor da Súmula 198 do extinto TFR. Em se tratando de periculosidade por sujeição a altas tensões elétricas, não é necessário o requisito da permanência, já que o tempo de exposição não é um fator condicionante para que ocorra um acidente ou choque elétrico, tendo em vista a presença constante do risco potencial, não restando desnaturada a especialidade da atividade pelos intervalos sem perigo direto" (AC nº 2000.01.00.068613-4/MG, TRF-1ª Região, 1ª Turma, Rel. conv. Juiz Federal Itelmar Raydan Evangelista, DJ de 04/12/2006, p. 15). Registre-se também que, conforme jurisprudência desta Corte, a exigência de laudo pericial somente pode se dar a partir de 10.12.97, data da publicação da Lei n. 9.528/97. (...) (AC 199835000178742/GO. TRF 1ª Região, Rel. Desembargador Federal Antônio Sávio de Oliveira Chaves, DJU 01.10.2007). "EMENTA: PROCESSUAL CIVIL PROCESSO EXTINTO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. ART. 515, § 3º, DO CPC. ANÁLISE. PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ATIVIDADE ESPECIAL. CONVERSÃO DO TEMPO ESPECIAL EM COMUM. ELETRICIDADE. INTERMITÊNCIA. RISCO DE VIDA. ENQUADRAMENTO. 1. Em conformidade com o disposto no artigo 515, § 3º, do CPC, é possível ao Tribunal julgar o presente mandamus, porquanto carreada aos autos prova pré-constituída, sendo, portanto, adequada a via eleita. 2. Uma vez exercida atividade enquadrável como especial, sob a égide da legislação que a ampara, o segurado adquire o direito ao reconhecimento como tal e ao acréscimo decorrente da sua conversão em comum. 3. Constando dos autos a prova necessária a demonstrar o exercício de atividade sujeita a condições especiais, conforme a legislação vigente na data da prestação do trabalho, deve ser reconhecido o respectivo tempo de serviço. 4. Mesmo que a atividade desempenhada pelo impetrante não seja a de eletricista, é qualificada como especial, nos termos do Decreto nº 53.831/64, porquanto estava em contato com tensões superiores a 250 Volts. 5. A exposição de forma intermitente à tensão elétrica não descaracteriza o risco produzido pela eletricidade, uma vez que o perigo existe tanto para aquele que está exposto de forma contínua como para aquele que, durante a jornada, por diversas vezes, ainda que não de forma permanente, tem contato com a eletricidade. (MAS 200472000125751/SC. TRF 4ª Região, Rel. Desembargador Federal João Batista Pinto Silveira, DJU 11.04.2006). Registro que laudo emitido por médico ou engenheiro do trabalho goza de presunção de veracidade3, logo, seu conteúdo não pode simplesmente ser infirmado pela autarquia promovida, sem que esta demonstre e fundamente adequadamente o motivo para tal. Cumpre salientar que embora reconhecida a natureza especial da atividade desempenhada pelo autor no período de 06.02.1974 a 05.03.1997, este era insuficiente para a concessão da aposentadoria especial requerida em 15.05.2000, que exigia vinte e cinco anos de exposição ao agente nocivo eletricidade, com tensão acima de 250 volts, de modo habitual e permanente. Ainda que não tenha direito à aposentadoria especial, faz jus o autor à majoração do tempo de serviço especial (de 06.02.1974 a 05.03.1997), mediante aplicação do fator 1,4 sobre tal período. Ressalte-se que a conversão do tempo de serviço prestado em atividade especial para atividade comum, prevista na legislação previdenciária, objetiva dar ao segurado uma compensação pelo exercício da atividade penosa, insalubre ou perigosa, quando o tempo de serviço prestado naquelas condições especiais não for suficiente para a obtenção da aposentadoria especial com proventos integrais. E não poderia ser de outro modo, pois não é justo que um trabalhador que tenha exercido em certo período atividade penosa, tenha de se submeter a regra geral dos demais segurados, ou seja, aposentadoria aos trinta e cinco anos, sem ser recompensado pelo desempenho daquela função em condições adversas. Essa é a finalidade da contagem acrescida do tempo de serviço disciplinada na Lei 8.213/91 e regulamento: amparar aquele segurado que se afastou do exercício das atividades prestadas em condições adversas sem ter atingido o tempo necessário para usufruir o direito de aposentar-se com tempo de serviço abreviado. Neste caso, tendo o segurado de sujeitar-se às condições estabelecidas para a aposentadoria comum, o RGPS admite a conversão do tempo de serviço prestado em condição especial. Concluindo, o tempo de serviço referente ao período 06.02.1974 a 05.03.1997 deve ser computado com acréscimo de 40%, em virtude do autor ter desempenhado suas funções expondo-se de modo habitual e permanente ao agente nocivo eletricidade, com tensão superior a 250 volts. Do direito à aposentadoria com proventos integrais Ultrapassada a questão referente à conversão do tempo de serviço, impende analisar se o autor faz jus à aposentadoria integral. Como dito anteriormente, o tempo de serviço/contribuição desse segurado é o seguinte: - Exército brasileiro - de 15.01.1965 a 21.12.1965, totalizando onze meses e sete dias: - SAELPA - de 06.02.1974 a 13.11.2003. Rememorando, o tempo de serviço/contribuição para a empresa R. Silva & Cia Ltda (de 01.01.1966 a 01.09.1968) não deve ser computado, em virtude da decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 255/266). A Emenda Constitucional nº 20/98, conhecida como Reforma da Previdência, instituiu novas regras para a concessão de aposentadoria, ressalvando, porém, o direito daquele segurado que, até a data da publicação da citada Emenda, já houvesse preenchido os requisitos exigidos para a concessão daquele benefício, com base nos critérios da legislação então vigente, a teor do disposto no seu art. 3º, in verbis: "Art. 3º - É assegurada a concessão de aposentadoria e pensão, a qualquer tempo, aos servidores públicos e aos segurados do regime geral de previdência social, bem como aos seus dependentes, que, até a data da publicação desta Emenda, tenham cumprido os requisitos para a obtenção destes benefícios, com base nos critérios da legislação então vigente". Dessa maneira, impende verificar, ab initio, se o autor preencheu os requisitos para obtenção de aposentadoria até a data da publicação daquela EC (16.12.1998). Aplicando o fator de conversão 1,4 sobre o período de 06.02.1974 a 05.03.1997 e adicionando o resultado aos outros períodos trabalhados até 16.12.1998, vê-se que nessa data o autor já havia preenchido os requisitos exigidos para aposentadoria integral, senão vejamos: 1. Exército brasileiro - de 15.01.1965 a 21.12.1965, contado de modo singelo, totaliza trezentos e trinta e sete dias ou onze meses e sete dias: 2. SAELPA: 2.1. de 06.02.1974 a 05.03.1997, contado com acréscimo de 40%, totaliza 11.634 dias ou 32 anos, 03 meses e 24 dias; 2.2. de 06.03.1997 a 15.12.1998, contado de modo singelo, totaliza seiscentos e quarenta dias ou 01 ano, nove meses e dez dias. - TEMPO DE SERVIÇO ATÉ 16.12.1998 - doze mil, seiscentos e onze dias ou 35 (trinta e cinco anos) e 11 (onze) dias. Em 28.11.1999, dia imediatamente anterior ao da vigência da Lei 9.876/99, o autor contava com 35 (trinta e cinco) anos, 11 (onze) meses e 24 (vinte e quatro) dias de serviço. Destaque-se que o suplicante permaneceu em atividade até 13.11.2003, quando rescindiu seu contrato de trabalho com a SAELPA (fl. 131), atingindo nessa data 39 (trinta e nove) anos, 11 (onze) meses e 09 (nove) dias de contribuição. Diante disso, vê-se que o benefício concedido ao autor em 28.09.2005 - NB 139.029.987-0 (fl. 158) - não só deve ser mantido, como também, transformado em aposentadoria com proventos integrais, cabendo ao INSS adotar a forma de cálculo mais benéfica para o demandante, dentre as possíveis: a) cálculo com base na média aritmética simples dos últimos trinta e seis salários-de-contribuição anteriores a dezembro/98, conforme dispunha a legislação anterior à EC 20/98; b) cálculo com base na média aritmética simples dos últimos trinta e seis salários-de-contribuição anteriores a novembro/99, sem incidência do fator previdenciário4; c) cálculo com base na média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição correspondente a 80% (oitenta por cento) de todo o período contribuído desde julho/94 até a DER (28.09.2005), multiplicada pelo fator previdenciário, nos termos do artigo 29, inciso I, da Lei 8.213/915 e do artigo 3º da Lei 9.876/996. A tal propósito, os precedentes da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos JEF's e do TRF da 4ª Região, assim ementados: "PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DA INTERPRETAÇÃO DE LEI FEDERAL. CONTRARIEDADE À JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA CARACTERIZADA. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO ADMITIDO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DO DIREITO ADQUIRIDO DO SEGURADO AO CÁLCULO DA RENDA MENSAL INICIAL DE SUA APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO CONSOANTE AS NORMAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE ELE REUNIU TODOS OS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA OBTÊ-LA. Demonstrado que o acórdão da Turma Recursal de origem contraria a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, e preenchidos os demais requisitos legais, admite-se o pedido de uniformização. O cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por tempo de serviço, se mais vantajoso que aquele efetuado à época do requerimento administrativo do benefício, deve observar os parâmetros vigorantes à época em que o segurado reuniu todos os requisitos necessários para obtê-la". (TNU, Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei Federal nº 200583200099836, Relator Juiz Federal Sebastião Ogê Muniz, DJ 15.05.2007). "APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. TEMPO DE SERVIÇO RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL. PROVA DE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. DESNECESSIDADE. EC 20/98. LEI 9876/99. (...) 3. Somando-se o tempo rural ora reconhecido com o tempo de serviço reconhecido administrativamente pelo INSS, verifica-se que a parte autora implementou os requisitos para a aposentadoria por tempo de serviço integral pelas regras antigas (até a EC 20/98), a aposentadoria por tempo de contribuição pelas regras permanentes (sem a incidência do fator previdenciário e com PBC dos últimos 36 salários-de-contribuição computados até 28-11-99) e a aposentadoria por tempo de contribuição pelas regras permanentes (já com a incidência do fator previdenciário e com PBC de todo o período contributivo desde 07-94 até a data da DER - 29-03-01). Assim, possui direito adquirido à aposentadoria na forma de cálculo que lhe for mais vantajosa, devendo a Autarquia previdenciária apurar e conceder o benefício mais benéfico ao demandante, desde a data do requerimento administrativo. 4. Tutela antecipada deferida. Apelo e remessa oficial desprovidos. (TRF 4ª Região, AC 20027005009160-7/PR, Rel. Desembargador Federal Otavio Roberto Pamplona, DJU 05.10.2005). Por fim, registro que ao declinar o pedido de tutela, o autor solicitou que o pagamento com os valores decorrentes da revisão pleiteada tivessem início a partir da data da concessão daquele medida, perdurando, pelo menos, até a prolação da sentença. Ocorre que o pedido de tutela foi indeferido e a medida cautelar posteriormente concedida não dizia respeito à revisão do cálculo concessório do benefício, assim, prejudicado o pedido de pagamento formulado em sede de antecipação da tutela. Ao formular o pedido definitivo, o segurado não requereu o pagamento de atrasados. Diante disso, descabe impor qualquer condenação pecuniária, sob pena de configurar decisão ultra petita. D I S P O S I T I V O Isso posto, julgo procedente o pedido, para condenar o INSS a transformar a aposentadoria proporcional do autor (NB 139.029.987-0) em aposentadoria integral, adotando para tanto a forma de cálculo mais vantajosa para o segurado. Condeno o promovido ao pagamento de honorários advocatícios, que arbitro em R$ 1.000,00 (um mil reais), atenta ao contido no artigo 20, § 4º, do CPC, e a ressarcir ao autor as custas adiantadas. Sentença sujeita a reexame necessário. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 10 de junho de 2008. Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara 1 O Decreto 2.172, de 05.03.1997, publicado no DOU de 06.03.1997, e o de nº 3.048/99, não classificam a eletricidade como agente nocivo à saúde, logo, a exposição a tal agente somente pode ser considerada atividade especial até 05.03.1997, dia imediatamente anterior ao da publicação do primeiro Decreto. 2 Não considerando o tempo acrescido (de 06.02.1974 a 05.03.1997) pela aplicação do fator de conversão 1.4 3 Precedente: TRF 5ª Região, AC 200380000129179/AL, Rel. Des. Federal Geraldo Apoliano, DJU 08.05.2006. 4 Lei 9.876/99: Art. 6o É garantido ao segurado que até o dia anterior à data de publicação desta Lei tenha cumprido os requisitos para a concessão de benefício o cálculo segundo as regras até então vigentes. 5 Lei 8.213/91: Art. 29. O salário-de-benefício consiste:" (NR) "I - para os benefícios de que tratam as alíneas b e c do inciso I do art. 18, na média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição correspondentes a oitenta por cento de todo o período contributivo, multiplicada pelo fator previdenciário;" (...) 6 Lei 9.876/99: Art. 3o Para o segurado filiado à Previdência Social até o dia anterior à data de publicação desta Lei, que vier a cumprir as condições exigidas para a concessão dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, no cálculo do salário-de-benefício será considerada a média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição, correspondentes a, no mínimo, oitenta por cento de todo o período contributivo decorrido desde a competência julho de 1994, observado o disposto nos incisos I e II do caput do art. 29 da Lei no 8.213, de 1991, com a redação dada por esta Lei. ?? ?? ?? ??

   

0002848-41.2008.4.05.8200 SINDICATO DOS AGRÔNOMOS, VETERINÁRIOS E ZOOTECNISTAS DOS ENTES PÚBLICOS NO ESTADO DA PARAÍBA - SINAVEZ (Adv. ANDRE WANDERLEY SOARES, IVANILDO PINTO DE MELO JUNIOR) x CRMV/PB - CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA NA PARAÍBA (Adv. LUIZ GONZAGA MEIRELES FILHO)

Ação ordinária Autor: SINDICATO DOS AGRÔNOMOS, VETERINÁRIOS E ZOOTECNISTAS DOS ENTES PÚBLICOS NO ESTADO DA PARAÍBA Réu: CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA NA PARAÍBA D E S P A C H O Trata-se de ação de rito ordinário ajuizada pelo Sindicato dos Agrônomos, Veterinários e Zootecnistas dos Entes Públicos no Estado da Paraíba - SINAVEZ contra o Conselho Regional de Medicina Veterinária na Paraíba - CRMV/PB, objetivando a devolução do valor a maior pago por seus filiados relacionados à fl. 34 ao réu, a título de anuidade, nos últimos cinco anos. Em caso como o dos autos, o Superior Tribunal de Justiça adota o seguinte entendimento: "EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE RITO ORDINÁRIO. ENTIDADE ASSOCIATIVA. LEGITIMIDADE ATIVA. INEXISTÊNCIA. 1. Em se tratando de ação de rito ordinário, a entidade sindical não tem legitimidade para postular em juízo, na qualidade de substituto processual, mas apenas como representante, afigurando-se, por isso mesmo, necessária a existência de autorização expressa (instrumento de mandato ou ata da assembléia geral com poderes específicos), não bastando previsão genérica do estatuto do ente respectivo. Precedentes do STF. (....) (RESp 281.434/PR, Rel. Ministro Fernando Gonçalves, DJU 29.04.2002). À vista do precedente acima reproduzido, fica o Sindicato autor intimado para, no prazo de 10 dias, emendar a inicial, acostando aos autos a ata da assembléia que autorizou o ajuizamento deste feito ou a autorização concedida por cada um dos substituídos para o mesmo fim, sob pena de extinção do processo, sem resolução do mérito. Atendida a determinação, renove-se a conclusão para apreciação do pedido de tutela. P. J. Pessoa, 10 de junho de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara

   

0002882-16.2008.4.05.8200 LUIZ JOSE DE OLIVEIRA NETO (Adv. DANIEL DALONIO VILAR FILHO, ISABEL XIMENES CARNEIRO DA CUNHA, ALEXANDRE BARBOSA DE LUCENA LEAL, ILANA FLAVIA BARBOSA VILAR, MARÍLIA DANIELLA FREITAS OLIVEIRA LEAL, CANDYCE EUGENIA DOURADO PREGUEIRO) x UNIÃO (Adv. SEM PROCURADOR)

Ação Ordinária Autor: Luiz José de Oliveira Neto Ré: União D E C I S Ã O Cuida-se de pedido de tutela antecipada em ação ordinária promovida por LUIZ JOSÉ DE OLIVEIRA NETO em face da UNIÃO, objetivando a sua imediata nomeação para o cargo de Técnico de Transporte do Ministério Público da União, bem como que seja determinada a suspensão do concurso interno de remoção previsto no Edital de nº. 17/2007. Alega, em apertada síntese, que foi aprovado no V Concurso Público para provimento de cargos das Carreiras de Analista e de Técnico do Ministério Público da União e formação do Cadastro de Reserva (vagas que surgirem ou forem criadas no prazo de validade do concurso), obtendo o 2º (segundo) lugar no referido certame, para o cargo de Técnico em Transporte, no Estado da Paraíba; que de acordo com o Edital de abertura PGR/MPU Nº. 18/2006, de 23 de outubro de 2006, nesta unidade da Federação seria ofertada 01 (uma) vaga; que após a publicação do resultado das provas objetivas (DJU 30.03.07) a ré fez publicar retificação do Edital PGR/MPU Nº. 18/2006, em 13.04.2007, tornando as vagas existentes em "provisórias"; seguidamente, a Procuradoria Geral da República publicou Edital de convocação (Edital PGR/MPU Nº. 05/2007) dos servidores ocupantes de cargos de Analista e Técnico do MPU para participarem de concurso interno de remoção; que, entretanto, não ocorreu remoção para a Paraíba, por não haver nenhuma indicação de vaga para o Estado nesse 1º concurso de remoção; que em 20.05.2007 foi realizada a prova prática, na qual o Autor permaneceu em 2º lugar no certame, para o respectivo cargo; após a homologação do resultado final do concurso (30.05.2007), por meio do Edital PGR/MPU Nº. 17/2007, publicado em 13.09.2007, ocorreu abertura de inscrição para a realização do 2º concurso interno de remoção, disponibilizando 02 (duas) vagas na Paraíba para o cargo de Técnico de Transporte; que, devido ao processo de remoção, as duas vagas para o cargo almejado - uma inicialmente prevista no edital de abertura e outra que surgiu no decorrer do certame - foram ocupadas por servidores do quadro, em preterição indireta ao direito do Autor. Por fim, requer a suspensão do concurso de remoção previsto no Edital de nº. 17/2007 e sua nomeação para o cargo de Técnico Apoio Especializado/Transporte do Ministério Público da União, na 2ª vaga oferecida na Paraíba, que surgiu no decorrer do concurso, para o qual obteve o segundo lugar. Acompanham a inicial procuração e documentos (fls. 37/259). DECIDO. Inicialmente, defiro o pedido de justiça gratuita, dada a presunção juris tantum de veracidade emanada da afirmação, salientando que, acaso elidida, o benefício será revogado e o suplicante ficará sujeito ao pagamento de até o décuplo do valor das custas judiciais. Compete, originalmente, ao Supremo Tribunal Federal, processar e julgar os mandados de segurança contra atos do Procurador-Geral da República (art. 102, I, da CF/88). Na presente ação, o autor busca a suspensão do Concurso de Remoção, proporcionado pela Retificação do Edital PGR/MPU nº 18, de 23.10.2006, que transformou as vagas definitivas, oferecidas no V Concurso de Servidores do MPU, em provisórias, em cumprimento à Lei 11.415, de 15.12.2006, requerendo, em sede de liminar, a imediata nomeação e posse no cargo Técnico de Transporte, para o qual foi aprovado e classificado em 2º lugar. Acontece que o ordenamento jurídico determina a vedação de medida cautelar inominada ou a liminar, no juízo de primeiro grau, quando impugnado ato de autoridade sujeita na via do mandado de segurança à competência originaria de tribunal, conforme o disposto no § 1º do art. 1º da Lei 8.437, de 30.06.1992, verbis: "§ 1º Não será cabível, no juízo de primeiro grau, medida cautelar inominada ou sua liminar, quando impugnado ato de autoridade sujeita, na via do mandado de segurança, à competência de tribunal. Por sua vez, dispõe a Lei 9.494/97: "Art. 1º Aplica-se à tutela antecipada prevista no art. 273 e 461 do Código de Processo Civil, o disposto nos artigos 5º e seu parágrafo único e 7º da Lei nº 4.348, de 26 de junho de 1964, no artigo 1º e seu parágrafo da Lei nº 5.021, de 9 de junho de 1966, e nos artigos 1º, 3º e 4º da Lei nº 8.437, de 30 de junho de 1992". ISSO POSTO, dada a vedação legal, indefiro o pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Registre-se. João Pessoa/PB, 04 de junho de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 1 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 03/Processo nº 2008.82.00.2882-1 1 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

   

0000065-76.2008.4.05.8200 FUNDACAO NACIONAL DE SAUDE - FUNASA (Adv. FRANCISCO DE ASSIS FILGUEIRAS ABRANTES) x EURIDES FERREIRA DE OLIVEIRA (Adv. MONICA CALDAS ANDRADE DE MIRANDA HENRIQUES, ANÉZIA MARIA NOGUEIRA CAMPOS BEZERRA, THIAGO CAMINHA PESSOA DA COSTA)

Intime-se a parte autora para apresentar documento idôneo que comprove a data de concessão de sua aposentadoria.

   

0004848-29.1999.4.05.8200 MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL (Adv. ANTONIO EDILIO MAGALHAES TEIXEIRA, MARCELO ALVES DIAS DE SOUZA) x FUNDACAO NACIONAL DO INDIO - FUNAI (Adv. RICARDO RAMOS COUTINHO, CLAUDIO SANTOS DE SOUZA) x UNIÃO (Adv. SEM PROCURADOR) x ABDON TEIXEIRA E OUTROS (Adv. EDNO MATIAS DOS SANTOS) x ANTONIO TRIGUEIRO ALVES E OUTRO (Adv. JOSENIR GONCALVES DOS SANTOS) x TERCEIROS E INTERESSADOS INCERTOS E NAO SABIDOS E OUTRO (Adv. SEM ADVOGADO) x MARIA HELENA RODRIGUES MONTEIRO (Adv. CARLOS NEVES DANTAS FREIRE, MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO, ANTONIO FAUSTO TERCEIRO DE ALMEIDA, AGNES PAULI PONTES DE AQUINO, ARLINGTON FRANCELINO A. DE CARVALHO) x MAURICIO DA SILVA COSTA E OUTROS (Adv. CARLOS NEVES DANTAS FREIRE, MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO, AGNES PAULI PONTES DE AQUINO, RAFAELA MARIA DE LIMA LOPES, AMANDA SOUTO CASADO FORTUNATO, ANTONIO TEODOSIO DA COSTA JUNIOR) x CELIA MARIA DE LIMA ARAUJO E OUTRO (Adv. ROBERTO VENANCIO DA SILVA) x SILVANO SOARES CARVALHO E OUTRO

AÇÃO CIVIL PÚBLICA AUTORES: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO RÉUS: ABDON TEIXEIRA e OUTROS S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Trata-se de ação civil pública, com pedido de liminar, proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO, através da qual pleiteiam provimento judicial para condenar os não índios na obrigação de fazer e não fazer, traduzida na retirada da área indígena (Praia de Coqueirinho) e na abstenção de promoveram invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações transferências de posse e outros atos restritivos de posse direta e usufruto exclusivo pelos integrantes da Comunidade Indígena Potiguara, contra: 1. ABDON TEIXEIRA; 2. GENISE DORIA DE LUCENA VERAS; 3 ARLETE DE ARAÚJO BRITO; 4. ANTONIO TRIGUEIRO ALVES; 5. MARIA DO CARMO DE LIMA ALVES; 6. PATRÍCIA TEIXEIRA; 7. MAURÍCIO DA SILVA COSTA; 8. LINCOLN BARROS VERAS; 9. PAULO VAMBERTO PATRÍCIO DE AQUINO; 10. JOSEFA ÂNGELA PONTES DE AQUINO; 11. CRISTIANO HENRIQUE LYRA DE ALMEIDA; 12. GILZA JOANA FERREIRA LYRA; 13. NIEDJA DE ALMEIDA BRITO LEMOS; 14. DOMINIQUES JACQUES HENRI MARC TOUPIN; 15. ELVIRA MARIA AGUIAR D'AMORIM; 16. RICARDO LINHARES MOURA MONTEIRO; 17. GEANI MOREIRA DA SILVA; 18. CÉLIA MARIA DE LIMA ARAÚJO; 19. JOÃO FERREIRA DA SILVA; 20. TERCEIROS E INTERESSADOS INCERTO E NÃO SABIDOS. Expõem que os réus edificaram clandestinamente moradias para veraneio na localidade denominada Coqueirinho ou Praia de Coqueirinho, localizada nos Municípios de Baia da Traição e Marcação, em área pertencente à União, destinada à posse e usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, conforme consta no Registro de Imóveis da Comarca de Rio Tinto e na Delegacia do Patrimônio da União neste Estado. Asseveram que as construções estão totalmente encravadas no interior do território indígena, de acordo com a plotagem das construções constante dos autos. Enfatizam que as construções clandestinas, sem qualquer registro, além de constituírem agressões ao bem da União e aos direitos dos indígenas, demonstram a má-fé dos réus, diante do que, deve-se aplicar à espécie o disposto no art. 547 do Código Civil. Fundamentam-se nos arts. 20, XI, 129, V, e 231, §§ 1º, 2º, 4º e 6º da Constituição Federal, 22 e 35 da Lei nº 6.001/73 e 5º da Lei nº 7.347/85, argumentando acerca da ilegalidade da ocupação da localidade Praia de Coqueirinho, parte do Território Indígena Potiguara, inserida no elenco de bens da União Federal, onde os réus construíram casas destinadas a veraneio. Juntaram os documentos de fls. 26/52. Pela decisão de fls. 71/74, foi indeferida a liminar como pleiteada na inicial, pelo MM. Juiz Federal Substituto da 2ª Vara desta Seção Judiciária, para a qual foi distribuído originalmente o presente feito. Devidamente intimada, à fl. 12, a União Federal manifesta seu interesse de integrar o pólo ativo do feito, aderindo aos termos da inicial. Contestações: Paulo Vamberto Patrício de Aquino e s/mulher Josefa Ângela Pontes de Aquino (fls. 93/110), Cristiano Henrique Lyra de Almeida e s/mulher Gilza Joana Ferreira Lyra (fls. 119/137), Niedja de Almeida Brito (fls. 146/161), Genise Dória de Lucena Veras e s/marido Lincoln Barros Veras (fls. 170/187), Dominiques Jacques Henri Marc Toupin e s/mulher Elvira Maria Aguiar D'amorim (fls. 199/216), Maurício da Silva Costa (fls. 228/243), Antonio Trigueiro Alves e s/mulher Maria do Carmo de Lima Alves (fls. 268/270), Arlete de Araújo brito (fls. 274/277), Célia Maria de Lima Araújo e s/marido João Ferreira da Silva (fls. 361/363), Ricardo Linhares Moura Monteiro (fls. 373/389), Silvano Soares de Carvalho (fls. 392/406), Maria José Lima de Carvalho (fls. 508/518), Geani Moreira da Silva (fls. 886/887) e Maria Helena Rodrigues Monteiro (934/941). Citados por precatória, os réus Abdon Teixeira e Patrícia Teixeira não apresentaram contestação. Os réus contestantes alegam, em síntese, a nulidade originária da ação intentada, apontando impropriedade da via eleita e irregularidades no processo administrativo de demarcação da terra indígena Potiguara, tendo em vista a existência de proprietários na área com título de domínio, aduzindo, também, ausência do devido processo legal e do contraditório, em razão do referido processo administrativo e, ainda, a necessidade de convocação da União e do Município de Marcação e dos titulares do domínio. No mérito, todos alegaram posse mansa, pacífica e de boa-fé. Às fls. 281/290, juntada petição comunicando a interposição de agravo de instrumento pelo MPF. Às fls. 293/294, decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 2000.05.00.17969-5, concedendo a liminar substitutiva. Cumprimento à fl. 296. Pelo despacho de fl. 356, em razão da prevenção deste Juízo, por haver despacho em primeiro lugar a Ação Civil Pública nº 99.49731, o Juiz Federal da 1ª Vara determinou a remessa dos autos a esta 3ª Vara. Às fls. 555/558, foi juntado o Termo de Inspeção "in loco",efetuada para apurar o suposto descumprimento da aludida liminar substitutiva. Pelo despacho de fl. 591, em razão da existência de cinco ações civis públicas sobre a mesma área, foi determinado que audiência designada nos autos da ação 99.4971-3 deveria servir a todos os processos, por questão de economia processual. Acatada pelo Juízo o pedido formulado pelo MPF de não aplicação dos efeitos materiais da revelia aos réus Abdon Teixeira e Patrícia Teixeira, uma vez que os demais réus contestaram o feito - fl. 564. Às fls. 626/68, encontram-se encartadas as atas da audiência de inquirição de testemunhas e respectivos termos, envolvendo todas as ações civis conexas. Trasladada para os autos o Termo de Audiência e terceira inspeção "in loco"(fls. 803/814). Decretada a extinção do processo em relação aos réus Silvando Soares de Carvalho e s/mulher Maria José Lima de Carvalho, por ter sido constatada a litispendência (fls. 820/821). Aberto prazo para alegações finais, fl. 813. a) a União Federal, às fls. 825/828, pugnando, ao final, pela procedência do pedido; b) os réus Francisco da Costa Medeiros, Elizabeth do ó Lemos, José Veras de Almeida Júnior, Elnize Dantas Veras, José Fernandes de Lima Filho, Lúcia Helena Mulatinho Fernandes, Leonardo de Melo Borges, Newton Luiz de Araújo Lima, Aluízio Nunes de Lucena, Zeide de Oliveira Pontual, e seus filhos representados ou assistidos, ou ainda na qualidade de terceiros interessados, Pétala de Oliveira Pontual, Ubirá Pontual de Sousa, Paulo Vamberto Patrício de Aquino, Josefa Ângela Pontes de Aquino, George Gonçalves Ramos, Sandra Pereira de Oliveira, Niedja de Almeida Brito, Severino Nunes de Lucena, Chintia Denize Silva Cordeiro de Lucena, José Luciano Pessoa de Paiva, Giselle Dantas de Lucena, Silvano Soares de Carvalho, Maria Jose Lima de Carvalho, Genise Dória de Lucena Veras, Lincoln Barros Veras, Cristiano Henrique Lyra de Almeida, Gilza Joana Ferreira Lyra, Dominiques Jacques Henri Marc Toupin, Maria Aguiar D'amorim, Maurício da Silva Costa, Ricardo Linhares Moura Monteiro, Newton Eudes Tavares, Gilberto Dória de Lucena, Roseane das Graças de Araújo Lima, Hebert de Miranda Henriques Filho, Ivanilton Lins Modesto, Carla Franca Modesto, Newton Soares de Oliveira, José Maranhão Silva, Rubem Gláucio de Medeiros Brandão, Thereza Helena Gabínio Borges Chagas, Domingos Chagas Neto, Girlan Dória de Lucena, Jóse Ferreira Filho, Luiz Severiano da Nóbrega e Outros, às fls. (830/840), nesta e noutras ações conexas, pugnaram pela improcedência da demanda (fls. 830/840); c) o Ministério Público Federal e a FUNAI, em alegações conjuntas, às fls. 847/862, pedem a procedência do pedido. Após a impugnação da contestação apresentada pela Ré Maria Helena Rodrigues Monteiro, vieram-me os autos conclusos. Relatados, no essencial. Passo a decidir. F U N D A M E N T A Ç Ã O A demanda objetiva a retirada dos não índios da Praia de Coqueirinho, encravada na Terra Indígena Potiguara, declarada como tal pelo Decreto nº 89.256, de 28 de dezembro de 1983, cuja demarcação administrativa foi homologada pelo Decreto nº 267, de 29 de outubro de 1991, devidamente registrada no Cartório Imobiliário da Comarca de Rio Tinto, matriculas número 900 (Município de Rio Tinto) e 901 (Município de Baía da Traição), além de estar registrada como Próprio Nacional na Secretaria do Patrimônio da União sob o nº 02/1995, conforme comprovam os documentos de fls. 26/33, determinando, ainda, a perda de toda e qualquer construção edificada na área para os índios da região. Aprecio, primeiramente, a preliminar de impropriedade da via eleita, argüida pelo réu Paulo Vanberto Patrício de Aquino e outros defendidos pelos Advogados Carlos Pessoa Dantas Freire e Agnes Pauli Pontes de Aquino, em seguida, as demais questões de mérito. A modalidade de processo e de provimento escolhida pelos autores é adequada e útil para obter a tutela da situação material descrita na petição inicial, e não há vedação legal ao pedido. Some-se a isso, o fato de que a legitimidade do Ministério Público Federal para propor a presente ação é conferida pela Constituição Federal, em seu art. 129 V, que dispõe expressamente que lhe compete "defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas". Preliminar de escolha do procedimento incompatível com a natureza da causa rejeitada. No que tange ao chamamento do Município de Marcação, dos herdeiros de Francisco Januário Marques e da Holanda Imobiliária Ltda. não se mostra juridicamente possível, em face da violação que esse procedimento ocasionaria ao disposto no art. 2621 do CPC. Portanto, indefiro o pedido. Quando à questão da inconstitucionalidade do Decreto Presidencial nº 89.256, publicado no Diário Oficial da União de 29 de dezembro de 1983, que declarou a área como Terra Indígena Potiguara, considerado o cerceamento do direito de defesa, em face do alegado caráter necessário da convocação de todos os interessados, à luz do inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, bem como a inexistência de posse imemorial dos índios na área em apreço, dizem respeito, na verdade, ao mérito. Mas tais questionamentos já foram superados, em face da ocorrência de prescrição do fundo do direito, tendo em vista que, desde a data da declaração de ocupação indígena até a propositura das contestações, transcorreram muito mais de 5 (cinco) anos, de acordo com o art. 1º2 do Decreto-lei nº 20.910/32. Além disso, somente quem lá se encontrava, naquela oportunidade, na posse ou no domínio, tinha condições de se insurgir contra o referido decreto, diferentemente do mero ocupante ou invasor e aqueles que invadiram a área após o Decreto Presidencial, aos quais não assiste direito algum. Como se não bastasse, a existência de domínio é insuscetível de produzir efeito jurídico válido, e mesmo que houvesse título anterior de propriedade conferido a terceiro, não está ele imune de ser desapossado da reserva indígena, cabendo-lhe tão-somente pleitear eventual indenização, quanto às benfeitorias de boa-fé, uma vez que as questões relativas às terras ocupadas pelos índios só podem ser dirimidas à luz da Constituição Federal, no art. 231, caput, §§ 1º, 2º ,4º e 6º, in verbis: Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 4º - As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé (g.n.). Conforme visto, a norma não só reconhece aos índios o direito originário sobre a terra que tradicionalmente ocupam, como decreta nulos os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse dessas terras. Por outro lado, o Decreto nº 89.256/83 foi expedido sob a égide da Constituição Federal de 1967, com redação que lhe foi conferida pela Emenda nº 01/69, que dispunha em seu art. 198, caput, e parágrafos: "Art. 198. As terras habitadas pelos silvícolas são inalienáveis nos termos em que a lei federal determinar, a eles cabendo a sua posse permanente e ficando reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades nela existentes. §1º.São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para as suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. §2º.As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se à sua posse permanente, cabendo-lhe o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. [...[ §4º.As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis" (g.n.). O aludido decreto nada mais fez do que reconhecer uma situação preexistente, qual seja, a de que a área de terras, nos Municípios de Baia da Traição e Rio Tinto, encontrava-se na posse permanente dos Índios Potiguaras, deixando clara a vedação de ocupação de tal área por particulares. No que pertine às construções erguidas pelos réus, verifico que são encontradas entre os marcos 900 e 1000, de seguintes coordenadas geográficas e seguimento: "... até o marco M-900 de coordenadas geográficas 06º42 '06",829 S e 34º56 '05",321 Wgr. Situado na Praia da Trincheira; daí segue acompanhado a orla marítima com distância 7.442,64m, até o Marco M-1000"de coordenadas geográficas 06º45 '10", 464 S e 34º56 '24", 432 Wgr, situado na foz do Rio Estiva, margem esquerda"(g.n.). É incontroverso nos autos que os réus ocupam ilegalmente terras de posse permanente e exclusiva da Comunidade Indígena Potiguara, conforme ilustra a plotagem das construções, encartada à fl. 38, a qual abrange a área da Praia de Coqueirinho, estando caracterizada, portanto, como terra tradicionalmente ocupada pelos índios para efeito de incidência do art. 231, caput e § 6º da atual Constituição Federal. É fato notório que as terras declaradas de ocupação dos silvícolas não podem ser ocupadas pelos réus, na medida em que a posse permanente e o usufruto exclusivo dos índios excluem a posse ou ocupação não-índia. Sem maiores aprofundamentos doutrinários, a meu viso, os réus não possuem o direito que pretendem ver reconhecido, qual seja, de permanecerem na área tradicionalmente ocupadas pelos indígenas da região, cuja posse, além de ilegítima, é de má-fé, sabendo trata-se de bem inalienável, indisponível e insuscetível de prescrição aquisitiva, significando dizer que não pode ser apropriado pelo particular, posto pertencer ao patrimônio da União Federal por disposição constitucional. Para bem esclarecer como funcionava o sistema de aquisição dos terrenos para construção das casas dos veranistas, extraí do depoimento da testemunhas Maria Jose da Silva (fls. 665/674), de 80 anos, não índia, residente em coqueirinho, a seguintes ilações: "...perguntada se os ex-caciques Elias, Manoel Caboclo, pai do atual cacique Robson, General, Cara Peba, Loiça, Edson, Heleno, fizeram doações de terrenos ou os venderam, respondeu que eles venderam terrenos e também os trocaram por televisores, cimento, telhas, tijolos, móveis, geladeira, fogões etc. Que os ditos caciques acima nominados trabalharam na construção das residências dos posseiros de Coqueirinho,; que 'Cara Peba'é pedreiro e construiu casas em coqueirinho; que se fala que as casas de Coqueirinho vão ser ocupadas pelo indígenas da Aldeia da Funai, de nome 'Forte'; que não sabe informar se a Funai já fez a relação das casas e do indígenas que vão ocupar as casas de coqueirinho; que nenhum dos posseiros invadiu qualquer área de coqueirinho, pois todos os terrenos foram vendidos ou trocados pelos nativos, com acima foi dito, que foram os próprios vendedores acima nominados que indicavam os locais para os posseiros edificarem as casas; que era do conhecimento dos residentes em Camurupim e no Forte de que as pessoas acima nominadas vendiam terrenos lá em Coqueirinho aos hoje possuidores e réus desta ação;..." A Testemunha João Soriano da Silva, conhecido como "Seu Bão" quando prestou seu depoimento disse: "...que é verdade que algumas casas de Coqueirinho foram construídas e outras compradas dos habitantes de Coqueirinho, e a venda foi feita pelos cablocos que 'se danavam no meio do mundo' e depois voltavam querendo o imóvel de volta; que o ex-cacique 'Elias' e o habitante 'Pagão'ajudaram na construção de e também venderam casas; que 'Cara Peba'também vendeu casas e trabalhou na construção de casas...;. O próprio JÁRIO JANUÁRIO MARQUES, herdeiro de Francisco Januário Marques, que, por sua vez, era o titular do domínio da área em questão, desde o ano de 1921, afirmou que "sempre soube a terra de Coqueirinho é da União". E mais: "[...] à suas reperguntas foi dito que seu pai lhe dizia que suas terras não poderiam ser adquiridas, mas tão somente as benfeitorias feitas na terra, e dito fato comentado pelo pai dele data de antes de 1921, pois o pai dele vinha adquirindo coqueiral plantado por outros moradores; que repete que a terra é da União, pois não poderia adquirir a propriedade dela[...]" - fl. 660 (grifei). Com efeito, o Termo de Doação de um terreno medindo 12x30 para edificação do imóvel do réu Antonio Trigueiro Alves e s/mulher Maria do Carmo Lima Alves, subscrito pelo Cacique Elias Soares da Silva, coincide com o relato das testemunhas (fl. 178). De igual modo, a escritura pública de doação lavrada em favor do Guilherme Victor Machado Cordeiro, que posteriormente vendeu à ré Maria Célia de Lima Araújo, firmada pelo Cacique Djalma Domingos da Silva (fls. 269/372). Não acolho a tese das defesas de que os réus agiram de boa-fé, porque estou convencida de que eles tinham conhecimento da ilicitude de seus atos. Isso porque os promovidos sabiam que estavam usando, gozando e usufruindo indevidamente da coisa alheia, sendo ainda mais grave quando o uso, gozo e fruição é de área afetada para fins específicos de proteção jurídica, social, antropológica, econômica e cultural da Comunidade Indígena Potiguara, desautorizados para tanto, sem o recolhimento de qualquer quantia aos cofres do verdadeiro titular do domínio, in casu, a União Federal. Em assim procedendo, agiram de má-fé - pois, de pronto, não ignoravam a existência de vício que torna a posse deles ilegítima. Os caciques, na verdade, não são proprietários, mas apenas usufrutuários da terra e, por isso, qualquer alienação por parte dos silvícolas é nula, nos termos dos dispositivos constitucionais acima reproduzidos. Em conseqüência, não assiste aos particulares direito a qualquer indenização, pois é de todo sabido que tal direito somente é conferido ao possuidor de boa-fé e, no caso em apreço, a má-fé exsurge do próprio modo de aquisição dos lotes de terreno, quando existente dispositivo constitucional e legal vedando esse tipo de avença. Diante desse quadro, não há como considerar os promovidos possuidores de boa-fé, ao reverso, a má-fé decorre claramente da disposição de violar a Constituição e a lei, pelo que é descabida a pretensão ao reconhecimento do direito à indenização em razão das casas para veraneio edificadas na área indígena, as quais não se confundem com benfeitorias necessárias, nos termos do art. 63, § 3º, do Código Civil anterior, as únicas a que faz jus o possuidor de má-fé. Benfeitorias necessárias são obras ou despesas efetuadas na coisa para conservá-la ou evitar que se deteriore; acessões, por sua vez, são obras que criam coisas novas, diferentes, que vêm aderir à coisa anteriormente existente, razão pelas quais obedecem regras próprias. Destarte, no momento em que os promovidos adquiriram terrenos diretamente dos índios, para construção de suas casas, mediante compra e venda, troca ou "doação", sabedores da ilicitude, pois a ninguém é dado alegar desconhecimento da lei, conseqüentemente agiram de má-fé, daí porque não lhes é dado o direito de indenização em face das acessões, posto que tudo aquilo construído no local atende exclusivamente à sua conveniência ou necessidade e não a da União, que nada aproveita ao recuperar a posse da área, tendo inteira aplicação o disposto no art. 547 do Código Civil, em vigor à época da propositura desta ação, in verbis: "Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções, mas tem direito à indenização. Não o terá, porém, se procedeu de má-fé, caso em que poderá ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos". A propósito, veja-se a lição de Silvio Rodrigues: "Se, entretanto, procedeu de má fé, sabendo que o terreno era de outrem, a reação da lei é bastante severa: o plantador ou construtor não apenas perderá o direito à indenização, como pode ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos que houver causado". (Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, pág. 99). Nesse mesmo diapasão é também o ensinamento de Washington de Barros Monteiro, ao realçar que: "Vale dizer, se um construtor, por exemplo, edifica em terreno que supõe seu, age de boa fé e tem direito ao ressarcimento das acessões, embora as percas de modo automático. Desaparece, todavia, tal direito, se se comprova sua má fé, caso em pode até ser compelido a repor as coisas no estado anterior, pagando os prejuízos". (Curso de Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, 31ª ed. pág. 121). Ainda, na mesma esteira de entendimento ensina Clovis Beviláqua: "Conceder indenização ao que procedeu de má-fé seria fomentar a falta de escrúpulo e constranger o proprietário a despesas, que não desejaria fazer. Não é do lado do que anda de má-fé que se deve colocar o direito; sua função é proteger a atividade humana orientada pela moral ou, pelo menos, a ela não oposta". (Código Civil Comentado, vol. III/88, Livraria Franciso Alves, ed. 1953) No caso em tela, os réus adquiriram os terrenos por intermédio dos índios da região, como está comprovado nos autos, de acordo com os depoimentos das testemunhas; nele construíram casas destinadas a veraneio, agregando tudo à terra, e isso não pode ser considerado como conservação da coisa ou como impedimento a deteriorização da área indevidamente apossada, em desfavor da posse imemorial dos índios que tradicionalmente a ocupam, literalmente inviabilizando a aplicação do citado dispositivo constitucional, para efeito de usufruto exclusivo. Portanto, não há qualquer dúvida quanto à tese jurídica e à conseqüente existência do direito, em concreto. Contudo, há de se ter em conta a existência de moradores tradicionais dentro da localidade Coqueirinho, com aquiescência da população indígena, a exemplo da Srª. Maria José da Silva e o Sr. João Soriano da Silva, conhecido por "Bão", ambos com mais de 80 (oitenta) anos de idade, os quais não deverão ser atingidos pela sentença, ora proferida. Desta feita, os moradores tradicionais fazem jus ao usufruto da respectiva moradia, que se extinguirá com a morte, sem o direito de transmiti-lo aos seus sucessores, ficando a cargo da FUNAI o levantamento cadastral e ocupacional das pessoas não índias, nem tampouco veranistas, mas que se encontram dentro dos limites da Terra Indígena Potiguara há muito tempo, a fim que de que seja garantido o direito reconhecido neste ato, bem como a fiscalização quanto à extinção da situação excepcional delas. Verifico, por fim, que os autores, nas alegações finais, formularam pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Ante os fundamentos acima expostos, nada obsta a concessão da antecipação dos efeitos da tutela de mérito nesta ocasião, onde a decisão não mais se reveste de um juízo de mera verossimilhança, mas de cognição plena e exauriente. Ora, se é dado ao magistrado antecipar os efeitos da tutela de mérito pretendida através de decisão interlocutória, até mesmo antes da citação, através de cognição meramente sumária, com maior razão se faz presente a possibilidade de antecipar esses mesmos efeitos quando da prolação da sentença, eis que é a própria tutela de mérito que está sendo concedida. Não faria sentido permitir-se a "antecipação" dos efeitos da tutela de mérito, antes mesmo desta (a tutela de mérito) ser concedida, ainda no início do processo, e não admitir tal antecipação justamente quando da sentença final concessiva da tutela pretendida. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL. DESCABIMENTO COMO SUCEDÂNEO DO RECURSO PRÓPRIO. TUTELA ANTECIPADA. CONCESSÃO QUANDO DA SENTENÇA. CABIMENTO. PRECEDENTES (V.G. RR.MM.SS. 1.167-BA, 6.012-SP E 6.693-SP). DOUTRINA. RECURSO PROVIDO. I - No sistema anterior à Lei nº 9.139/95, descabia, exceto em casos de abuso ou manifesta teratologia, a pretensão de atacar diretamente a decisão judicial pela via do writ, uma vez que o mandado de segurança contra ato judicial recorrível vinha sendo admitido, por construção doutrinário-jurisprudencial, para comunicar efeito suspensivo ao recurso dele desprovido, em face da probabilidade de lesão dificilmente reparável. Com a referida lei, que deu nova redação ao art. 558, CPC, outra é a sistemática. II - Nos termos do enunciado nº. 267 da súmula/STF, reforçado após a Lei nº 9.139/95, que deu nova redação ao art. 558, CPC, "não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição". III - De acordo com precedente da Turma, e boa doutrina, a tutela antecipada pode ser concedida com a sentença" (RESP 299433/RJ ; Fonte DJ DATA:04/02/2002 PG:00381, Relator Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Data da Decisão 09/10/2001, Órgão Julgador T4 - QUARTA TURMA). No caso dos autos, além de presentes os fundamentos de mérito autorizadores da concessão, haja vista o reconhecimento do próprio direito vindicado, presente também a necessidade de se evitar mais danos à posse permanente das terras que tradicionalmente ocupam os índios da região, notadamente porque a área onde se encontra as construções edificadas pelos réus há muito já deveria ser utilizadas exclusivamente pela Comunidade Indígena Potiguara. Inafastável, ademais, é a aplicação do art. 71 do Decreto-lei nº 9.760/46, que dispõe: "O ocupante de imóvel da União, sem assentimento desta, poderá ser sumariamente despejado e perderá, sem direito a qualquer indenização, tudo quanto haja incorporado ao solo, ficando ainda sujeito ao disposto nos arts. 513, 515 e 517 do Código Civil'. Note-se que o fato de a sentença estar sujeita ao duplo grau de jurisdição não constitui óbice à concessão dos efeitos da tutela por ocasião da sentença, pois, mesmo nos feitos submetidos à condição do duplo grau obrigatório, a antecipação pode ocorrer por intermédio de decisão interlocutória. D I S P O S I T I V O Isso posto, julgo procedente o pedido, com resolução do mérito, para: a) determinar aos réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros não índios que se retirem da área da Terra Indígena Potiguara, a exceção dos moradores tradicionais da área, os quais serão objeto de levantamento cadastral e ocupacional por parte da FUNAI, além da fiscalização quanto à extinção da excepcional situação deles, conforme os fundamentos acima adotados (pág. 16, parágrafos 1º e 2º) b) Condenar os réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros, a se abster de promover invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações, permutas e transferência de posse; c) condenar os réus na perda de toda e qualquer casa edificada na Praia de Coqueirinho em favor da União, para usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, com todas as característica existentes. Antecipo os efeitos desta sentença, para determinar a imediata retirada dos réus, não índios, da área da Terra Indígena Potiguara (Praia de Coqueirinho), ressalvado os direitos dos moradores tradicionais, parcialmente garantidos no item "a"acima. A obrigação de fazer deverá ser satisfeita no prazo de 60 (sessenta dias), contados da data da intimação desta sentença, dentro do qual deverão ser retirados os pertences e utensílios domésticos dos réus, às suas expensas, sob pena de multa diária de R$ 100,00 (cem reais), em caso de descumprimento. Condeno, ainda, os réus ao pagamento de honorários advocatícios fixados em R$ 300,00 (trezentos reais) para cada um, a serem monetariamente corrigidos a partir da presente data. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 16 de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 1 Art. 262. O processo Civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial. 2 Art. 1º As dívidas da União, Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 (cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. ?? ?? ?? ?? 1 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 07/Processo nº 99.0004848-2 18 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

0004972-12.1999.4.05.8200 MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL (Adv. ANTONIO EDILIO MAGALHAES TEIXEIRA, MARCELO ALVES DIAS DE SOUZA) x FUNDACAO NACIONAL DO INDIO - FUNAI (Adv. RICARDO RAMOS COUTINHO, CLAUDIO SANTOS DE SOUZA) x UNIÃO (Adv. BENEDITO HONORIO DA SILVA) x JOSE MARANHAO SILVA E OUTROS (Adv. CARLOS NEVES DANTAS FREIRE, MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO, ANTONIO TEODOSIO DA COSTA JUNIOR, CARLOS NEVES DANTAS FREIRE, MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO, ANTONIO FAUSTO TERCEIRO DE ALMEIDA, ARLINGTON FRANCELINO AUGUSTO DE CARVALHO) x SEVERINO DOMICIANO CABRAL (Adv. EVANDRO NUNES DE SOUZA) x MARCOS ALFREDO DA ROCHA E OUTROS (Adv. SEM ADVOGADO) x CARLA AZEVEDO FRANCA MODESTO

AÇÃO CIVIL PÚBLICA AUTORES: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO RÉUS: JOSÉ MARANHÃO SILVA e OUTROS S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Trata-se de ação civil pública, com pedido de liminar, proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO, através da qual pleiteiam provimento judicial para condenar os não índios na obrigação de fazer e não fazer, traduzida na retirada da área indígena (Praia de Coqueirinho) e na abstenção de promoveram invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações transferências de posse e outros atos restritivos de posse direta e usufruto exclusivo pelos integrantes da Comunidade Indígena Potiguara, contra: 1. JOSÉ MARANHÃO SILVA; 2. GEORGE GONÇALVES RAMOS; 3. IVANILTON LINS MODESTO; 4. JOSÉ LUCIANO PESSOA DE PAIVA; 5. HEBERT DE MIRANDA HENRIQUES FILHO; 6. NEWTON EUDES TAVARES; 7. SANDRA PEREIRA DE OLIVEIRA; 8. GIZELE DANTAS DE LUCENA; 9. CARLA AZEVEDO FRANCA MODESTO; 10. DOMINGOS CHAGAS NETO JÚNIOR; 11. THEREZA HELENA GABÍNIO BORGES CHAGAS; 12. SEVERINO DOMICIANO CABRAL; 13. MARIA DE FÁTIMA; 14. MARIA DA PAZ LEITE; 15. SÔNIA SOUTO; 16. VALÉRIA SUELI NUNES CABRAL; 17. TERCEIROS E INTERESSADOS INCERTOS E NÃO SABIDOS. Expõem que os réus edificaram clandestinamente moradias para veraneio na localidade denominada Coqueirinho ou Praia de Coqueirinho, localizada nos Municípios de Baia da Traição e Marcação, em área pertencente à União, destinada a posse e usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, conforme consta no Registro de Imóveis da Comarca de Rio Tinto e na Delegacia do Patrimônio da União neste Estado. Asseveram que as construções estão totalmente encravadas no interior do território indígena, de acordo com a plotagem das construções constante dos autos. Enfatizam que as construções clandestinas, sem qualquer registro, além de constituírem agressões ao bem da União e aos direitos dos indígenas, demonstram a má-fé dos réus, diante do que, deve-se aplicar à espécie o disposto no art. 547 do Código Civil. Fundamentam-se nos arts. 20, XI, 129, V, e 231, §§ 1º, 2º, 4º e 6º da Constituição Federal, 22 e 35 da Lei nº 6.001/73 e 5º da Lei nº 7.347/85, argumentando acerca da ilegalidade da ocupação da localidade Praia de Coqueirinho, parte do Território Indígena Potiguara, inserida no elenco de bens da União Federal, onde os réus construíram casas destinadas a veraneio. Juntaram os documentos de fls. 27/49. Contestações: Newton Eudes Tavares (fls. 139/155), José Maranhão da Silva (fls. 172/183), Ivanilton Lins Modesto (fls. 187/198), George Gonçalves Ramos e s/mulher Sandra Pereira de Oliveira (fls. 207/222), José Luciano Pessoa de Paiva e s/mulher Giselle Dantas de Lucena (fls. 239/254), Hebert de Miranda Henriques Filho (fls. 271/287), Severino Domiciano Cabral (fls. 304/317), Carla Azevedo Franca Modesto (fls. 412/418), Thereza Helena Gabínio Borges Chagas e s/marido Domingos Chaves Neto (nomeados a autoria por Carla Azevedo Franca Modesto - fls. 436/449) Os réus contestantes alegam, em síntese, a nulidade originária da ação intentada, apontando impropriedade da via eleita e irregularidades no processo administrativo de demarcação da terra indígena Potiguara, tendo em vista a existência de proprietários na área com título de domínio, aduzindo, também, ausência do devido processo legal e do contraditório, em razão do referido processo administrativo e, ainda, a necessidade de convocação da União e do Município de Marcação e dos titulares do domínio. No mérito, todos alegaram posse mansa, pacífica e de boa-fé. Impugnações: às fls. 340/353 (FUNAI) e fls. 370/374 (MPF). Decisão deste Juízo no sentido de não aplicar os efeitos materiais da revelia, em face das esposas dos réus Ivanilton Lins Modesto, Hebert de Miranda Henriques Filho, Newton Eudes Tavares e Severino Domiciano Cabral, uma vez que esses contestaram o feito - fl.417. Às fls. 456/457, foi juntado o Termo de Inspeção "in loco", efetuada para apurar o suposto descumprimento da liminar substitutiva concedida nos autos do Agravo de Instrumento nº 29.360/Pb, interposto em face do indeferimento da liminar na Ação Civil Pública nº 99.4848-2 apensa. Trasladada para os autos o Termo de Audiência e segunda e terceira inspeção "in loco"(fls. 397/398 e 667/671, respectivamente). Designada audiência de instrução e julgamento que se realizou nos dias 02 e 03 de fevereiro de 2005, conforme termos de fls. 490/552. Aberto prazo para alegações finais, fl. 677. a) a União Federal, às fls. 705/708, pugnando, ao final, pela procedência do pedido; b) o Ministério Público Federal, às fls. 724/740, pede a procedência da demanda; c) a FUNAI, as fls. 742/750. d) os réus Francisco da Costa Medeiros, Elizabeth do ó Lemos, José Veras de Almeida Júnior, Elnize Dantas Veras, José Fernandes de Lima Filho, Lúcia Helena Mulatinho Fernandes, Leonardo de Melo Borges, Newton Luiz de Araújo Lima, Aluízio Nunes de Lucena, Zeide de Oliveira Pontual, e seus filhos representados ou assistidos, ou ainda na qualidade de terceiros interessados, Pétala de Oliveira Pontual, Ubirá Pontual de Sousa, Paulo Vamberto Patrício de Aquino, Josefa Ângela Pontes de Aquino, George Gonçalves Ramos, Sandra Pereira de Oliveira, Niedja de Almeida Brito, Severino Nunes de Lucena, Chintia Denize Silva Cordeiro de Lucena, José Luciano Pessoa de Paiva, Giselle Dantas de Lucena, Silvano Soares de Carvalho, Maria Jose Lima de Carvalho, Genise Dória de Lucena Veras, Lincoln Barros Veras, Cristiano Henrique Lyra de Almeida, Gilza Joana Ferreira Lyra, Dominiques Jacques Henri Marc Toupin, Maria Aguiar D'amorim, Maurício da Silva Costa, Ricardo Linhares Moura Monteiro, Newton Eudes Tavares, Gilberto Dória de Lucena, Roseane das Graças de Araújo Lima, Hebert de Miranda Henriques Filho, Ivanilton Lins Modesto, Carla Franca Modesto, Newton Soares de Oliveira, José Maranhão Silva, Rubem Gláucio de Medeiros Brandão, Thereza Helena Gabínio Borges Chagas, Domingos Chagas Neto, Girlan Dória de Lucena, Jóse Ferreira Filho, Luiz Severiano da Nóbrega e Outros, às fls. (767/777), nesta e noutras ações conexas, pugnaram pela improcedência da demanda (fls. 782/792). Liminar deferida em parte, às fls. 718/719, para que os réus se abstivessem de promover edificações de quaisquer espécies, assentamentos, alienações, permutas, transferência de posse envolvendo particulares. Vieram-me os autos conclusos. Relatados, no essencial. Passo a decidir. F U N D A M E N T A Ç Ã O A demanda objetiva a retirada dos não índios da Praia de Coqueirinho, encravada na Terra Indígena Potiguara, declarada como tal pelo Decreto nº 89.256, de 28 de dezembro de 1983, cuja demarcação administrativa foi homologada pelo Decreto nº 267, de 29 de outubro de 1991, devidamente registrada no Cartório Imobiliário da Comarca de Rio Tinto, matriculas número 900 (Município de Rio Tinto) e 901 (Município de Baía da Traição), além de estar registrada como Próprio Nacional na Secretaria do Patrimônio da União sob o nº 02/1995, conforme comprovam os documentos de fls. 26/33, determinando, ainda, a perda de toda e qualquer construção edificada na área para os índios da região. Aprecio, primeiramente, a preliminar de impropriedade da via eleita, argüida pelo réu Paulo Vanberto Patrício de Aquino e outros defendidos pelos Advogados Carlos Pessoa Dantas Freire e Agnes Pauli Pontes de Aquino, em seguida, as demais questões de mérito. A modalidade de processo e de provimento escolhida pelos autores é adequada e útil para obter a tutela da situação material descrita na petição inicial, e não há vedação legal ao pedido. Some-se a isso, o fato de que a legitimidade do Ministério Público Federal para propor a presente ação é conferida pela Constituição Federal, em seu art. 129 V, que dispõe expressamente que lhe compete "defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas". Preliminar de escolha do procedimento incompatível com a natureza da causa rejeitada. No que tange ao chamamento do Município de Marcação, dos herdeiros de Francisco Januário Marques e da Holanda Imobiliária Ltda. não se mostra juridicamente possível, em face da violação que esse procedimento ocasionaria ao disposto no art. 2621 do CPC. Portanto, indefiro o pedido. Quando à questão da inconstitucionalidade do Decreto Presidencial nº 89.256, publicado no Diário Oficial da União de 29 de dezembro de 1983, que declarou a área como Terra Indígena Potiguara, considerado o cerceamento do direito de defesa, em face do alegado caráter necessário da convocação de todos os interessados, à luz do inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, bem como a inexistência de posse imemorial dos índios na área em apreço, dizem respeito, na verdade, ao mérito. Mas tais questionamentos já foram superados, em face da ocorrência de prescrição do fundo do direito, tendo em vista que, desde a data da declaração de ocupação indígena até a propositura das contestações, transcorreram muito mais de 5 (cinco) anos, de acordo com o art. 1º2 do Decreto-lei nº 20.910/32. Além disso, somente quem lá se encontrava, naquela oportunidade, na posse ou no domínio, tinha condições de se insurgir contra o referido decreto, diferentemente do mero ocupante ou invasor e aqueles que invadiram a área após o Decreto Presidencial, aos quais não assiste direito algum. Como se não bastasse, a existência de domínio é insuscetível de produzir efeito jurídico válido, e mesmo que houvesse título anterior de propriedade conferido a terceiro, não está ele imune de ser desapossado da reserva indígena, cabendo-lhe tão-somente pleitear eventual indenização, quanto às benfeitorias de boa-fé, uma vez que as questões relativas às terras ocupadas pelos índios só podem ser dirimidas à luz da Constituição Federal, no art. 231, caput, §§ 1º, 2º ,4º e 6º, in verbis: Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 4º - As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé (g.n.). Conforme visto, a norma não só reconhece aos índios o direito originário sobre a terra que tradicionalmente ocupam, como decreta nulos os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse dessas terras. Por outro lado, o Decreto nº 89.256/83 foi expedido sob a égide da Constituição Federal de 1967, com redação que lhe foi conferida pela Emenda nº 01/69, que dispunha em seu art. 198, caput, e parágrafos: "Art. 198. As terras habitadas pelos silvícolas são inalienáveis nos termos em que a lei federal determinar, a eles cabendo a sua posse permanente e ficando reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades nela existentes. §1º.São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para as suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. §2º.As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se à sua posse permanente, cabendo-lhe o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. [...[ §4º.As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis" (g.n.). O aludido decreto nada mais fez do que reconhecer uma situação preexistente, qual seja, a de que a área de terras, nos Municípios de Baia da Traição e Rio Tinto, encontrava-se na posse permanente dos Índios Potiguaras, deixando clara a vedação de ocupação de tal área por particulares. No que pertine às construções erguidas pelos réus, verifico que são encontradas entre os marcos 900 e 1000, de seguintes coordenadas geográficas e seguimento: "... até o marco M-900 de coordenadas geográficas 06º42 '06",829 S e 34º56 '05",321 Wgr. Situado na Praia da Trincheira; daí segue acompanhado a orla marítima com distância 7.442,64m, até o Marco M-1000"de coordenadas geográficas 06º45 '10", 464 S e 34º56 '24", 432 Wgr, situado na foz do Rio Estiva, margem esquerda"(g.n.). É incontroverso nos autos que os réus ocupam ilegalmente terras de posse permanente e exclusiva da Comunidade Indígena Potiguara, conforme ilustra a plotagem das construções, encartada à fl. 38, a qual abrange a área da Praia de Coqueirinho, estando caracterizada, portanto, como terra tradicionalmente ocupada pelos índios para efeito de incidência do art. 231, caput e § 6º da atual Constituição Federal. É fato notório que as terras declaradas de ocupação dos silvícolas não podem ser ocupadas pelos réus, na medida em que a posse permanente e o usufruto exclusivo dos índios excluem a posse ou ocupação não-índia. Sem maiores aprofundamentos doutrinários, a meu viso, os réus não possuem o direito que pretendem ver reconhecido, qual seja, de permanecerem na área tradicionalmente ocupadas pelos indígenas da região, cuja posse, além de ilegítima, é de má-fé, sabendo trata-se de bem inalienável, indisponível e insuscetível de prescrição aquisitiva, significando dizer que não pode ser apropriado pelo particular, posto pertencer ao patrimônio da União Federal por disposição constitucional. Para bem esclarecer como funcionava o sistema de aquisição dos terrenos para construção das casas dos veranistas, extraí do depoimento da testemunhas Maria Jose da Silva (fls. 529/538), de 80 anos, não índia, residente em coqueirinho, a seguintes ilações: "...perguntada se os ex-caciques Elias, Manoel Caboclo, pai do atual cacique Robson, General, Cara Peba, Loiça, Edson, Heleno, fizeram doações de terrenos ou os venderam, respondeu que eles venderam terrenos e também os trocaram por televisores, cimento, telhas, tijolos, móveis, geladeira, fogões etc. Que os ditos caciques acima nominados trabalharam na construção das residências dos posseiros de Coqueirinho,; que "Cara Peba"é pedreiro e construiu casas em coqueirinho; que se fala que as casas de Coqueirinho vão ser ocupadas pelo indígenas da Aldeia da Funai, de nome "Forte; que não sabe informar se a Funai já fez a relação das casas e do indígenas que vão ocupar as casas de coqueirinho; que nenhum dos posseiros invadiu qualquer área de coqueirinho, pois todos os terrenos foram vendidos ou trocados pelos nativos, com acima foi dito, que foram os próprios vendedores acima nominados que indicavam os locais para os posseiros edificarem as casas,; que era do conhecimento dos residentes em Camurupim e no Forte de que as pessoas acima nominadas vendiam terrenos lá em Coqueirinho aos hoje possuidores e réus desta ação;..." A Testemunha João Soriano da Silva, conhecido como "Seu Bão" quando prestou seu depoimento disse: "...que é verdade que algumas casas de Coqueirinho foram construídas e outras compradas dos habitantes de Coqueirinho, e a venda foi feita pelos cablocos que 'se danavam no meio do mundo" e depois voltavam querendo o imóvel de volta; que o ex-cacique "Elias" e o habitante "Pagão"ajudaram na construção de e também venderam casas; que "Cara Peba"também vendeu casas e trabalhou na construção de casas...; (fl. 544). O próprio JÁRIO JANUÁRIO MARQUES, herdeiro de Francisco Januário Marques, que, por sua vez, era o titular do domínio da área em questão, desde o ano de 1921, afirmou que "sempre soube a terra de Coqueirinho é da União". E mais: "[...] à suas reperguntas foi dito que seu pai lhe dizia que suas terras não poderiam ser adquiridas, mas tão somente as benfeitorias feitas na terra, e dito fato comentado pelo pai dele data de antes de 1921, pois o pai dele vinha adquirindo coqueiral plantado por outros moradores; que repete que a terra é da União, pois não poderia adquirir a propriedade dela [...]" - fl. 524 (grifei). Com efeito, o Termo de Doação de um terreno medindo 12x30 para edificação do imóvel do réu Antonio Trigueiro Alves e s/mulher Maria do Carmo Lima Alves, subscrito pelo Cacique Elias Soares da Silva, coincide com o relato das testemunhas (fl. 178 dos autos da ACP nº 99.4848-2, apensa). De igual modo, a escritura pública de doação lavrada em favor do Guilherme Victor Machado Cordeiro, que posteriormente vendeu à ré Maria Célia de Lima Araújo, firmada pelo Cacique Djalma Domingos da Silva (fls. 269/372 dos autos da ACP nº 99.4848-2, apensa). Não acolho a tese das defesas de que os réus agiram de boa-fé, porque estou convencida de que eles tinham conhecimento da ilicitude de seus atos. Isso porque os promovidos sabiam que estavam usando, gozando e usufruindo indevidamente da coisa alheia, sendo ainda mais grave quando o uso, gozo e fruição é de área afetada para fins específicos de proteção jurídica, social, antropológica, econômica e cultural da Comunidade Indígena Potiguara, desautorizados para tanto, sem o recolhimento de qualquer quantia aos cofres do verdadeiro titular do domínio, in casu, a União Federal. Em assim procedendo, agiram de má-fé - pois, de pronto, não ignoravam a existência de vício que torna a posse deles ilegítima. Os caciques, na verdade, não são proprietários, mas apenas usufrutuários da terra e, por isso, qualquer alienação por parte dos silvícolas é nula, nos termos dos dispositivos constitucionais acima reproduzidos. Em conseqüência, não assiste aos particulares direito a qualquer indenização, pois é de todo sabido que tal direito somente é conferido ao possuidor de boa-fé e, no caso em apreço, a má-fé exsurge do próprio modo de aquisição dos lotes de terreno, quando existente dispositivo constitucional e legal vedando esse tipo de avença. Diante desse quadro, não há como considerar os promovidos possuidores de boa-fé, ao reverso, a má-fé decorre claramente da disposição de violar a Constituição e a lei, pelo que é descabida a pretensão ao reconhecimento do direito à indenização em razão das casas para veraneio edificadas na área indígena, as quais não se confundem com benfeitorias necessárias, nos termos do art. 63, § 3º, do Código Civil anterior, as únicas a que faz jus o possuidor de má-fé. Benfeitorias necessárias são obras ou despesas efetuadas na coisa para conservá-la ou evitar que se deteriore; acessões, por sua vez, são obras que criam coisas novas, diferentes, que vêm aderir à coisa anteriormente existente, razão pelas quais obedecem regras próprias. Destarte, no momento em que os promovidos adquiriram terrenos diretamente dos índios, para construção de suas casas, mediante compra e venda, troca ou "doação", sabedores da ilicitude, pois a ninguém é dado alegar desconhecimento da lei, conseqüentemente agiram de má-fé, daí porque não lhes é dado o direito de indenização em face das acessões, posto que tudo aquilo construído no local atende exclusivamente à sua conveniência ou necessidade e não a da União, que nada aproveita ao recuperar a posse da área, tendo inteira aplicação o disposto no art. 547 do Código Civil, em vigor à época da propositura desta ação, in verbis: "Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções, mas tem direito à indenização. Não o terá, porém, se procedeu de má-fé, caso em que poderá ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos". A propósito, veja-se a lição de Silvio Rodrigues: "Se, entretanto, procedeu de má fé, sabendo que o terreno era de outrem, a reação da lei é bastante severa: o plantador ou construtor não apenas perderá o direito à indenização, como pode ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos que houver causado". (Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, pág. 99). Nesse mesmo diapasão é também o ensinamento de Washington de Barros Monteiro, ao realçar que: "Vale dizer, se um construtor, por exemplo, edifica em terreno que supõe seu, age de boa fé e tem direito ao ressarcimento das acessões, embora as percas de modo automático. Desaparece, todavia, tal direito, se se comprova sua má fé, caso em pode até ser compelido a repor as coisas no estado anterior, pagando os prejuízos". (Curso de Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, 31ª ed. pág. 121). Ainda, na mesma esteira de entendimento ensina Clovis Beviláqua: "Conceder indenização ao que procedeu de má-fé seria fomentar a falta de escrúpulo e constranger o proprietário a despesas, que não desejaria fazer. Não é do lado do que anda de má-fé que se deve colocar o direito; sua função é proteger a atividade humana orientada pela moral ou, pelo menos, a ela não oposta". (Código Civil Comentado, vol. III/88, Livraria Franciso Alves, ed. 1953) No caso em tela, os réus adquiriram os terrenos por intermédio dos índios da região, como está comprovado nos autos, de acordo com os depoimentos das testemunhas; nele construíram casas destinadas a veraneio, agregando tudo à terra, e isso não pode ser considerado como conservação da coisa ou como impedimento a deteriorização da área indevidamente apossada, em desfavor da posse imemorial dos índios que tradicionalmente a ocupam, literalmente inviabilizando a aplicação do citado dispositivo constitucional, para efeito de usufruto exclusivo. Portanto, não há qualquer dúvida quanto à tese jurídica e à conseqüente existência do direito, em concreto. Contudo, há de se ter em conta a existência de moradores tradicionais dentro da localidade Coqueirinho, com aquiescência da população indígena, a exemplo da Srª. Maria José da Silva e o Sr. João Soriano da Silva, conhecido por "Bão", ambos com mais de 80 (oitenta) anos de idade, os quais não deverão ser atingidos pela sentença, ora proferida. Desta feita, os moradores tradicionais fazem jus ao usufruto da respectiva moradia, que se extinguirá com a morte, sem o direito de transmiti-lo aos seus sucessores, ficando a cargo da FUNAI o levantamento cadastral e ocupacional das pessoas não índias, nem tampouco veranistas, mas que se encontram dentro dos limites da Terra Indígena Potiguara há muito tempo, a fim que de que seja garantido o direito reconhecido neste ato, bem como a fiscalização quanto à extinção da situação excepcional delas. Verifico, por fim, que os autores, nas alegações finais, formularam pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Ante os fundamentos acima expostos, nada obsta a concessão da antecipação dos efeitos da tutela de mérito nesta ocasião, onde a decisão não mais se reveste de um juízo de mera verossimilhança, mas de cognição plena e exauriente. Ora, se é dado ao magistrado antecipar os efeitos da tutela de mérito pretendida através de decisão interlocutória, até mesmo antes da citação, através de cognição meramente sumária, com maior razão se faz presente a possibilidade de antecipar esses mesmos efeitos quando da prolação da sentença, eis que é a própria tutela de mérito que está sendo concedida. Não faria sentido permitir-se a "antecipação" dos efeitos da tutela de mérito, antes mesmo desta (a tutela de mérito) ser concedida, ainda no início do processo, e não admitir tal antecipação justamente quando da sentença final concessiva da tutela pretendida. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL. DESCABIMENTO COMO SUCEDÂNEO DO RECURSO PRÓPRIO. TUTELA ANTECIPADA. CONCESSÃO QUANDO DA SENTENÇA. CABIMENTO. PRECEDENTES (V.G. RR.MM.SS. 1.167-BA, 6.012-SP E 6.693-SP). DOUTRINA. RECURSO PROVIDO. I - No sistema anterior à Lei nº 9.139/95, descabia, exceto em casos de abuso ou manifesta teratologia, a pretensão de atacar diretamente a decisão judicial pela via do writ, uma vez que o mandado de segurança contra ato judicial recorrível vinha sendo admitido, por construção doutrinário-jurisprudencial, para comunicar efeito suspensivo ao recurso dele desprovido, em face da probabilidade de lesão dificilmente reparável. Com a referida lei, que deu nova redação ao art. 558, CPC, outra é a sistemática. II - Nos termos do enunciado nº. 267 da súmula/STF, reforçado após a Lei nº 9.139/95, que deu nova redação ao art. 558, CPC, "não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição". III - De acordo com precedente da Turma, e boa doutrina, a tutela antecipada pode ser concedida com a sentença" (RESP 299433/RJ ; Fonte DJ DATA:04/02/2002 PG:00381, Relator Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Data da Decisão 09/10/2001, Órgão Julgador T4 - QUARTA TURMA). No caso dos autos, além de presentes os fundamentos de mérito autorizadores da concessão, haja vista o reconhecimento do próprio direito vindicado, presente também a necessidade de se evitar mais danos à posse permanente das terras que tradicionalmente ocupam os índios da região, notadamente porque a área onde se encontra as construções edificadas pelos réus há muito já deveria ser utilizadas exclusivamente pela Comunidade Indígena Potiguara. Inafastável, ademais, é a aplicação do art. 71 do Decreto-lei nº 9.760/46, que dispõe: "O ocupante de imóvel da União, sem assentimento desta, poderá ser sumariamente despejado e perderá, sem direito a qualquer indenização, tudo quanto haja incorporado ao solo, ficando ainda sujeito ao disposto nos arts. 513, 515 e 517 do Código Civil'. Note-se que o fato de a sentença estar sujeita ao duplo grau de jurisdição não constitui óbice à concessão dos efeitos da tutela por ocasião da sentença, pois, mesmo nos feitos submetidos à condição do duplo grau obrigatório, a antecipação pode ocorrer por intermédio de decisão interlocutória. D I S P O S I T I V O Isso posto, julgo procedente o pedido, com resolução do mérito, para: a) determinar aos réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros não índios que se retirem da área da Terra Indígena Potiguara, a exceção dos moradores tradicionais da área, os quais serão objeto de levantamento cadastral e ocupacional por parte da FUNAI, além da fiscalização quanto à extinção da excepcional situação deles, conforme os fundamentos acima adotados (pág. 16, parágrafos 1º e 2º); b) Condenar os réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros, a se abster de promover invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações, permutas e transferência de posse; c) condenar os réus na perda de toda e qualquer casa edificada na Praia de Coqueirinho em favor da União, para usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, com todas as característica existentes. Antecipo os efeitos desta sentença, para determinar a imediata retirada dos réus, não índios, da área da Terra Indígena Potiguara (Praia de Coqueirinho), ressalvado os direitos dos moradores tradicionais, parcialmente garantidos no item "a"acima. A obrigação de fazer deverá ser satisfeita no prazo de 60 (sessenta dias), contados da data da intimação desta sentença, dentro do qual deverão ser retirados os pertences e utensílios domésticos dos réus, às suas expensas, sob pena de multa diária de R$ 100,00 (cem reais), em caso de descumprimento. Condeno, ainda, os réus ao pagamento de honorários advocatícios fixados em R$ 300,00 (trezentos reais) para cada um, a serem monetariamente corrigidos a partir da presente data. Excluo da lide a ré nomeante Carla Azevedo Franca Modesto. Anotações na Distribuição. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 16 de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 1 Art. 262. O processo Civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial. 2 Art. 1º As dívidas da União, Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 (cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. ?? ?? ?? ?? 1 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 07/Processo nº 99.0004972-1 17 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

0004973-94.1999.4.05.8200 MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL (Adv. ANTONIO EDILIO MAGALHAES TEIXEIRA, MARCELO ALVES DIAS DE SOUZA) x FUNDACAO NACIONAL DO INDIO - FUNAI (Adv. RICARDO RAMOS COUTINHO, CLAUDIO SANTOS DE SOUZA) x UNIÃO (Adv. SEM PROCURADOR) x JOSE FERREIRA FILHO E OUTROS (Adv. CARLOS NEVES DANTAS FREIRE, MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO) x MARIA DE FATIMA BEZERRA CAVALCANTI SILVA E OUTRO (Adv. JOCELIO JAIRO VIEIRA, PAULO AMERICO MAIA DE VASCONCELOS, FRANCISCO DE ASSIS ALMEIDA E SILVA) x NEWTON LUIZ DE ARAUJO LIMA

AÇÃO CIVIL PÚBLICA AUTORES: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO RÉUS: JOSÉ FERREIRA FILHO e OUTROS S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Trata-se de ação civil pública, com pedido de liminar, proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO, através da qual pleiteiam provimento judicial para condenar os não índios na obrigação de fazer e não fazer, traduzida na retirada da área indígena (Praia de Coqueirinho) e na abstenção de promoveram invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações transferências de posse e outros atos restritivos de posse direta e usufruto exclusivo pelos integrantes da Comunidade Indígena Potiguara, contra: 1. JOSÉ FERREIRA FILHO; 2. GERLAN DÓRIA DE LUCENA; 3. GILBERTO DÓRIA DE LUCENA; 4. SILVANO SOARES DE CARVALHO; 5. SEVERINO NUNES DE LUCENA; 6. ROSANEA DAS GRAÇAS DE ARAÚJO LIMA; 7. HELENITA CHACON D. DE LUCENA; 8. CYNTIA DENIZE SILVA CORDEIRO DE LUCENA; 9. MARIA DE FÁTIMA MORAIS BEZERRA CAVALCANTI 10. FRANCISCO LEONIDAS SILVA; 11. NEWTON LUIZA DE ARAÚJO LIMA; 12. MARIA JOSÉ LIMA DE CARVALHO; 12. TERCEIROS E INTERESSADOS INCERTOS E NÃO SABIDOS. Expõem que os réus edificaram clandestinamente moradias para veraneio na localidade denominada Coqueirinho ou Praia de Coqueirinho, localizada nos Municípios de Baia da Traição e Marcação, em área pertencente à União, destinada à posse e usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, conforme consta no Registro de Imóveis da Comarca de Rio Tinto e na Delegacia do Patrimônio da União neste Estado. Asseveram que as construções estão totalmente encravadas no interior do território indígena, de acordo com a plotagem das construções constante dos autos. Enfatizam que as construções clandestinas, sem qualquer registro, além de constituírem agressões ao bem da União e aos direitos dos indígenas, demonstram a má-fé dos réus, diante do que, deve-se aplicar à espécie o disposto no art. 547 do Código Civil. Fundamentam-se nos arts. 20, XI, 129, V, e 231, §§ 1º, 2º, 4º e 6º da Constituição Federal, 22 e 35 da Lei nº 6.001/73 e 5º da Lei nº 7.347/85, argumentando acerca da ilegalidade da ocupação da localidade Praia de Coqueirinho, parte do Território Indígena Potiguara, inserida no elenco de bens da União Federal, onde os réus construíram casas destinadas a veraneio. Juntaram os documentos de fls. 26/52. Contestações: Silvano Soares de Carvalho (fls. 98/110), Severino Nunes de Lucena e s/mulher Cynthia Denize Silva Cordeiro de Lucena (fls. 126140), Newton Luiz Araújo de Lima (fls. 152/167), Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti Silva e s/marido Francisco Leônidas Silva (fls. 191/197) José Ferreira Filho (fls. 202/218), Gilberto Dória de Lucena e s/mulher Rosanea das Graças de Araújo Lima (fls. 228/245) e Maria José Lima de Carvalho (fls. 1523/1534). Os réus contestantes alegam, em síntese, a nulidade originária da ação intentada, apontando impropriedade da via eleita e irregularidades no processo administrativo de demarcação da terra indígena Potiguara, tendo em vista a existência de proprietários na área com título de domínio, aduzindo, também, ausência do devido processo legal e do contraditório, em razão do referido processo administrativo e, ainda, a necessidade de convocação da União e do Município de Marcação e dos titulares do domínio. No mérito, todos alegaram posse mansa, pacífica e de boa-fé. Impugnações, às fls. 262/270 (FUNAI), fls. 274/284 (MPF). Após a especificação de provas, o MM. Juiz Federal Substituto da 2ª vara, no exercício da titularidade desta 3ª Vara, proferiu despacho tipo saneador, rejeitando todas preliminares argüidas nas contestações e deferindo parcialmente a medida liminar, para que os réus se abstivessem de promover edificações de quaisquer espécies, assentamentos, alienações, permutas, transferência de posse envolvendo particulares. Comunicação da interposição de agravo de retido por José Ferreira Neto e Outros (fls. 326/334). A FUNAI requereu a juntada dos procedimentos administrativos relativos à identificação e delimitação da Terra Indígena Potiguara Monte-Mor, que faz divisa coma TI Potiguara objeto desta ação, às fls.339/1469. Às fls. 462/465, foi juntado o Termo de Inspeção "in loco",efetuada para apurar o suposto descumprimento da liminar substitutiva concedida nos autos do Agravo de Instrumento nº 29.360/Pb, interposto em face do indeferimento da liminar na Ação Civil Pública nº 99.4848-2 apensa. Trasladada para os autos o Termo de Audiência e segunda e terceira inspeção "in loco"(fls. 1648/1659 e 1846/1857, respectivamente). Designada audiência de instrução e julgamento que se realizou nos dias 02 e 03 de fevereiro de 2005, conforme termos de fls. 1670/1731. Aberto prazo para alegações finais, fl. 1856. a) a União Federal, às fls. 1866/1869, pugnando, ao final, pela procedência do pedido; c) o Ministério Público Federal e a FUNAI, em alegações conjuntas, às fls. 1889/1906, pedem a procedência da demanda; b) os réus Francisco da Costa Medeiros, Elizabeth do ó Lemos, José Veras de Almeida Júnior, Elnize Dantas Veras, José Fernandes de Lima Filho, Lúcia Helena Mulatinho Fernandes, Leonardo de Melo Borges, Newton Luiz de Araújo Lima, Aluízio Nunes de Lucena, Zeide de Oliveira Pontual, e seus filhos representados ou assistidos, ou ainda na qualidade de terceiros interessados, Pétala de Oliveira Pontual, Ubirá Pontual de Sousa, Paulo Vamberto Patrício de Aquino, Josefa Ângela Pontes de Aquino, George Gonçalves Ramos, Sandra Pereira de Oliveira, Niedja de Almeida Brito, Severino Nunes de Lucena, Chintia Denize Silva Cordeiro de Lucena, José Luciano Pessoa de Paiva, Giselle Dantas de Lucena, Silvano Soares de Carvalho, Maria Jose Lima de Carvalho, Genise Dória de Lucena Veras, Lincoln Barros Veras, Cristiano Henrique Lyra de Almeida, Gilza Joana Ferreira Lyra, Dominiques Jacques Henri Marc Toupin, Maria Aguiar D'amorim, Maurício da Silva Costa, Ricardo Linhares Moura Monteiro, Newton Eudes Tavares, Gilberto Dória de Lucena, Roseane das Graças de Araújo Lima, Hebert de Miranda Henriques Filho, Ivanilton Lins Modesto, Carla Franca Modesto, Newton Soares de Oliveira, José Maranhão Silva, Rubem Gláucio de Medeiros Brandão, Thereza Helena Gabínio Borges Chagas, Domingos Chagas Neto, Girlan Dória de Lucena, Jóse Ferreira Filho, Luiz Severiano da Nóbrega e Outros, às fls. (1928/1938), nesta e noutras ações conexas, pugnaram pela improcedência da demanda. Emerge dos autos que por ocasião das razões finais os réus Maria do Fátima Moraes Bezerra Cavalvanti e Francisco Leônidas Silva renunciaram o direito que por ventura tivessem sobre o imóvel em questão (fl. 1860) Após a manifestação dos autores sobre a contestação apresentada por Maria de José Lima de Carvalho, vieram-me os autos conclusos. Relatados, no essencial. Passo a decidir. F U N D A M E N T A Ç Ã O A demanda objetiva a retirada dos não índios da Praia de Coqueirinho, encravada na Terra Indígena Potiguara, declarada como tal pelo Decreto nº 89.256, de 28 de dezembro de 1983, cuja demarcação administrativa foi homologada pelo Decreto nº 267, de 29 de outubro de 1991, devidamente registrada no Cartório Imobiliário da Comarca de Rio Tinto, matriculas número 900 (Município de Rio Tinto) e 901 (Município de Baía da Traição), além de estar registrada como Próprio Nacional na Secretaria do Patrimônio da União sob o nº 02/1995, conforme comprovam os documentos de fls. 26/33, determinando, ainda, a perda de toda e qualquer construção edificada na área para os índios da região. Primeiramente, homologo, para que surta seus regulares efeitos, o pedido de renúncia ao direito sobre que se funda a presente ação, formulado pelos réus Maria do Fátima Moraes Bezerra Cavalvanti e Francisco Leônidas Silva. Destaco que as preliminares argüidas pelos réus já foram apreciadas por ocasião da decisão de fls. 304/314, algumas foram objeto de agravo retido (fls. 326/334). Quando à questão da inconstitucionalidade do Decreto Presidencial nº 89.256, publicado no Diário Oficial da União de 29 de dezembro de 1983, que declarou a área como Terra Indígena Potiguara, considerado o cerceamento do direito de defesa, em face do alegado caráter necessário da convocação de todos os interessados, à luz do inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, bem como a inexistência de posse imemorial dos índios na área em apreço, dizem respeito, na verdade, ao mérito. Mas tais questionamentos já foram superados, em face da ocorrência de prescrição do fundo do direito, tendo em vista que, desde a data da declaração de ocupação indígena até a propositura das contestações, transcorreram muito mais de 5 (cinco) anos, de acordo com o art. 1º1 do Decreto-lei nº 20.910/32. Além disso, somente quem lá se encontrava, naquela oportunidade, na posse ou no domínio, tinha condições de se insurgir contra o referido decreto, diferentemente do mero ocupante ou invasor e aqueles que invadiram a área após o Decreto Presidencial, aos quais não assiste direito algum. Como se não bastasse, a existência de domínio é insuscetível de produzir efeito jurídico válido, e mesmo que houvesse título anterior de propriedade conferido a terceiro, não está ele imune de ser desapossado da reserva indígena, cabendo-lhe tão-somente pleitear eventual indenização, quanto às benfeitorias de boa-fé, uma vez que as questões relativas às terras ocupadas pelos índios só podem ser dirimidas à luz da Constituição Federal, no art. 231, caput, §§ 1º, 2º ,4º e 6º, in verbis: Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 4º - As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé (g.n.). Conforme visto, a norma não só reconhece aos índios o direito originário sobre a terra que tradicionalmente ocupam, como decreta nulos os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse dessas terras. Por outro lado, o Decreto nº 89.256/83 foi expedido sob a égide da Constituição Federal de 1967, com redação que lhe foi conferida pela Emenda nº 01/69, que dispunha em seu art. 198, caput, e parágrafos: "Art. 198. As terras habitadas pelos silvícolas são inalienáveis nos termos em que a lei federal determinar, a eles cabendo a sua posse permanente e ficando reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades nela existentes. §1º.São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para as suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. §2º.As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se à sua posse permanente, cabendo-lhe o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. [...[ §4º.As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis" (g.n.). O aludido decreto nada mais fez do que reconhecer uma situação preexistente, qual seja, a de que a área de terras, nos Municípios de Baia da Traição e Rio Tinto, encontrava-se na posse permanente dos Índios Potiguaras, deixando clara a vedação de ocupação de tal área por particulares. No que pertine às construções erguidas pelos réus, verifico que são encontradas entre os marcos 900 e 1000, de seguintes coordenadas geográficas e seguimento: "... até o marco M-900 de coordenadas geográficas 06º42 '06",829 S e 34º56 '05",321 Wgr. Situado na Praia da Trincheira; daí segue acompanhado a orla marítima com distância 7.442,64m, até o Marco M-1000"de coordenadas geográficas 06º45 '10", 464 S e 34º56 '24", 432 Wgr, situado na foz do Rio Estiva, margem esquerda"(g.n.). É incontroverso nos autos que os réus ocupam ilegalmente terras de posse permanente e exclusiva da Comunidade Indígena Potiguara, conforme ilustra a plotagem das construções, encartada à fl. 39, a qual abrange a área da Praia de Coqueirinho, estando caracterizada, portanto, como terra tradicionalmente ocupada pelos índios para efeito de incidência do art. 231, caput e § 6º da atual Constituição Federal. É fato notório que as terras declaradas de ocupação dos silvícolas não podem ser ocupadas pelos réus, na medida em que a posse permanente e o usufruto exclusivo dos índios excluem a posse ou ocupação não-índia. Sem maiores aprofundamentos doutrinários, a meu viso, os réus não possuem o direito que pretendem ver reconhecido, qual seja, de permanecerem na área tradicionalmente ocupadas pelos indígenas da região, cuja posse, além de ilegítima, é de má-fé, sabendo trata-se de bem inalienável, indisponível e insuscetível de prescrição aquisitiva, significando dizer que não pode ser apropriado pelo particular, posto pertencer ao patrimônio da União Federal por disposição constitucional. Para bem esclarecer como funcionava o sistema de aquisição dos terrenos para construção das casas dos veranistas, extraí do depoimento da testemunhas Maria Jose da Silva (fls. 1708/1717), de 80 anos, não índia, residente em coqueirinho, a seguintes ilações: "...perguntada se os ex-caciques Elias, Manoel Caboclo, pai do atual cacique Robson, General, Cara Peba, Loiça, Edson, Heleno, fizeram doações de terrenos ou os venderam, respondeu que eles venderam terrenos e também os trocaram por televisores, cimento, telhas, tijolos, móveis, geladeira, fogões etc. Que os ditos caciques acima nominados trabalharam na construção das residências dos posseiros de Coqueirinho,; que "Cara Peba"é pedreiro e construiu casas em coqueirinho; que se fala que as casas de Coqueirinho vão ser ocupadas pelo indígenas da Aldeia da Funai, de nome "Forte; que não sabe informar se a Funai já fez a relação das casas e do indígenas que vão ocupar as casas de coqueirinho; que nenhum dos posseiros invadiu qualquer área de coqueirinho, pois todos os terrenos foram vendidos ou trocados pelos nativos, com acima foi dito, que foram os próprios vendedores acima nominados que indicavam os locais para os posseiros edificarem as casas,; que era do conhecimento dos residentes em Camurupim e no Forte de que as pessoas acima nominadas vendiam terrenos lá em Coqueirinho aos hoje possuidores e réus desta ação;..." A Testemunha João Soriano da Silva, conhecido como "Seu Bão" quando prestou seu depoimento disse: "...que é verdade que algumas casas de Coqueirinho foram construídas e outras compradas dos habitantes de Coqueirinho, e a venda foi feita pelos cablocos que 'se danavam no meio do mundo" e depois voltavam querendo o imóvel de volta; que o ex-cacique "Elias" e o habitante "Pagão"ajudaram na construção de e também venderam casas; que "Cara Peba"também vendeu casas e trabalhou na construção de casas...; (fl. 1723). O próprio JÁRIO JANUÁRIO MARQUES, herdeiro de Francisco Januário Marques, que, por sua vez, era o titular do domínio da área em questão, desde o ano de 1921, afirmou que "sempre soube a terra de Coqueirinho é da União". E mais: "[...] à suas reperguntas foi dito que seu pai lhe dizia que suas terras não poderiam ser adquiridas, mas tão somente as benfeitorias feitas na terra, e dito fato comentado pelo pai dele data de antes de 1921, pois o pai dele vinha adquirindo coqueiral plantado por outros moradores; que repete que a terra é da União, pois não poderia adquirir a propriedade dela[...]" - fl. 1703 (grifei). Com efeito, o Termo de Doação de um terreno medindo 12x30 para edificação do imóvel do réu Antonio Trigueiro Alves e s/mulher Maria do Carmo Lima Alves, subscrito pelo Cacique Elias Soares da Silva, coincide com o relato das testemunhas (fl. 178 dos autos da ACP nº 99.4848-2, apensa). De igual modo, a escritura pública de doação lavrada em favor do Guilherme Victor Machado Cordeiro, que posteriormente vendeu à ré Maria Célia de Lima Araújo, firmada pelo Cacique Djalma Domingos da Silva (fls. 269/272 dos autos da ACP nº 99.4848-2, apensa). Não acolho a tese das defesas de que os réus agiram de boa-fé, porque estou convencida de que eles tinham conhecimento da ilicitude de seus atos. Isso porque os promovidos sabiam que estavam usando, gozando e usufruindo indevidamente da coisa alheia, sendo ainda mais grave quando o uso, gozo e fruição é de área afetada para fins específicos de proteção jurídica, social, antropológica, econômica e cultural da Comunidade Indígena Potiguara, desautorizados para tanto, sem o recolhimento de qualquer quantia aos cofres do verdadeiro titular do domínio, in casu, a União Federal. Em assim procedendo, agiram de má-fé - pois, de pronto, não ignoravam a existência de vício que torna a posse deles ilegítima. Os caciques, na verdade, não são proprietários, mas apenas usufrutuários da terra e, por isso, qualquer alienação por parte dos silvícolas é nula, nos termos dos dispositivos constitucionais acima reproduzidos. Em conseqüência, não assiste aos particulares direito a qualquer indenização, pois é de todo sabido que tal direito somente é conferido ao possuidor de boa-fé e, no caso em apreço, a má-fé exsurge do próprio modo de aquisição dos lotes de terreno, quando existente dispositivo constitucional e legal vedando esse tipo de avença. Diante desse quadro, não há como considerar os promovidos possuidores de boa-fé, ao reverso, a má-fé decorre claramente da disposição de violar a Constituição e a lei, pelo que é descabida a pretensão ao reconhecimento do direito à indenização em razão das casas para veraneio edificadas na área indígena, as quais não se confundem com benfeitorias necessárias, nos termos do art. 63, § 3º, do Código Civil anterior, as únicas a que faz jus o possuidor de má-fé. Benfeitorias necessárias são obras ou despesas efetuadas na coisa para conservá-la ou evitar que se deteriore; acessões, por sua vez, são obras que criam coisas novas, diferentes, que vêm aderir à coisa anteriormente existente, razão pelas quais obedecem regras próprias. Destarte, no momento em que os promovidos adquiriram terrenos diretamente dos índios, para construção de suas casas, mediante compra e venda, troca ou "doação", sabedores da ilicitude, pois a ninguém é dado alegar desconhecimento da lei, conseqüentemente agiram de má-fé, daí porque não lhes é dado o direito de indenização em face das acessões, posto que tudo aquilo construído no local atende exclusivamente à sua conveniência ou necessidade e não a da União, que nada aproveita ao recuperar a posse da área, tendo inteira aplicação o disposto no art. 547 do Código Civil, em vigor à época da propositura desta ação, in verbis: "Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções, mas tem direito à indenização. Não o terá, porém, se procedeu de má-fé, caso em que poderá ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos". A propósito, veja-se a lição de Silvio Rodrigues: "Se, entretanto, procedeu de má fé, sabendo que o terreno era de outrem, a reação da lei é bastante severa: o plantador ou construtor não apenas perderá o direito à indenização, como pode ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos que houver causado". (Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, pág. 99). Nesse mesmo diapasão é também o ensinamento de Washington de Barros Monteiro, ao realçar que: "Vale dizer, se um construtor, por exemplo, edifica em terreno que supõe seu, age de boa fé e tem direito ao ressarcimento das acessões, embora as percas de modo automático. Desaparece, todavia, tal direito, se se comprova sua má fé, caso em pode até ser compelido a repor as coisas no estado anterior, pagando os prejuízos". (Curso de Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, 31ª ed. pág. 121). Ainda, na mesma esteira de entendimento ensina Clovis Beviláqua: "Conceder indenização ao que procedeu de má-fé seria fomentar a falta de escrúpulo e constranger o proprietário a despesas, que não desejaria fazer. Não é do lado do que anda de má-fé que se deve colocar o direito; sua função é proteger a atividade humana orientada pela moral ou, pelo menos, a ela não oposta". (Código Civil Comentado, vol. III/88, Livraria Franciso Alves, ed. 1953) No caso em tela, os réus adquiriram os terrenos por intermédio dos índios da região, como está comprovado nos autos, de acordo com os depoimentos das testemunhas; nele construíram casas destinadas a veraneio, agregando tudo à terra, e isso não pode ser considerado como conservação da coisa ou como impedimento a deteriorização da área indevidamente apossada, em desfavor da posse imemorial dos índios que tradicionalmente a ocupam, literalmente inviabilizando a aplicação do citado dispositivo constitucional, para efeito de usufruto exclusivo. Portanto, não há qualquer dúvida quanto à tese jurídica e à conseqüente existência do direito, em concreto. Contudo, há de se ter em conta a existência de moradores tradicionais dentro da localidade Coqueirinho, com aquiescência da população indígena, a exemplo da Srª. Maria José da Silva e o Sr. João Soriano da Silva, conhecido por "Bão", ambos com mais de 80 (oitenta) anos de idade, os quais não deverão ser atingidos pela sentença, ora proferida. Desta feita, os moradores tradicionais fazem jus ao usufruto da respectiva moradia, que se extinguirá com a morte, sem o direito de transmiti-lo aos seus sucessores, ficando a cargo da FUNAI o levantamento cadastral e ocupacional das pessoas não índias, nem tampouco veranistas, mas que se encontram dentro dos limites da Terra Indígena Potiguara há muito tempo, a fim que de que seja garantido o direito reconhecido neste ato, bem como a fiscalização quanto à extinção da situação excepcional delas. Verifico, por fim, que os autores, nas alegações finais, formularam pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Ante os fundamentos acima expostos, nada obsta a concessão da antecipação dos efeitos da tutela de mérito nesta ocasião, onde a decisão não mais se reveste de um juízo de mera verossimilhança, mas de cognição plena e exauriente. Ora, se é dado ao magistrado antecipar os efeitos da tutela de mérito pretendida através de decisão interlocutória, até mesmo antes da citação, através de cognição meramente sumária, com maior razão se faz presente a possibilidade de antecipar esses mesmos efeitos quando da prolação da sentença, eis que é a própria tutela de mérito que está sendo concedida. Não faria sentido permitir-se a "antecipação" dos efeitos da tutela de mérito, antes mesmo desta (a tutela de mérito) ser concedida, ainda no início do processo, e não admitir tal antecipação justamente quando da sentença final concessiva da tutela pretendida. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL. DESCABIMENTO COMO SUCEDÂNEO DO RECURSO PRÓPRIO. TUTELA ANTECIPADA. CONCESSÃO QUANDO DA SENTENÇA. CABIMENTO. PRECEDENTES (V.G. RR.MM.SS. 1.167-BA, 6.012-SP E 6.693-SP). DOUTRINA. RECURSO PROVIDO. I - No sistema anterior à Lei nº 9.139/95, descabia, exceto em casos de abuso ou manifesta teratologia, a pretensão de atacar diretamente a decisão judicial pela via do writ, uma vez que o mandado de segurança contra ato judicial recorrível vinha sendo admitido, por construção doutrinário-jurisprudencial, para comunicar efeito suspensivo ao recurso dele desprovido, em face da probabilidade de lesão dificilmente reparável. Com a referida lei, que deu nova redação ao art. 558, CPC, outra é a sistemática. II - Nos termos do enunciado nº. 267 da súmula/STF, reforçado após a Lei nº 9.139/95, que deu nova redação ao art. 558, CPC, "não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição". III - De acordo com precedente da Turma, e boa doutrina, a tutela antecipada pode ser concedida com a sentença" (RESP 299433/RJ ; Fonte DJ DATA:04/02/2002 PG:00381, Relator Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Data da Decisão 09/10/2001, Órgão Julgador T4 - QUARTA TURMA). No caso dos autos, além de presentes os fundamentos de mérito autorizadores da concessão, haja vista o reconhecimento do próprio direito vindicado, presente também a necessidade de se evitar mais danos à posse permanente das terras que tradicionalmente ocupam os índios da região, notadamente porque a área onde se encontra as construções edificadas pelos réus há muito já deveria ser utilizadas exclusivamente pela Comunidade Indígena Potiguara. Inafastável, ademais, é a aplicação do art. 71 do Decreto-lei nº 9.760/46, que dispõe: "O ocupante de imóvel da União, sem assentimento desta, poderá ser sumariamente despejado e perderá, sem direito a qualquer indenização, tudo quanto haja incorporado ao solo, ficando ainda sujeito ao disposto nos arts. 513, 515 e 517 do Código Civil'. Note-se que o fato de a sentença estar sujeita ao duplo grau de jurisdição não constitui óbice à concessão dos efeitos da tutela por ocasião da sentença, pois, mesmo nos feitos submetidos à condição do duplo grau obrigatório, a antecipação pode ocorrer por intermédio de decisão interlocutória. D I S P O S I T I V O Isso posto, julgo procedente o pedido, com resolução do mérito, em relação aos réus Maria de Fátima Moraes Bezerra Cavalvanti e Francisco Leônidas Silva, nos termos do art. 269, V, do CPC, e no que diz respeito aos demais, para: a) determinar aos réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros não índios que se retirem da área da Terra Indígena Potiguara, a exceção dos moradores tradicionais da área, os quais serão objeto de levantamento cadastral e ocupacional por parte da FUNAI, além da fiscalização quanto à extinção da excepcional situação deles, conforme os fundamentos acima adotados (pág. 16, parágrafos 1º e 2º) b) Condenar os réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros, a se abster de promover invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações, permutas e transferência de posse; c) condenar os réus, inclusive Maria de Fátima Moraes Bezerra Cavalvanti e Francisco Leônidas Silva na perda de toda e qualquer casa edificada na Praia de Coqueirinho em favor da União, para usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, com todas as característica existentes. Antecipo os efeitos desta sentença, para determinar a imediata retirada dos réus, não índios, da área da Terra Indígena Potiguara (Praia de Coqueirinho), ressalvado os direitos dos moradores tradicionais, parcialmente garantidos no item "a"acima. A obrigação de fazer deverá ser satisfeita no prazo de 60 (sessenta dias), contados da data da intimação desta sentença, dentro do qual deverão ser retirados os pertences e utensílios domésticos dos réus, às suas expensas, sob pena de multa diária de R$ 100,00 (cem reais), em caso de descumprimento. Condeno, ainda, os réus ao pagamento de honorários advocatícios fixados em R$ 300,00 (trezentos reais) para cada um, a serem monetariamente corrigidos a partir da presente data. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 16 de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 1 Art. 1º As dívidas da União, Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 (cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. ?? ?? ?? ?? 1 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 07/Processo nº 99.0004973-0 17 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

0004974-79.1999.4.05.8200 MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL (Adv. ANTONIO EDILIO MAGALHAES TEIXEIRA, MARCELO ALVES DIAS DE SOUZA) x FUNDACAO NACIONAL DO INDIO - FUNAI (Adv. RICARDO RAMOS COUTINHO, CLAUDIO SANTOS DE SOUZA, EDMUNDO BARBOSA DE CARVALHO, OTAVIO UCHOA GUEDES CAVALCANTI) x UNIÃO (Adv. GUSTAVO CESAR DE FIGUEIREDO PORTO) x RUBEM GLAUCIO DE MEDEIROS BRANDAO E OUTROS (Adv. CARLOS NEVES DANTAS FREIRE) x JUVITA (Adv. SEM ADVOGADO) x MANUEL MONTEIRO PADILHA E OUTRO (Adv. ROSANE PADILHA DA CRUZ) x NILSON NOGUEIRA LUNDGREM (Adv. JOSÉ RODOLFO REVOREDO DE AQUINO ALVES) x NEWTON SOARES DE OLIVEIRA E OUTRO (Adv. CARLOS NEVES DANTAS FREIRE, MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO, ANTONIO TEODOSIO DA COSTA JUNIOR, JAMERSON NEVES DE SIQUEIRA, ARLINGTON FRANCELINO AUGUSTO DE CARVALHO, ANTONIO NAVARRO RIBEIRO, JOSEFA RODRIGUES DA SILVA, GIULIANNA CLECEA RAMOS DE ALMEIDA MEDEIROS) x AUREA ALICE FRANCA SOARES DE OLIVEIRA (Adv. CARLOS NEVES DANTAS FREIRE, MARIA DO CARMO MARQUES DE ARAUJO, ANTONIO TEODOSIO DA COSTA JUNIOR, FATIMA REJANE SANTOS DE FREITAS, ANTONIO FAUSTO TERCEIRO DE ALMEIDA, ANTONIO TEODOSIO DA COSTA JUNIOR) x SYLVANIA CÁSSIA HENRIQUE GUIMARÃES (Adv. SEM ADVOGADO) x VALDENICE BARBOSA

AÇÃO CIVIL PÚBLICA AUTORES: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO RÉUS: RUBEM GLÁUCIO MEDEIROS BRANDÃO E OUTROS S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Trata-se de ação civil pública, com pedido de liminar, proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI e UNIÃO, através da qual pleiteiam provimento judicial para condenar os não índios na obrigação de fazer e não fazer, traduzida na retirada da área indígena (Praia de Coqueirinho) e na abstenção de promoveram invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações transferências de posse e outros atos restritivos de posse direta e usufruto exclusivo pelos integrantes da Comunidade Indígena Potiguara, contra: 1. RUBEM GLÁUCIO MEDEIROS BRANDÃO; 2. CRISTOBALDO PAULINO FERNANDES; 3. TEREZINHA DE SOUZA SILVA; 4. SEVERINA INOCÊNCIO DA SILVA; 5. PETELA PONTUAL DE SOUSA; 6. UBIRA PONTUAL DE SOUSA; 7. JUVITA; 8. MANOEL MONTEIRO PADILHA; 9. AVANI DE SOUZA FERREIRA; 10. NILSON NOGUEIRA LUNDGREM; 11. NEWTON SOARES DE OLIVEIRA; 12. ZEIDE DE OLIVEIRA PONTUAL; 13. VALDENICE BARBOSA; 14. AUREA ALICE FRANCA SOARES DE OLIVEIRA; TERCEIROS E INTERESSADOS INCERTOS E NÃO SABIDOS. Expõem que os réus edificaram clandestinamente moradias para veraneio na localidade denominada Coqueirinho ou Praia de Coqueirinho, localizada nos Municípios de Baia da Traição e Marcação, em área pertencente à União, destinada à posse e usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, conforme consta no Registro de Imóveis da Comarca de Rio Tinto e na Delegacia do Patrimônio da União neste Estado. Asseveram que as construções estão totalmente encravadas no interior do território indígena, de acordo com a plotagem das construções constante dos autos. Enfatizam que as construções clandestinas, sem qualquer registro, além de constituírem agressões ao bem da União e aos direitos dos indígenas, demonstram a má-fé dos réus, diante do que, deve-se aplicar à espécie o disposto no art. 547 do Código Civil. Fundamentam-se nos arts. 20, XI, 129, V, e 231, §§ 1º, 2º, 4º e 6º da Constituição Federal, 22 e 35 da Lei nº 6.001/73 e 5º da Lei nº 7.347/85, argumentando acerca da ilegalidade da ocupação da localidade Praia de Coqueirinho, parte do Território Indígena Potiguara, inserida no elenco de bens da União Federal, onde os réus construíram casas destinadas a veraneio. Juntaram os documentos de fls. 27/48. Devidamente intimada, a União Federal manifesta seu interesse de integrar o pólo ativo do feito, aderindo aos termos da inicial (fl. 71). Contestações: Newton Soares de Oliveira (fls. 94/112), Zeide de Oliveira Pontual e s/filhos Pétala Pontual de Sousa e Ubirá Pontual de Sousa Lucena (fls. 135/150), Manoel Monteiro Padilha e Avani de Souza Ferreira (fls. 249/256), Áurea Alice Franca Soares de Oliveira (fls. 763/772) e Rubem Gláucio de Medeiros Brandão (fls. 813/824). Os réus contestantes alegam, em síntese, a nulidade originária da ação intentada, apontando impropriedade da via eleita e irregularidades no processo administrativo de demarcação da terra indígena Potiguara, tendo em vista a existência de proprietários na área com título de domínio, aduzindo, também, ausência do devido processo legal e do contraditório, em razão do referido processo administrativo e, ainda, a necessidade de convocação da União e do Município de Marcação e dos titulares do domínio. No mérito, todos alegaram posse mansa, pacífica e de boa-fé. Liminar deferida em parte, às fls. 220/225, para que os réus se abstivessem de promover edificações de quaisquer espécies, assentamentos, alienações, permutas, transferência de posse envolvendo particulares. Às fls. 281/284, foi juntado o Termo de Inspeção "in loco",efetuada para apurar o suposto descumprimento da liminar substitutiva concedida nos autos do Agravo de Instrumento nº 29.360/Pb, interposto em face do indeferimento da liminar na Ação Civil Pública nº 99.4848-2 apensa. Trasladada para os autos o Termo de Audiência e segunda e terceira inspeção "in loco"(fls. 386/397 e 641/652, respectivamente). Citado por precatória, o réu Nilson Nogueira Lundgren ao oferecer contestação suscitou, unicamente, a questão preliminar, pertinente a alegada ilegitimidade passiva "ad causam"por não deter posse de qualquer imóvel na área em questão. Designada audiência de instrução e julgamento que se realizou nos dias 02 e 03 de fevereiro de 2005, conforme termos de fls. 1670/1731. Aberto prazo para alegações finais, fl. 651. a) Manuel Monteiro Padilha e s/mulher Avani de Souza Ferreira, reiterando os termos da contestação, no sentido de serem excluídos da lide, tendo em vista a condição de índio do cônjuge varão, nos temos da lei. b) a) a União Federal, às fls. 675/678, pugnando, ao final, pela procedência do pedido; c) Nilson Nogueira Lundgren, às fls. 724/728, requerendo sua exclusão do pólo passivo da lide, pelas mesmas razões invocadas na contestação. Através de Defensora Pública Estadual, a ré Valdenice Barbosa Marçal, contestou a demanda, negando que possui bens móveis ou imóveis na área discutida nestes autos (fl. 745/746). Após a manifestação dos autores sobre as contestações de Áurea Alice Franca Soares de Oliveira, Rubem Gláucio de Medeiros Brandão e Valdenice Barbosa Marçal, vieram-me os autos conclusos. Relatados, no essencial. Passo a decidir. F U N D A M E N T A Ç Ã O A demanda objetiva a retirada dos não índios da Praia de Coqueirinho, encravada na Terra Indígena Potiguara, declarada como tal pelo Decreto nº 89.256, de 28 de dezembro de 1983, cuja demarcação administrativa foi homologada pelo Decreto nº 267, de 29 de outubro de 1991, devidamente registrada no Cartório Imobiliário da Comarca de Rio Tinto, matriculas número 900 (Município de Rio Tinto) e 901 (Município de Baía da Traição), além de estar registrada como Próprio Nacional na Secretaria do Patrimônio da União sob o nº 02/1995, conforme comprovam os documentos de fls. 26/33, determinando, ainda, a perda de toda e qualquer construção edificada na área para os índios da região. Aprecio, primeiramente, a preliminar de impropriedade da via eleita, argüida por alguns rés defendidos pelos Advogados Carlos Pessoa Dantas Freire e Agnes Pauli Pontes de Aquino, em seguida, as demais questões de mérito. A modalidade de processo e de provimento escolhida pelos autores é adequada e útil para obter a tutela da situação material descrita na petição inicial, e não há vedação legal ao pedido. Some-se a isso, o fato de que a legitimidade do Ministério Público Federal para propor a presente ação é conferida pela Constituição Federal, em seu art. 129 V, que dispõe expressamente que lhe compete "defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas". Preliminar de escolha do procedimento incompatível com a natureza da causa rejeitada. No que tange ao chamamento do Município de Marcação, dos herdeiros de Francisco Januário Marques e da Holanda Imobiliária Ltda. não se mostra juridicamente possível, em face da violação que esse procedimento ocasionaria ao disposto no art. 2621 do CPC. Portanto, indefiro o pedido. Os promovidos Nilson Nogueira Lundgren e Valdenice Barbosa Marçal sustentam que não possuem imóvel na área de Coqueirinho, caracterizando a hipótese de ilegitimidade passiva ad causam, com extinção do processo sem julgamento do mérito, e não improcedência do pedido, como entendeu a ré Valdenice Barbosa. Por sua vez, o réu Manoel Monteiro Padilha informa sua condição de indígena, pertencente à Tribo Potiguara, nos termos do art. 3º inciso I, da Lei nº 6.001, de 19.12.1973, e como tal parte ilegítima para figurar no pólo passivo. Quando à questão da inconstitucionalidade do Decreto Presidencial nº 89.256, publicado no Diário Oficial da União de 29 de dezembro de 1983, que declarou a área como Terra Indígena Potiguara, considerado o cerceamento do direito de defesa, em face do alegado caráter necessário da convocação de todos os interessados, à luz do inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, bem como a inexistência de posse imemorial dos índios na área em apreço, dizem respeito, na verdade, ao mérito. Mas tais questionamentos já foram superados, em face da ocorrência de prescrição do fundo do direito, tendo em vista que, desde a data da declaração de ocupação indígena até a propositura das contestações, transcorreram muito mais de 5 (cinco) anos, de acordo com o art. 1º2 do Decreto-lei nº 20.910/32. Além disso, somente quem lá se encontrava, naquela oportunidade, na posse ou no domínio, tinha condições de se insurgir contra o referido decreto, diferentemente do mero ocupante ou invasor e aqueles que invadiram a área após o Decreto Presidencial, aos quais não assiste direito algum. Como se não bastasse, a existência de domínio é insuscetível de produzir efeito jurídico válido, e mesmo que houvesse título anterior de propriedade conferido a terceiro, não está ele imune de ser desapossado da reserva indígena, cabendo-lhe tão-somente pleitear eventual indenização, quanto às benfeitorias de boa-fé, uma vez que as questões relativas às terras ocupadas pelos índios só podem ser dirimidas à luz da Constituição Federal, no art. 231, caput, §§ 1º, 2º ,4º e 6º, in verbis: Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 4º - As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé (g.n.). Conforme visto, a norma não só reconhece aos índios o direito originário sobre a terra que tradicionalmente ocupam, como decreta nulos os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse dessas terras. Por outro lado, o Decreto nº 89.256/83 foi expedido sob a égide da Constituição Federal de 1967, com redação que lhe foi conferida pela Emenda nº 01/69, que dispunha em seu art. 198, caput, e parágrafos: "Art. 198. As terras habitadas pelos silvícolas são inalienáveis nos termos em que a lei federal determinar, a eles cabendo a sua posse permanente e ficando reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades nela existentes. §1º.São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para as suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. §2º.As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se à sua posse permanente, cabendo-lhe o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. [...[ §4º.As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis" (g.n.). O aludido decreto nada mais fez do que reconhecer uma situação preexistente, qual seja, a de que a área de terras, nos Municípios de Baia da Traição e Rio Tinto, encontrava-se na posse permanente dos Índios Potiguaras, deixando clara a vedação de ocupação de tal área por particulares. No que pertine às construções erguidas pelos réus, verifico que são encontradas entre os marcos 900 e 1000, de seguintes coordenadas geográficas e seguimento: "... até o marco M-900 de coordenadas geográficas 06º42 '06",829 S e 34º56 '05",321 Wgr. Situado na Praia da Trincheira; daí segue acompanhado a orla marítima com distância 7.442,64m, até o Marco M-1000"de coordenadas geográficas 06º45 '10", 464 S e 34º56 '24", 432 Wgr, situado na foz do Rio Estiva, margem esquerda"(g.n.). É incontroverso nos autos que os réus ocupam ilegalmente terras de posse permanente e exclusiva da Comunidade Indígena Potiguara, conforme ilustra a plotagem das construções, encartada à fl. 39, a qual abrange a área da Praia de Coqueirinho, estando caracterizada, portanto, como terra tradicionalmente ocupada pelos índios para efeito de incidência do art. 231, caput e § 6º da atual Constituição Federal. É fato notório que as terras declaradas de ocupação dos silvícolas não podem ser ocupadas pelos réus, na medida em que a posse permanente e o usufruto exclusivo dos índios excluem a posse ou ocupação não-índia. Sem maiores aprofundamentos doutrinários, a meu viso, os réus não possuem o direito que pretendem ver reconhecido, qual seja, de permanecerem na área tradicionalmente ocupadas pelos indígenas da região, cuja posse, além de ilegítima, é de má-fé, sabendo trata-se de bem inalienável, indisponível e insuscetível de prescrição aquisitiva, significando dizer que não pode ser apropriado pelo particular, posto pertencer ao patrimônio da União Federal por disposição constitucional. Para bem esclarecer como funcionava o sistema de aquisição dos terrenos para construção das casas dos veranistas, extraí do depoimento da testemunhas Maria Jose da Silva (fls. 503/512), de 80 anos, não índia, residente em coqueirinho, a seguintes ilações: "...perguntada se os ex-caciques Elias, Manoel Caboclo, pai do atual cacique Robson, General, Cara Peba, Loiça, Edson, Heleno, fizeram doações de terrenos ou os venderam, respondeu que eles venderam terrenos e também os trocaram por televisores, cimento, telhas, tijolos, móveis, geladeira, fogões etc. Que os ditos caciques acima nominados trabalharam na construção das residências dos posseiros de Coqueirinho,; que "Cara Peba"é pedreiro e construiu casas em coqueirinho; que se fala que as casas de Coqueirinho vão ser ocupadas pelo indígenas da Aldeia da Funai, de nome "Forte; que não sabe informar se a Funai já fez a relação das casas e do indígenas que vão ocupar as casas de coqueirinho; que nenhum dos posseiros invadiu qualquer área de coqueirinho, pois todos os terrenos foram vendidos ou trocados pelos nativos, com acima foi dito, que foram os próprios vendedores acima nominados que indicavam os locais para os posseiros edificarem as casas,; que era do conhecimento dos residentes em Camurupim e no Forte de que as pessoas acima nominadas vendiam terrenos lá em Coqueirinho aos hoje possuidores e réus desta ação;..." A Testemunha João Soriano da Silva, conhecido como "Seu Bão" quando prestou seu depoimento disse: "...que é verdade que algumas casas de Coqueirinho foram construídas e outras compradas dos habitantes de Coqueirinho, e a venda foi feita pelos cablocos que 'se danavam no meio do mundo" e depois voltavam querendo o imóvel de volta; que o ex-cacique 'Elias' e o habitante 'Pagão'ajudaram na construção de e também venderam casas; que 'Cara Peba'também vendeu casas e trabalhou na construção de casas...;" (fl. 518). O próprio JÁRIO JANUÁRIO MARQUES, herdeiro de Francisco Januário Marques, que, por sua vez, era o titular do domínio da área em questão, desde o ano de 1921, afirmou que "sempre soube a terra de Coqueirinho é da União". E mais: "[...] à suas reperguntas foi dito que seu pai lhe dizia que suas terras não poderiam ser adquiridas, mas tão somente as benfeitorias feitas na terra, e dito fato comentado pelo pai dele data de antes de 1921, pois o pai dele vinha adquirindo coqueiral plantado por outros moradores; que repete que a terra é da União, pois não poderia adquirir a propriedade dela[...]" - fl. 458 (grifei). Com efeito, o Termo de Doação de um terreno medindo 12x30 para edificação do imóvel do réu Antonio Trigueiro Alves e s/mulher Maria do Carmo Lima Alves, subscrito pelo Cacique Elias Soares da Silva, coincide com o relato das testemunhas (fl. 178 dos autos da ACP nº 99.4848-2, apensa). De igual modo, a escritura pública de doação lavrada em favor do Guilherme Victor Machado Cordeiro, que posteriormente vendeu à ré Maria Célia de Lima Araújo, firmada pelo Cacique Djalma Domingos da Silva (fls. 269/272 dos autos da ACP nº 99.4848-2, apensa). Não acolho a tese das defesas de que os réus agiram de boa-fé, porque estou convencida de que eles tinham conhecimento da ilicitude de seus atos. Isso porque os promovidos sabiam que estavam usando, gozando e usufruindo indevidamente da coisa alheia, sendo ainda mais grave quando o uso, gozo e fruição é de área afetada para fins específicos de proteção jurídica, social, antropológica, econômica e cultural da Comunidade Indígena Potiguara, desautorizados para tanto, sem o recolhimento de qualquer quantia aos cofres do verdadeiro titular do domínio, in casu, a União Federal. Em assim procedendo, agiram de má-fé - pois, de pronto, não ignoravam a existência de vício que torna a posse deles ilegítima. Os caciques, na verdade, não são proprietários, mas apenas usufrutuários da terra e, por isso, qualquer alienação por parte dos silvícolas é nula, nos termos dos dispositivos constitucionais acima reproduzidos. Em conseqüência, não assiste aos particulares direito a qualquer indenização, pois é de todo sabido que tal direito somente é conferido ao possuidor de boa-fé e, no caso em apreço, a má-fé exsurge do próprio modo de aquisição dos lotes de terreno, quando existente dispositivo constitucional e legal vedando esse tipo de avença. Diante desse quadro, não há como considerar os promovidos possuidores de boa-fé, ao reverso, a má-fé decorre claramente da disposição de violar a Constituição e a lei, pelo que é descabida a pretensão ao reconhecimento do direito à indenização em razão das casas para veraneio edificadas na área indígena, as quais não se confundem com benfeitorias necessárias, nos termos do art. 63, § 3º, do Código Civil anterior, as únicas a que faz jus o possuidor de má-fé. Benfeitorias necessárias são obras ou despesas efetuadas na coisa para conservá-la ou evitar que se deteriore; acessões, por sua vez, são obras que criam coisas novas, diferentes, que vêm aderir à coisa anteriormente existente, razão pelas quais obedecem regras próprias. Destarte, no momento em que os promovidos adquiriram terrenos diretamente dos índios, para construção de suas casas, mediante compra e venda, troca ou "doação", sabedores da ilicitude, pois a ninguém é dado alegar desconhecimento da lei, conseqüentemente agiram de má-fé, daí porque não lhes é dado o direito de indenização em face das acessões, posto que tudo aquilo construído no local atende exclusivamente à sua conveniência ou necessidade e não a da União, que nada aproveita ao recuperar a posse da área, tendo inteira aplicação o disposto no art. 547 do Código Civil, em vigor à época da propositura desta ação, in verbis: "Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções, mas tem direito à indenização. Não o terá, porém, se procedeu de má-fé, caso em que poderá ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos". A propósito, veja-se a lição de Silvio Rodrigues: "Se, entretanto, procedeu de má fé, sabendo que o terreno era de outrem, a reação da lei é bastante severa: o plantador ou construtor não apenas perderá o direito à indenização, como pode ser constrangido a repor as coisas no estado anterior e a pagar os prejuízos que houver causado". (Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, pág. 99). Nesse mesmo diapasão é também o ensinamento de Washington de Barros Monteiro, ao realçar que: "Vale dizer, se um construtor, por exemplo, edifica em terreno que supõe seu, age de boa fé e tem direito ao ressarcimento das acessões, embora as percas de modo automático. Desaparece, todavia, tal direito, se se comprova sua má fé, caso em pode até ser compelido a repor as coisas no estado anterior, pagando os prejuízos". (Curso de Direito Civil, Direito das Coisas, Saraiva, 31ª ed. pág. 121). Ainda, na mesma esteira de entendimento ensina Clovis Beviláqua: "Conceder indenização ao que procedeu de má-fé seria fomentar a falta de escrúpulo e constranger o proprietário a despesas, que não desejaria fazer. Não é do lado do que anda de má-fé que se deve colocar o direito; sua função é proteger a atividade humana orientada pela moral ou, pelo menos, a ela não oposta". (Código Civil Comentado, vol. III/88, Livraria Franciso Alves, ed. 1953) No caso em tela, os réus adquiriram os terrenos por intermédio dos índios da região, como está comprovado nos autos, de acordo com os depoimentos das testemunhas; nele construíram casas destinadas a veraneio, agregando tudo à terra, e isso não pode ser considerado como conservação da coisa ou como impedimento a deteriorização da área indevidamente apossada, em desfavor da posse imemorial dos índios que tradicionalmente a ocupam, literalmente inviabilizando a aplicação do citado dispositivo constitucional, para efeito de usufruto exclusivo. Portanto, não há qualquer dúvida quanto à tese jurídica e à conseqüente existência do direito, em concreto. Contudo, há de se ter em conta a existência de moradores tradicionais dentro da localidade Coqueirinho, com aquiescência da população indígena, a exemplo da Srª. Maria José da Silva e o Sr. João Soriano da Silva, conhecido por "Bão", ambos com mais de 80 (oitenta) anos de idade, os quais não deverão ser atingidos pela sentença, ora proferida. Desta feita, os moradores tradicionais fazem jus ao usufruto da respectiva moradia, que se extinguirá com a morte, sem o direito de transmiti-lo aos seus sucessores, ficando a cargo da FUNAI o levantamento cadastral e ocupacional das pessoas não índias, nem tampouco veranistas, mas que se encontram dentro dos limites da Terra Indígena Potiguara há muito tempo, a fim que de que seja garantido o direito reconhecido neste ato, bem como a fiscalização quanto à extinção da situação excepcional delas. Verifico, por fim, que os autores, nas alegações finais, formularam pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Ante os fundamentos acima expostos, nada obsta a concessão da antecipação dos efeitos da tutela de mérito nesta ocasião, onde a decisão não mais se reveste de um juízo de mera verossimilhança, mas de cognição plena e exauriente. Ora, se é dado ao magistrado antecipar os efeitos da tutela de mérito pretendida através de decisão interlocutória, até mesmo antes da citação, através de cognição meramente sumária, com maior razão se faz presente a possibilidade de antecipar esses mesmos efeitos quando da prolação da sentença, eis que é a própria tutela de mérito que está sendo concedida. Não faria sentido permitir-se a "antecipação" dos efeitos da tutela de mérito, antes mesmo desta (a tutela de mérito) ser concedida, ainda no início do processo, e não admitir tal antecipação justamente quando da sentença final concessiva da tutela pretendida. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL. DESCABIMENTO COMO SUCEDÂNEO DO RECURSO PRÓPRIO. TUTELA ANTECIPADA. CONCESSÃO QUANDO DA SENTENÇA. CABIMENTO. PRECEDENTES (V.G. RR.MM.SS. 1.167-BA, 6.012-SP E 6.693-SP). DOUTRINA. RECURSO PROVIDO. I - No sistema anterior à Lei nº 9.139/95, descabia, exceto em casos de abuso ou manifesta teratologia, a pretensão de atacar diretamente a decisão judicial pela via do writ, uma vez que o mandado de segurança contra ato judicial recorrível vinha sendo admitido, por construção doutrinário-jurisprudencial, para comunicar efeito suspensivo ao recurso dele desprovido, em face da probabilidade de lesão dificilmente reparável. Com a referida lei, que deu nova redação ao art. 558, CPC, outra é a sistemática. II - Nos termos do enunciado nº. 267 da súmula/STF, reforçado após a Lei nº 9.139/95, que deu nova redação ao art. 558, CPC, "não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição". III - De acordo com precedente da Turma, e boa doutrina, a tutela antecipada pode ser concedida com a sentença" (RESP 299433/RJ ; Fonte DJ DATA:04/02/2002 PG:00381, Relator Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Data da Decisão 09/10/2001, Órgão Julgador T4 - QUARTA TURMA). No caso dos autos, além de presentes os fundamentos de mérito autorizadores da concessão, haja vista o reconhecimento do próprio direito vindicado, presente também a necessidade de se evitar mais danos à posse permanente das terras que tradicionalmente ocupam os índios da região, notadamente porque a área onde se encontra as construções edificadas pelos réus há muito já deveria ser utilizadas exclusivamente pela Comunidade Indígena Potiguara. Inafastável, ademais, é a aplicação do art. 71 do Decreto-lei nº 9.760/46, que dispõe: "O ocupante de imóvel da União, sem assentimento desta, poderá ser sumariamente despejado e perderá, sem direito a qualquer indenização, tudo quanto haja incorporado ao solo, ficando ainda sujeito ao disposto nos arts. 513, 515 e 517 do Código Civil'. Note-se que o fato de a sentença estar sujeita ao duplo grau de jurisdição não constitui óbice à concessão dos efeitos da tutela por ocasião da sentença, pois, mesmo nos feitos submetidos à condição do duplo grau obrigatório, a antecipação pode ocorrer por intermédio de decisão interlocutória. D I S P O S I T I V O 1 - Isso posto, julgo procedente o pedido, com resolução do mérito, para: a) determinar aos réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros não índios que se retirem da área da Terra Indígena Potiguara, a exceção dos moradores tradicionais da área, os quais serão objeto de levantamento cadastral e ocupacional por parte da FUNAI, além da fiscalização quanto à extinção da excepcional situação deles, conforme os fundamentos acima adotados (pág. 14 e 15) b) Condenar os réus e todos aqueles, incertos, desconhecidos e terceiros, a se abster de promover invasões, ocupações, permanência, circulação, reocupações, edificações, assentamentos, alienações, permutas e transferência de posse; c) condenar os réus na perda de toda e qualquer casa edificada na Praia de Coqueirinho em favor da União, para usufruto exclusivo da Comunidade Indígena Potiguara, com todas as característica existentes. 2) julgo extinto o processo, sem julgamento de mérito, em relação aos réus Manoel Monteiro Padilha e s/mulher Avani de Souza Ferreira, Nilson Nogueira Lundgren e Valdenice Barbosa Marçal, nos termos do art. 267, VI, do CPC. Antecipo os efeitos desta sentença, para determinar a imediata retirada dos réus, não índios, da área da Terra Indígena Potiguara (Praia de Coqueirinho), ressalvado os direitos dos moradores tradicionais, parcialmente garantidos no item "a"acima. A obrigação de fazer deverá ser satisfeita no prazo de 60 (sessenta dias), contados da data da intimação desta sentença, dentro do qual deverão ser retirados os pertences e utensílios domésticos dos réus, às suas expensas, sob pena de multa diária de R$ 100,00 (cem reais), em caso de descumprimento. Condeno, ainda, os réus ao pagamento de honorários advocatícios fixados em R$ 300,00 (trezentos reais) para cada um, a serem monetariamente corrigidos a partir da presente data. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa, 16 de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 1 Art. 262. O processo Civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial. 2 Art. 1º As dívidas da União, Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 (cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. ?? ?? ?? ?? 1 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 07/Processo nº 99.0004974-8 17 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal da 3ª Vara

   

0005958-58.2002.4.05.8200 JOÃO BOSCO FERNANDES E OUTROS (Adv. AGOSTINHO ALBERIO FERNANDES DUARTE, PAULO GUEDES PEREIRA, MUCIO SATIRO FILHO, VESCIJUDITH FERNANDES MOREIRA, SABRINA PEREIRA MENDES) x LUIZ GONZAGA FERNANDES x UNIÃO (Adv. BENEDITO HONORIO DA SILVA)

Autores: João Bosco Fernandes e outros Ré: UNIÃO D E C I S Ã O LUIZ GONZAGA FERNANDES ajuizou a presente ação contra a AGENCIA DE DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE - ADENE, representada pela UNIÃO, objetivando seja decretada o despejo da ré das salas comerciais nº 907 e 908, do Condomínio Empresarial Epitácio Pessoa, localizado na rua Epitácio Pessoa, nº 1.251, nesta Capital, além da condenação da promovida ao pagamento dos aluguéis e outros encargos vencidos, que totalizam R$ 8.470,18 (oito mil, quatrocentos e setenta reais e dezoito centavos), e vincendos. Afirma ser proprietário dos referidos bens imóveis, dos quais o de nº 908 foi alugado à ré em 18.05.1995, para fins de instalação do Escritório de Representação da SUDENE, conforme contrato de locação não residencial juntado aos autos, e que inobstante não ter cláusula contratual específica, a ré também locou a área útil da sala nº 907, do mesmo edifício. Diz que a locação foi ajustada no valor de R$ 600,00 (seiscentos reais) mensais, com pagamento através de depósito em conta bancária, dispondo a cláusula oitava do contrato firmado em 18.05.1995, com vigência até 17.05.1996, mas prorrogado por vontade das partes, que a promovida arcaria com os encargos tributários incidentes sobre os imóveis, além das despesas com água, energia elétrica, saneamento e taxas de condomínio. Revela que desde janeiro de 2002, a ré não vem arcando com as obrigações assumidas, motivo pelo qual, o autor enviou-lhe notificação e aviso prévio, instando-a a desocupar os imóveis e a quitar os débitos, sem lograr êxito. Sustenta que apesar da autarquia locatária ter sido extinta, suas obrigações devem ser cumpridas pela União, conforme artigo 21, § 2º, da Medida Provisória 2.156-5/2001, que extinguiu a SUDENE e instituiu a ADENE. Citada, a ADENE argüiu sua ilegitimidade ad causam, eis que não sucedeu à extinta SUDENE, pois de acordo com a MP 21.56/2001, a União é que sucederá aquela autarquia, em seus direitos e obrigações. No mérito, pugnou pela improcedência da ação (fls. 48/49). Petição do suplicante, juntando aos autos o contrato de locação nº 021/95, firmado com a promovida, e seus aditivos, relativos à sala 907 do imóvel em tela (fls. 58/70). Com vista, a ADENE nada opôs (fl. 73). Despacho determinando a intimação das partes para especificarem as provas que pretendiam produzir (fl. 76), ao qual não foi dado cumprimento em virtude do ingresso do pedido de antecipação da tutela, conforme certificado à fl. 109. A tutela requerida pelo autor às fls. 79/84 foi deferida às fls. 110/111, para ordenar a imediata desocupação dos imóveis em apreço. Solicitada a suspensão do feito, tendo em vista o falecimento do autor (fls. 116/117), com deferimento à fl. 118. Petição do CONDOMÍNIO CENTRO EMPRESARIAL EPITÁCIO PESSOA, solicitando habilitação de crédito contra a ADENE (fls. 120/258). O ESPÓLIO DE LUIZ GONZAGA FERNANDES solicitou habilitação nos autos (fls. 260/267). Despacho ordenando aos sucessores do falecido autor que emendassem o pedido de habilitação, tendo em vista a expedição de formal de partilha no processo de inventário (fl. 284). O Condomínio supracitado requereu fosse desconsiderado o pedido de habilitação de crédito (fls. 286/287), o que foi deferido à fl. 304. Petição dos sucessores do de cujus, requerendo habilitação (fls. 316/317). Citada, a ré contestou o pedido, à míngua de prova de que os interessados são legítimos sucessores do falecido Luiz Gonzaga Fernandes (fls. 323/324). A impugnação da União foi rejeitada, sendo deferida a habilitação de JOÃO BOSCO FERNANDES, JOAQUINA FERNANDES DA SILVA, RAIMUNDA FERNANDES DA SILVA, ANA AMERICK FERNANDES DE QUEIROGA, MARIA DO SOCORRO FERNANDES DA SILVA, ZUNEIDE FERNANDES DA SILVEIRA, UMBELINA FERNANDES DA SILVEIRA e JOSÉ FERNANDES DA SILVEIRA, sucessores do falecido Luiz Gonzaga Fernandes. É o que importa relatar. Decido. Citada, a ADENE argüiu sua ilegitimidade passiva, pois quem sucedeu à SUDENE, em seus direitos e obrigações, foi a União, a teor do § 2º do artigo 21, da Medida Provisória 2.156-5, de 24.08.2001, verbis: "Art. 21. Fica extinta a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE. (...) § 2º. A União sucederá a SUDENE nos seus direitos e obrigações." Dessa maneira, sustenta que a ação deveria ter sido proposta contra a UNIÃO. Segundo a promovida, embora a ADENE esteja sendo temporariamente representada pela AGU, não pode ser confundida processualmente com a União, impondo-se, por conseguinte, a extinção do processo, sem resolução do mérito. Com o advento da Lei Complementar nº 125, de 03.01.2007, instituindo a nova SUDENE e extinguindo a ADENE, a citada MP restou revogada. Todavia, a citada LC convalidou todos os atos praticados com base naquela MP1, de modo que a União permanece respondendo pelos direitos e obrigações da antiga SUDENE. É certo que o feito deveria ter sido proposto contra a União, eis que na data de seu ajuizamento, vigia a pré-falada MP. Todavia, considerando que não houve prejuízo à defesa daquele ente, que está em Juízo por intermédio de sua Advocacia Geral, a quem cabia representar judicialmente a ADENE, atualmente extinta; que à fl. 02 da peça inaugural (fl. 03 dos autos), os promoventes afirmam taxativamente que diante da extinção da locatória (SUDENE), as obrigações desta devem ser cumpridas pela UNIÃO, a teor do artigo 21, §, da multicitada MP e, tendo em vista que afronta o princípio da economia e da celeridade processual extinguir-se o feito, sem resolução de mérito, por ilegitimidade passiva, apenas para obrigar os autores a ajuizarem nova ação contra a União, rejeito a preliminar, determinando, de ofício, a remessa dos autos à Distribuição, para proceder à devida alteração nos assentamentos cartorários, fazendo constar como ré unicamente a UNIÃO. Embora decorridos quase seis anos do ajuizamento desta demanda, suspensa por quatro anos em decorrência do óbito do autor e da demora na regularização da habilitação de seus sucessores, constato que a mesma ainda não está madura para julgamento. Consta nos autos que o falecido autor Luiz Gonzaga Fernandes e a extinta SUDENE firmaram, em 18 de maio de 1995 e em 18 de dezembro do mesmo ano, dois contratos de locação não residencial, com duração de um ano cada: o de nº 015/95, cujo objeto era a locação da sala 908, e o de nº 021/95, atinente à locação da sala 907, ambas localizadas no 9º andar do Centro Empresarial Epitácio Pessoa, situado na Av. Epitácio Pessoa, nesta Capital (fls. 10/13 e 59/62, respectivamente). Às fls. 63/70 foram juntados os termos aditivos do contrato nº 021/95, correspondente à locação da sala 907. Do contrato nº 015/95, referente à locação da sala 908, não consta qualquer termo aditivo. De acordo com o quarto termo aditivo do contrato nº 021/95, a locação objeto daquele contrato (a da sala 907, portanto), foi prorrogada até 17 de dezembro de 2000, mantidas as demais cláusulas da avença (fls. 65/66). Desse modo, o preço mensal da locação daquela sala continuou o definido no terceiro termo aditivo, qual seja, R$ 400,00 (quatrocentos reais) - fls. 67/68. De acordo com o demonstrativo da dívida de fl. 06, dos R$ 8.470,18 (oito mil, quatrocentos e setenta reais e dezoito centavos) pleiteados na inicial, R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) referem-se a oito meses de aluguel atrasados (R$ 600,00 x 8). Ocorre que de janeiro a julho tem-se apenas sete meses, e não oito. Demais disso, o valor mensal do aluguel, de acordo com o terceiro termo aditivo do contrato de locação nº 021/95, relativo à sala 907, seria R$ 400,00 (quatrocentos reais), e não R$ 600,00 (seiscentos reais), como consta naquele demonstrativo. Por conseguinte, a dívida de aluguel do período janeiro a julho/2002 seria R$ 2.800,00 (dois mil e oitocentos reais) - R$ 400,00 x 7. Dessa maneira, devem os autores justificar o valor exigido na inicial, a título de aluguel, apresentando, inclusive, cópia dos termos aditivos do contrato de locação nº 015/95, relativo à sala 908, bem assim, do quinto termo aditivo do contrato nº 021/95, referente à sala 907, se houver. Tocante às despesas com taxa ordinária de condomínio, IPTU, SAELPA e TCR, é certo que tanto no contrato de nº 015/95 como no de nº 021/95, a locatária se responsabilizou por tais pagamentos (vide cláusula oitava dos contratos encartados às fls. 10/14 e 59/62). Ocorre que os valores devidos àqueles títulos configuram receitas de terceiros (ao Condomínio Centro Empresarial Epitácio Pessoa, à Prefeitura Municipal de João Pessoa e à empresa concessionária de energia), e não dos autores, que não podem pleitear em nome próprio direito alheio (art. 6º, do CPC2). Desse modo, para que possam exigir da ré o pagamento, na verdade, o ressarcimento, das despesas referidas no parágrafo anterior, é necessário que os promoventes demonstrem ter suportado o ônus das mesmas. Os bloquetos relativos ao IPTU, TCR e SAELPA não contém a necessária autenticação de pagamento da rede bancária (fls. 17/18 e 20/23). Registre-se que as cobranças relativas ao fornecimento de energia elétrica (fls. 22/23) eram feitas pela empresa concessionária em nome da própria SUDENE, e não dos promoventes, o que reforça o entendimento desta julgadora quanto à necessidade dos autores provarem ter assumido tal custo. No que respeita às taxas de condomínio, o Centro Empresarial Epitácio Pessoa, onde estão localizadas as salas reportadas na inicial, solicitou habilitação de crédito nestes autos (fls. 120/123), desistindo posteriormente do pleito, em virtude de ter ajuizado perante os Juizados Especiais Cíveis desta Capital, duas ações de cobrança contra os sucessores/herdeiros do falecido Luiz Gonzaga Fernandes, e contra os atuais proprietários das salas 907 e 908 do referido Condomínio, trazendo cópia das petições iniciais daquelas ações (fls. 286/303). Daquelas petições iniciais vê-se que o citado Condomínio ajuizou contra ROSEMEIRE BOTELHO DOS SANTOS BARROS e FRANCISCO JOSÉ DE BARROS, atuais proprietários da sala 907, ação de cobrança visando ao pagamento das taxas de condomínio do período janeiro de 2002 a abril de 2003, relativas à mencionada sala (fls. 288/292). Se não foram compelidos a quitar as taxas condominiais relativas à sala 907, não podem os autores pleitear da ré o pagamento da referida parcela, salvo se provarem ter efetuado o pagamento daquele encargo junto ao Condomínio. Quanto às taxas condominiais relativas à sala 908, correspondentes ao período janeiro/2002 a abril/2003, a ação de cobrança foi movida contra os autores (fls. 294/299), que deverão comprovar nestes autos o pagamento daquela despesa, a fim de serem ressarcidos pela ré. Por todo o exposto, converto o julgamento em diligência, para adoção das seguintes providências: a) remessa dos autos à Distribuição, para inserir a União no pólo passivo da demanda, excluindo a ADENE; b) após, intimação dos autores desta decisão e para: - justificarem o valor exigido na inicial, a título de aluguel - R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais); - apresentarem cópia dos termos aditivos do contrato de locação nº 015/95, relativo à sala 908, bem assim, do quinto termo aditivo do contrato nº 021/95, referente à sala 907, se houver; - comprovarem o pagamento das despesas cujo ressarcimento pedem: IPTU, TCR, energia - SAELPA e taxas de condomínio; - informarem se desejam produzir outras provas, indicando a finalidade, em atenção ao despacho exarado de fl. 76. c) cumpridas as determinações supra, intime-se a União acerca desta decisão, dos documentos eventualmente juntados pelos suplicantes, bem como, para dizer se tem provas a produzir, com indicação da finalidade, conforme ordenado no despacho de fl. 76. Prazo sucessivo de dez dias. P. J. Pessoa, 30 de maio de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 1 LC 125/2007: Art. 1o Fica instituída a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE, de natureza autárquica especial, administrativa e financeiramente autônoma, integrante do Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal, com sede na cidade de Recife, Estado de Pernambuco, e vinculada ao Ministério da Integração Nacional. (...) Art. 21. A Agência de Desenvolvimento do Nordeste - ADENE será extinta na data de publicação do decreto que estabelecerá a estrutura regimental e o quadro demonstrativo dos cargos em comissão da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE. (...) Art. 22. A Sudene sucederá a Adene em seus direitos e obrigações, ficando convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória no 2.156-5, de 24 de agosto de 2001. 2 Art. 6º. Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei". ?? ?? ?? ?? PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRO GRAU Seção Judiciária da Paraíba 3ª VARA 05/Processo nº 2002.82.00.5958-0 7 CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara

   

0007019-75.2007.4.05.8200 CÉLIA VIEIRA DE ANDRADE (Adv. JOAO NUNES DE CASTRO NETO) x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS (Adv. EMMANUEL RUCK VIEIRA LEAL)

Defiro a produção da prova pericial, requerida pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS à fl. 83, com o objetivo de aferir a existência de incapacidade da autora CÉLIA VIEIRA DE ANDRADE para o trabalho. Por conseguinte, nomeio para funcionar como auxiliar deste juízo, na qualidade de médico perito, o Dr.º JOSIMAR MEIRELLES DA CUNHA - ortopedista - indicado na Certidão retro. Intimem-se as partes para, no prazo de 05 (cinco) dias, formularem quesitos e indicarem assistentes técnicos. Decorrido o prazo assinalado acima, intime-se o perito nomeado para apresentar proposta de honorários, da qual deve ser dada vista aos litigantes, por um prazo de 05 (cinco) dias. Desde já, saliento, que na hipótese de aceitação do valor proposto, o INSS1 deve efetuar o depósito dos honorários em conta judicial à ordem deste Juízo. Na seqüência, constatado o depósito dos honorários periciais, entre a Secretaria em contato com o perito nomeado a fim de obter do mesmo informação quanto à data, hora e local para o início da diligência e, em contrapartida, comunicar-lhe que terá o prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia marcado para o desenvolvimento da atividade, para a entrega do laudo pericial; sobre tudo certificando-se nos autos. Em seguida, cientifiquem-se as partes quanto à data, hora e local indicados pelo perito para dar início à produção da prova, cabendo à parte que porventura nomeie assistente técnico a responsabilidade por toda a comunicação de seu assistente até o final da perícia. Apresentado o laudo, intimem-se as partes, salientando que tal comunicação, sendo o caso, dará início, também, ao prazo comum disposto no § único do art. 433 do CPC para os assistentes técnicos oferecerem seus pareceres. FORMA DE CUMPRIMENTO 1. Intimação da parte autora por publicação e do INSS através de remessa dos autos, para formularem quesitos e indicarem assistentes técnicos; 2. Intimação do perito por mandado, para apresentar proposta de honorários, em 05 (cinco) dias. O expediente deve ser instruído como cópia desta decisão e dos quesitos que vierem a ser formulado pelas partes. 3. Intimação da parte autora por publicação e do INSS através de remessa dos autos, sobre a proposta de honorários apresentada. 4. Cumprido o item acima e comprovado o depósito dos honorários, entre a Secretaria em contato com o perito para que informe data, hora e local para o desenvolvimento dos trabalhos; 5. Informados a data, a hora, e o local para o início dos trabalhos, intimem-se as partes, como orientado no ponto 1, e, do mesmo modo, com a entrega do laudo. 11 Como a produção da prova pericial foi solicitada pela Autarquia Previdenciária, a ela caberá o pagamento dos honorários periciais, uma vez que o artigo 33 do CPC apenas impõe tal ônus à parte autora quando esta requer, quando ambas as partes requerem ou quando o juiz determina de ofício a realização da perícia. ?? ?? ?? ??

   

0007167-91.2004.4.05.8200 OSMAR ALVES BEZERRA (Adv. MICHELE PETROSINO JUNIOR) x CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (Adv. JAIME MARTINS PEREIRA JUNIOR, FRANCISCO DAS CHAGAS NUNES, FRANCISCO EDWARD AGUIAR NETO, JUSTINIANO DIAS DA SILVA JUNIOR)

Defiro o pedido de dilação de prazo requerido pela parte autora (fls. 110). Prazo de 60 (sessenta) dias. I. FORMA DE CUMPRIMENTO 1) Publicação.

   

0012846-38.2005.4.05.8200 UNIÃO (Adv. ERIVAN DE LIMA) x MINISTERIO DO EXERCITO (Adv. SEM PROCURADOR) x UNIÃO x TÍNDAROS PESSOA DE CARVALHO , REPRESENTADO POR SUA FILHA GEYSA BORGES DE CARVALHO (Adv. IRAPONIL SIQUEIRA SOUSA, ANAXIMANDRO DE ALBUQUERQUE SIQUEIRA SOUSA) x TÍNDAROS PESSOA DE CARVALHO , REPRESENTADO POR SUA FILHA GEYSA BORGES DE CARVALHO

Ação Ordinária Autor: Tíndaros Pessoa de Carvalho Ré: União S E N T E N Ç A R E L A T Ó R I O Trata-se de ação ordinária ajuizada por TÍNDAROS PESSOA DE CARVALHO representado por sua filha GEYSA BORGES DE CARVALHO, qualificado nos autos, em desfavor da UNIÃO, objetivando a concessão de pensão especial de ex-combatente c/c o pagamento das parcelas pretéritas. Expõe que, durante a Segunda Guerra Mundical, serviu, como integrante do 14º R.I. e do 31º B.C. na Ilha de Fernando de Noronha, sendo, ipso facto, detentor da qualidade de ex-combatente. Aduz que as duas unidades do Exército em que serviu tinha circunscrição sobre o referido território, para onde foi transportado escoltado por navios de guerra, e lá fazia missão de patrulhamento. Com a inicial, procuração e documentos (fls. 23/34). Indeferida a antecipação dos efeitos da tutela pela decisão de fls. 37/39. Citada, a União ofertou contestação, alegando, em preliminar, a prescrição do fundo de direito do autor. No mérito, sustentou ser incabível o deferimento da pensão especial, porquanto não há prova de que as unidades em que serviu eram instaladas na Ilha de Fernando de Noronha e que foram transportadas, escoltadas por navios de guerra, tampouco de que houve participação do requerente em missão de segurança e vigilância do litoral, durante a Segunda Guerra Mundial, consoante assentamentos colacionados aos autos (fls. 26 e 31). Impugnação à contestação, às fls. 51/77. Intimado para especificar as provas que pretendia produzir, o autor reiterou o pedido de produção de prova documental formulado na inicial e na impugnação à contestação. A União prova nenhuma requereu. O pedido de produção de provas foi indeferido, por decisão irrecorrida exarada às fls. 85/88. Contudo, restou determinada à União a apresentação dos assentamentos do autor arquivados no 14º BITMz de Joboatão de Guararapes/PE. Cumprimento às fls. 105/106. É o relatório. Decido. FUNDAMENTAÇÃO PREJUDICIAL: PRESCRIÇÃO A pensão especial devida ao ex-combatente da Segunda Guerra, consoante o disposto no art. 53, II, do ADCT da Constituição Federal e o art. 10 da Lei 8.059/90, poderá ser requerida a qualquer tempo, ou seja, é imprescritível, in verbis: Art. 53. Ao ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial, nos termos da Lei nº 5.315, de 12 de setembro de 1967, serão assegurados os seguintes direitos: II - pensão especial correspondente à deixada por segundo-tenente das Forças Armadas, que poderá ser requerida a qualquer tempo, sendo inacumulável com quaisquer rendimentos recebidos dos cofres públicos, exceto os benefícios previdenciários, ressalvado o direito de opção; Sendo assim, não merece prosperar a prejudicial suscitada de prescrição do fundo de direito do autor. Declaro prescritas apenas as parcelas anteriores a 30/09/2000, o qüinqüídio anterior a data da propositura da ação. MÉRITO A pensão ao ex-combatente da Segunda Guerra Mundial está prevista no art. 53, II, do ADCT, nos seguintes termos: "Art. 53. Ao ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial, nos termos da Lei nº 5.315, de 12 de setembro de 1967, serão assegurados os seguintes direitos: II - pensão especial correspondente à deixada por segundo-tenente das Forças Armadas, que poderá ser requerida a qualquer tempo, sendo inacumulável com quaisquer rendimentos recebidos dos cofres públicos, exceto os benefícios previdenciários, ressalvado o direito de opção;" O Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que ex-combatente da Segunda Guerra Mundial tanto é aquele que efetivamente participou de operações de guerra na Itália quanto o que cumpriu missão de vigilância no litoral brasileiro. Vejamos: "EMENTA: Ação rescisória. Pensão Especial. Ex-combatente. Serviço de Patrulhamento durante a Segunda Guerra Mundial. Art. 53 do ADCT da CF. Art.1º da Lei nº 5.315/67. Ocorrência de violação literal de dispositivo legal. Art. 485, V, do CPC. 1. A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do EREsp nº 255.376/SC, Relator o Ministro Fontes de Alencar, DJU de 12/5/2003, por unanimidade, firmou compreensão de que, nos termos da Lei nº 5.315/67, o conceito de ex-combatente abrange também aqueles que, durante a Segunda Guerra Mundial, em se deslocando de suas bases, participaram de missões de vigilância e segurança no litoral brasileiro. 2. Ação rescisória procedente." (AR 3006/SE. Rel. Min. Paulo Gallotti, j. 27.04.2005, DJU de 01.08.2005). "EMENTA: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. MILITAR. EX-COMBATENTE. PENSÃO ESPECIAL. PATRULHAMENTO DA COSTA BRASILEIRA. ART. 53, II, ADCT. LEI Nº 5.315/67. 1. 'Ex-combatente para efeito de concessão da pensão especial é também aquele militar que à época (16 de setembro de 1942 a 8 de maio de 1945), foi deslocado de sua unidade para fazer o patrulhamento da costa em defesa do litoral brasileiro'. (EREsp 255.376/SC, Relator Ministro Fontes de Alencar, DJ de 12.05.2003). 2. Embargos de divergência rejeitados." (EREsp 536.601/SC, rel. Min. Paulo Medina, j. 11.05.2005, DJU de 01.08.2005). A referida condição foi disciplinada pela Lei nº 5.315/67, que elencou os requisitos indispensáveis ao seu reconhecimento. "Art . 1º Considera-se ex-combatente, para efeito da aplicação do artigo 178 da Constituição do Brasil, todo aquêle que tenha participado efetivamente de operações bélicas, na Segunda Guerra Mundial, como integrante da Fôrça do Exército, da Fôrça Expedicionária Brasileira, da Fôrça Aérea Brasileira, da Marinha de Guerra e da Marinha Mercante, e que, no caso de militar, haja sido licenciado do serviço ativo e com isso retornado à vida civil definitivamente. § 1º A prova da participação efetiva em operações bélicas será fornecida ao interessado pelos Ministérios Militares. § 2º Além da fornecida pelos Ministérios Militares, constituem, também, dados de informação para fazer prova de ter tomado parte efetiva em operações bélicas: a) no Exército: I - o diploma da Medalha de Campanha ou o certificado de ter serviço no Teatro de Operações da Itália, para o componente da Fôrça Expedicionária Brasileira; II - o certificado de que tenha participado efetivamente em missões de vigilância e segurança do litoral, como integrante da guarnição de ilhas oceânicas ou de unidades que se deslocaram de suas sedes para o cumprimento daquelas missões." O autor narra na exordial que serviu ao Exército Brasileiro, em plena Segunda Guerra Mundial, integrando organizações militares que tinha sob jurisdição a Ilha de Fernando de Noronha, entre as quais o Destacamento Misto daquele território, para onde foi transportado escoltado por navio de guerra, e lá participado de missões de patrulhamento. Para comprovação de sua narrativa, o autor juntou os seus assentamentos anotados pelo 31º Batalhão de Caçadores - 2ª Companhia - que, conforme é possível observar, informam o seguinte; Fl. 32: "Em 1945, Junho:- A 6, foi incluído no estado efetivo deste Corpo e desta Sub-unidade, o qual toma o número à margem, ficando considerado não apresentado. A 28, apresentou-se neste B.C. por ter vindo transferido do 14 R.I. Julho. A 4 Foi intregue a esa Cia, sua guia de Socorrimento, passadas pleo 14º R,I. e Destacamento Mixto de Fernando de Noronha respectivamente. A 9 foi transferido para o Pel. Extra deste Corpo, da categoria de fileira para a de empregado (datilógrafo da tesouraria). Em consequência foi excluído do estado e efetivo desta Sub-unidade". Fl. 33: "19 H 5: Julho: A 9, foi incluído no estado efetivo dêste Pel., como datilografo da Tesouraria vindo por como procedência da 2ª Cia deste Corpo. ?, foram entregues suas relações de alterações. Agosto: Sem alterações. Setembro: Sem alterações. Outubro: a 30, foi publicado ter sido ?. digo ter tomado parte nas manobras Regionais, no Campo de Instruções Militar do Engenho Aldeia, Estado da Pernambuco, no período de 22 a 26 do mês em curso. Novembro: a 5, foi licenciado do Serviço Ativo do Exército e excluído do estado efetivo do B.C e desta Sub-unidade, de acordo com o ? Circular 420 - A de 1º do corrente, do Exmo Sr. Gen. Cmte do 7ª R.M, ficando considerado reservista de 1ª categoria e declarou ir residir em Campina Grande - Estado da Paraíba, e recebeu o certificado nº 334.142". Relativamente ao período em que serviu ao 14º R.I. consultando as alterações atinentes ao autor verifico, no que é possível constatar, o seguinte: Fl. 105: "1944= A 14, de acordo com o parágrafo 2º, art. 6º e parágrafo 1º do art. 328 da L.S.M. foi incorporado ao R.I. e desta Cia, como sorteado tomando o número 1721, é filho de Luiz Pessoa de Carvalho e D. Olga Portela de Carvalho, nascido em Catende- Pernambuco em 27-7-1922, solteiro, com 1m61 de altura, estudante, de côr branca, cabelos castanhos escuro ondulado, olhos castanhos, nariz afilado, boca pequena, rosto comprido, barba e bigodes raspados, sabendo ler, escrever, contar, não sabendo nadar e sem sinais particulares. Dezembro: sem alteração". Fl. 106: "Em 1945= Janeiro: A 19 tomou o número 249. Fevereiro: sem alteração. Março: A 27, foi declarado mobizável de acordo com o art. 26 do R.I. ?. Abril - A 16 foi público ter sido indentificado no G.I.R 7, sob o nº 55.515. Maio - A 3, foi público ter prestado compromisso à bandeira no dia 12 de abril próximo passado. Junho - A 18, foi público ter sido transferido no dia 30 do mês próximo passado para o 31º B.C. Em conseqüência, foi excluído do estão efetivo do R.I. e esta Cia., ficando adido até seguir destino. A 23, foi desligado de adito por ter seguido destino". Bem se vê, portanto, que os registros dos assentamentos relativos ao autor não são suficientes para enquadrá-lo no conceito de ex-combatente, pelo fato de não ter integrado a guarnição da Ilha de Fernando de Noronha, nem ter se deslocado, juntamente com suas unidades, in casu, o 14ª R,I e o 31º B.C. para o cumprimento de missões de vigilância e segurança do litoral brasileiro. A propósito da comprovação de participação nas operações bélicas durante o período da Segunda Grande Guerra, dispõe a Lei nº 5.315/67: "Art . 1º Considera-se ex-combatente, para efeito da aplicação do artigo 178 da Constituição do Brasil, todo aquêle que tenha participado efetivamente de operações bélicas, na Segunda Guerra Mundial, como integrante da Fôrça do Exército, da Fôrça Expedicionária Brasileira, da Fôrça Aérea Brasileira, da Marinha de Guerra e da Marinha Mercante, e que, no caso de militar, haja sido licenciado do serviço ativo e com isso retornado à vida civil definitivamente. § 1º A prova da participação efetiva em operações bélicas será fornecida ao interessado pelos Ministérios Militares. § 2º Além da fornecida pelos Ministérios Militares, constituem, também, dados de informação para fazer prova de ter tomado parte efetiva em operações bélicas: a) no Exército: I - o diploma da Medalha de Campanha ou o certificado de ter serviço no Teatro de Operações da Itália, para o componente da Fôrça Expedicionária Brasileira; II - o certificado de que tenha participado efetivamente em missões de vigilância e segurança do litoral, como integrante da guarnição de ilhas oceânicas ou de unidades que se deslocaram de suas sedes para o cumprimento daquelas missões" (g.n.). Ocorre que, mesmo demonstrado que o suplicante apresentou ao 31 BC a "guia de socorrimento passada pelo Destacamento Misto de Fernando de Noronha, conforme o manuscrito de fl. 32, acima transcrito, a legislação não permite a acolhida de seu pedido, visto não estar certificado que "tenha participado efetivamente em missões de vigilância e segurança do litoral, como integrante da guarnição de ilhas oceânicas ou de unidades que se deslocaram de suas sedes para o cumprimento daquelas missões, que possibilita considerar o promovente como ex-combatente. DISPOSITIVO Isso posto, julgo IMPROCEDENTE O PEDIDO, extinguindo o processo, com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I, do CPC. Condeno o autor ao pagamento de honorários advocatícios que fixo no valor de R$ 300,00 (trezentos reais), atendidas as prescrições do artigo 20, § 4º, do CPC, observando-se na execução de tal verba o contido no art. 12, da Lei 1.060/50. Sem custas, em virtude do deferimento da gratuidade judiciária. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. João Pessoa (PB), 06 de junho de 2008. CRISTINA MARIA COSTA GARCEZ Juíza Federal da 3ª Vara 8 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE 1º GRAU SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 3ª VARA 02/Processo nº 2005.82.00.012846-2 8 Cristina Maria Costa Garcez Juíza Federal Titular

   

AÇÃO PENAL

   

0000699-48.2003.4.05.8200 MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL (Adv. WERTON MAGALHAES COSTA) x PAULO ROBERTO VOLK (Adv. NEY FAYET JUNIOR, PAULO FAYET, MARIO FORMIGA MACIEL FILHO)

Em aditamento ao Termo de Audiência às fls. 184/185, intime-se o réu ODDONE AURÉCIO DIAS, também, para que regularize sua representação processual, patrocinada pelo Bel. Mário Formiga Maciel Filho.

   

EXECUCOES DIVERSAS

   

0003211-33.2005.4.05.8200 CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (Adv. MANUEL CABRAL DE ANDRADE NETO, RAQUEL LOBATO GOES DE ALBUQUERQUE, ARLINDO CAROLINO DELGADO) x JOSE BRASILINO DA SILVA FILHO (Adv. SEM ADVOGADO)

Cuida-se de execução por título extrajudicial, movida pela Caixa Econômica Federal - CEF - contra José Brasilino da Silva Filho, objetivando o integral cumprimento da obrigação, nos termos do art. 652 e seguintes do CPC. Citado às fls. 31/31v, a CEF requereu a suspensão do feito pelo prazo do pagamento do acordo, juntando, na oportunidade, Termo de Confissão de Dívidas com Acordo de Pagamento (fls. 34/35), pedido este deferido às fls. 36. Decorrido o prazo de suspensão (fls. 45), às fls. 46, a CEF requereu a extinção do feito em face da liquidação da dívida pela Executada. Isso posto, tendo em vista o integral cumprimento da obrigação, declaro, por sentença, extinta a presente execução e o faço com arrimo no Art. 794, I, do CPC, para surtir seus jurídicos e legais efeitos. Após o escoamento do prazo recursal, dê-se baixa e arquivem-se os autos. Publique-se. Registre-se. Intime-se.

   

EXECUÇÃO/CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

   

0004374-82.2004.4.05.8200 IOMAR BESERRA DIAS E OUTRO (Adv. JOSE RAMOS DA SILVA, YURI PORFIRIO CASTRO DE ALBUQUERQUE, ADEILTON HILARIO JUNIOR) x LINDALMIRA RODRIGUES LIMEIRA E OUTROS x UNIÃO (Adv. SALESIA DE MEDEIROS WANDERLEY)

Em obediência ao provimento nº 002/2000, da Corregedoria do TRF/5ª Região, artigo 3º, item 19, abro vista à parte autora sobre os termos da petição de fls. 224. João Pessoa, 20/05/2008. RITA DE CASSIA MONTEIRO FERREIRA Diretor da Secretaria da 3ª Vara

   

0007692-10.2003.4.05.8200 ROBINSON PEREGRINO MONTENEGRO (Adv. JURANDIR PEREIRA DA SILVA, CICERO RICARDO ANTAS A CORDEIRO, IVO CASTELO BRANCO PEREIRA DA SILVA, ANDRE CASTELO BRANCO PEREIRA DA SILVA) x INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS (Adv. EMMANUEL RUCK VIEIRA LEAL)

Em obediência ao provimento nº 002, de 30 de novembro de 2000, da Egrégia Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, artigo 3º, item 06, abro vista à parte autora sobre a(s) petição(ões) e documentos apresentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS (fls. 162/174), para pronunciamento no prazo de 05(cinco) dias. João Pessoa, 06/06/2008. RITA DE CÁSSIA MONTEIRO FERREIRA Diretora de Secretaria da 3ª Vara

   

 

TOTAL DE SENTENÇA: 19

TOTAL DE ATO ORDINATORIO: 4

TOTAL DE DECISÃO: 5

TOTAL DE DESPACHO: 13

 

Página Inicial | Consulta Simplificada | Consulta Avançada | Versão

Powered by MPS Informática - Todos os direitos reservados. Melhor visualizado em 800 x 600 ou superior.